“Senhor, aumenta a nossa fé”(Lc 17,5). Reza assim, quem sabe que a fé é um dom e não uma conquista superior da força, do poder ou da inteligência. Suplica assim, quem se sente pequenino, guardião da semente da fé, e não se arvora em seu dono e senhor. Pede assim, quem sabe que a fé, recebida no Batismo, precisa de ser acolhida com humildade e alimentada com o pão de cada dia, da oração, do serviço, da Eucaristia. Invoca assim, quem sabe que a fé é sempre “nossa” e, por isso, não se pode crer sozinho.

Amós parece estar em campanha eleitoral. O profeta não se cala, denunciando o comodismo dos que levam uma vida regalada, indiferentes à sorte dos pobres. O pobre Lázaro, na parábola do Evangelho, põe o dedo na ferida mais aberta do nosso tempo: a indiferença absoluta, que cava um muro intransponível entre os filhos de Deus. E a mensagem da parábola põe-nos de sobreaviso: quem tem ouvidos surdos para o grito dos pobres também os tem fechados para a escuta da Palavra de Deus.

Neste início do ano pastoral, a Liturgia da Palavra vem recordar-nos que é precisa uma santa astúcia, uma esperteza evangélica, na causa da Boa Nova e do Reino. Trata-se de uma fidelidade criativa, que saiba propor o Cristo de sempre aos homens e mulheres de hoje, abrindo assim janelas de futuro, na missão da Igreja. Na mesma fidelidade à memória viva da Páscoa do Senhor, encontramo-nos aqui para celebrar o domingo, na alegria dos batizados. Comecemos por reconhecer que, sem Ele, não sabemos sequer o que fazer! E, desde já, “ergamos para o Céu as nossas mãos santas, sem ira nem contenda” (cf. 2.ª leitura).

Regressamos e fazemos festa na Casa do Pai. É a alegria do encontro ou do reenc0ntro. Uma alegria que só é completa quando encontrarmos aquele ou aquela que falta e que é preciso procurar até encontrar.

O país regressou a casa, o ano escolar está à porta e setembro é o mês de todos os recomeços, também nesta comunidade. Em Portugal, a campanha eleitoral está na rua, com os políticos à pesca, nas praças e nas múltiplas redes sociais e de comunicação. Esperam-se, agora, os afamados banhos de multidão e até o tempo promete. Bem vistas as coisas, já não é nada como no tempo de Jesus, que não quer multidões de iludidos, mas discípulos e homens livres; promete cortes e não reversões. Perante a escalada da sua exigência, sentimos a prisão dos nossos pecados e invocamos a sua misericórdia.

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