A alegria deste domingo, dia da Ressurreição, é coroada com a beleza da esperança que celebramos nesta Solenidade de Todos os Santos. A vida dos santos serve-nos de exemplo, no seguimento feliz de Jesus. Na comunhão com os santos formamos uma família. Junto de Deus, os santos intercedem por nós, para que possamos vencer o bom combate da fé e receber com eles a coroa da vida eterna.  Esta é, pois, uma celebração que nos diz respeito a todos e a cada um. Diz respeito a todos os batizados, que foram santificados e regenerados em Cristo! Diz respeito a cada um, escolhido pelo Senhor “para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor” (cf. Ef 1,4). O nosso coração eleva-se hoje para esta medida alta da vida cristã comum, quando se vê rodeado por uma nuvem de testemunhas, “que nos estimulam a correr para a meta” (GE 3). São os santos, de antigamente e de longe, mas também os santos de hoje e de “ao pé da porta, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus” (GE 7).Os santos foram o que nós somos e nós somos chamados a ser o que eles foram.

Jesus continua sob interrogatório e a surpreender-nos com as suas respostas. Da política ao catecismo, os fariseus experimentam Jesus, em todas as matérias. Agora, a pergunta a Jesus é sobre qual o principal mandamento, de entre os 613 preceitos que os judeus multiplicaram a partir dos 10 mandamentos! Jesus recorda-nos o amor a Deus e ao próximo, como duas faces da mesma moeda, pondo diante de nós o rosto de Deus e a face do irmão. Ambos provêm do mesmo Amor com que Deus primeiro nos amou. Amar a Deus e amar o próximo não é mais do que responder ou corresponder a esse primeiro amor. Por isso, movidos pelo amor de Deus, deixemo-nos converter ao Deus vivo e verdadeiro.

Celebramos hoje o Dia Mundial das Missões. Neste ano, marcado pela pandemia da covid-19, o caminho missionário, que diz respeito a todos os batizados, inspira-se na resposta pronta e generosa do profeta Isaías ao Senhor: «Eis-me aqui, envia-me» (Is 6,8). É a resposta, sempre nova, à pergunta do Senhor, dirigida hoje a cada um: «Quem enviarei?» (Ibid.). Este chamamento provém do coração de Deus, a quem pertence a nossa vida, por inteiro. Na verdade, somos imagem de Deus (Gn 2,27)e trazemos inscrita e tatuada no coração esta divisa amorosa: «Eu pertenço ao Senhor» (Is 44,5). Somos d’Ele. E n’Ele somos dados aos irmãos. “A missão que Deus confia a cada um faz-nos passar do «eu» medroso e fechado ao «eu» resoluto e renovado pelo dom de si mesmo aos irmãos”.

Somos felizes, porque somos convidados para a mesa do Senhor. À mesa da família, em nossa casa, ou à mesa da Eucaristia, na nossa Casa comum, celebramos a alegria do amor em família, a alegria do amor de Deus por nós. Na Eucaristia, participamos no banquete nupcial, em que o próprio Filho Se oferece no Seu amor por nós. O nosso Deus é um Deus da alegria, do amor, da dança e da abundância, do banquete e da festa, da convivialidade e da comunhão. Celebremos, à mesa do Senhor. Revistamo-nos, desde já, do traje nupcial, da alegria do amor e da comunhão, para participarmos dignamente do banquete eucarístico.

Estamos a concluir, neste 1.º domingo de outubro, ainda com cheiro e sabor a colheitas e vindimas, os dias do chamado “Tempo da Criação”. Os cuidados primorosos da vinha, de que nos fala a Liturgia da Palavra deste domingo, recordam-nos o trabalho do amor com que Deus cuida de nós, na esperança dos melhores frutos. Esta vinha pode ser, para nós, a imagem da nossa Casa comum, da nossa família, da nossa Igreja e até da Criação inteira, que somos chamados a cuidar com a ternura de um jardineiro e a paciência de um vinhateiro. Passado o tempo das vindimas, deixemos Deus espremer a nossa vida, para vermos, com verdade, os frutos que Lhe oferecemos. Pois é «pelos frutos» (Mt 7,15)que os discípulos de Jesus são conhecidos.

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