Todos aqui renascemos”. A ideia de «renascer», de regenerar, de renovar, de reconciliar, de reconduzir toda a vida à luz da fé, aplica-se bem à Quaresma, “que é um tempo propício para nos prepararmos a fim de celebrar, de coração renovado, o grande mistério da morte e ressurreição de Jesus, pedra angular da vida cristã pessoal e comunitária” (Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma 2020, n.º 1). Este é um tempo para nascer e “renascer uma e outra vez” (Ibidem; cf. Christus vivit, n.º 123), seja pela celebração dos sacramentos da iniciação cristã, seja pela renovação das promessas batismais, seja pela celebração da Reconciliação. Hoje a Liturgia desafia-nos com o mesmo prefixo “re”, nas palavras do apóstolo Paulo: “reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5,20).

Continuamos, com Jesus, no alto da montanha, a escutar nas alturas, em alta frequência e alta-fidelidade, o que não se pode escutar cá em baixo, em onda média, no meio do barulho e do entulho. Passo a passo, Jesus convida-nos a ir sempre mais alto e mais além, no caminho do amor. Um caminho de não violência, num amor sem limites! É difícil resistir ao terramoto interior que as Suas palavras fazem estremecer dentro de nós! Mais do que querer dar a volta ao texto, deixemos que o texto nos dê a volta a nós. E reconheçamos diante do Senhor que, sem Ele, nada podemos fazer.

Para nós, o mandamento «não matarás» (Ex 20,13; Mt 5,21)não é para ser revogado; é para ser completado (cf. Mt 5,17)com aquele outro: «amarás a vida, cuidarás da vida: da tua e da do teu irmão; serás cuidador do teu irmão; aceitarás estar sob os cuidados do teu irmão». Portanto,perante o sofrimento, a solução não é avançar para medidas extremas como a eutanásia, mas favorecer práticas solidárias em vez de deixar correr a indiferença e o descarte.

Jesus olha para nós, aqui reunidos à Sua volta. E diz-nos quem somos e o que espera de nós! «Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo». Parece-nos um exagero! Mas Jesus acredita em nós. Mesmo pequenos e pobres, podemos transformar a Terra e iluminar o mundo! Chamados a ser sal da terra, reconhecemos que muitas vezes perdemos o gosto e a alegria de sermos cristãos. Chamados a ser luz do mundo, nós reconhecemos que muitas vezes esta luz não irradia, mas se esconde ou se apaga.

A Luz do Natal cercou os Pastores naquela noite bendita e Maria e José apresentaram-n’O como Salvador. A Estrela guiou os Magos e Jesus foi-lhes apresentado, por Maria e José, como Luz de todos os povos. João deu testemunho da Luz e apresentou Jesus aos pecadores como o Cordeiro de Deus. Jesus apresentou-Se na Galileia dos gentios e então uma luz se levantou. Hoje, 40 dias depois do Natal, a Liturgia faz-nos regressar a outra apresentação: o foco de luz está no Menino, apresentado no Templo por Maria e José. Simeão, cheio do Espírito Santo, deixa-se iluminar pelo Menino, Luz para Se revelar às nações.

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