Hoje é Domingo de Páscoa. E a Páscoa não engana. Mesmo sem os sinais habituais de festa (missa dominical com o povo, visita pascal tradicional, foguetes, visita às famílias) a Páscoa está aí com toda a sua força, em tantos sinais vitais de vitória sobre o egoísmo, sobre o mal e sobre a morte. Assim vemos que a Ressurreição de Jesus não é algo do passado; contém uma força de vida que penetra o nosso mundo. Onde parece que tudo morre, voltam a aparecer os rebentos da esperança. O poder da Ressurreição de Jesus é uma força sem igual! Jesus não ressuscitou em vão.

 

É para a Cruz, que hoje se dirige o nosso olhar. Porque é, também, do alto da Cruz que o Senhor, glorificado, nos olha. E, nesta troca de olhares, está a salvação do Homem e do mundo. Disse-nos há dias, na praça de São Pedro, vazia de pessoas mas cheia das nossas lágrimas e preces: “Temos uma âncora: na sua cruz, fomos salvos. Temos um leme: na sua cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na sua cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do seu amor redentor. No meio deste isolamento que nos faz padecer a limitação de afetos e encontros e experimentar a falta de tantas coisas, ouçamos mais uma vez o anúncio que nos salva: Ele ressuscitou e vive ao nosso lado. Da Sua cruz, o Senhor desafia-nos a encontrar a vida que nos espera, a olhar para aqueles que nos reclamam, a reforçar, a reconhecer e a incentivar a graça que mora em nós. Não apaguemos a torcida que ainda fumega, que nunca adoece, e deixemos que reacenda em nós a esperança” (Papa Francisco, Meditação, 27.03.2020).

É em família, que o Povo de Deus começa por celebrar a sua Páscoa! Segundo a tradição, cada família judaica, reunida à mesa, na festa da Páscoa, come o cordeiro assado, fazendo memória da libertação dos Israelitas, da escravidão do Egito! É também em família, com os seus mais íntimos, reunidos no Cenáculo, que Jesus, consciente da sua morte iminente, Se oferece a si mesmo pela nossa salvação (cf. 1 Cor 5, 7), como verdadeiro cordeiro pascal! É para nós um sinal cheio de significado, que o Senhor Jesus queira ter instituído este grande sacramento da Eucaristia, por ocasião de um importante encontro familiar: a Ceia pascal! E naquela ocasião, a sua família, a nova família gerada pelos vínculos da fé, foram os Doze, que com Ele viviam há três anos. Dessa família, ainda em gérmen, reunida à volta da mesa sagrada do cordeiro pascal, nascerá a Igreja, essa grande e nova família, reunida e nutrida à volta da mesa da Eucaristia! Este ano, a pandemia provocada pelo coronavírus leva-nos a redescobrir a família, como Igreja Doméstica. E pede-nos criatividade, para celebrar a Páscoa na Igreja Doméstica.

No Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, Cristo é aclamado, na Sua entrada triunfal em Jerusalém, como Rei e Redentor. Porém, é no dom de Si mesmo na Cruz que a sua realeza se afirma e que se realiza a nossa redenção. A proposta para esta semana é esta: deixarmos Cristo reinar, tornando-Se Ele mesmo o rosto da nossa atração, o centro do nosso coração e da nossa vida. A oração de Bênção dos Ramos faz inclusão com a nossa proposta inicial e permanente nesta Quaresma: “para que permaneçamos unidos a Ele e demos fruto abundante de boas obras".

O quinto domingo da Quaresma recorda-nos o grande sinal da ressuscitação de Lázaro, que aponta já para o anúncio pascal da Ressurreição de Jesus. A palavra-chave é a afirmação de Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida». Esta é a raiz da nossa fé e da nossa esperança, que nós celebramos todos os domingos, porque o domingo é sempre o dia do Senhor Ressuscitado, o dia da celebração da nossa Páscoa semanal.

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