Para nós, o mandamento «não matarás» (Ex 20,13; Mt 5,21)não é para ser revogado; é para ser completado (cf. Mt 5,17)com aquele outro: «amarás a vida, cuidarás da vida: da tua e da do teu irmão; serás cuidador do teu irmão; aceitarás estar sob os cuidados do teu irmão». Portanto,perante o sofrimento, a solução não é avançar para medidas extremas como a eutanásia, mas favorecer práticas solidárias em vez de deixar correr a indiferença e o descarte.

Jesus olha para nós, aqui reunidos à Sua volta. E diz-nos quem somos e o que espera de nós! «Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo». Parece-nos um exagero! Mas Jesus acredita em nós. Mesmo pequenos e pobres, podemos transformar a Terra e iluminar o mundo! Chamados a ser sal da terra, reconhecemos que muitas vezes perdemos o gosto e a alegria de sermos cristãos. Chamados a ser luz do mundo, nós reconhecemos que muitas vezes esta luz não irradia, mas se esconde ou se apaga.

A Luz do Natal cercou os Pastores naquela noite bendita e Maria e José apresentaram-n’O como Salvador. A Estrela guiou os Magos e Jesus foi-lhes apresentado, por Maria e José, como Luz de todos os povos. João deu testemunho da Luz e apresentou Jesus aos pecadores como o Cordeiro de Deus. Jesus apresentou-Se na Galileia dos gentios e então uma luz se levantou. Hoje, 40 dias depois do Natal, a Liturgia faz-nos regressar a outra apresentação: o foco de luz está no Menino, apresentado no Templo por Maria e José. Simeão, cheio do Espírito Santo, deixa-se iluminar pelo Menino, Luz para Se revelar às nações.

Celebramos hoje, de modo festivo, o Domingo da Palavra. No passado dia 30 de setembro de 2019, o Papa Francisco fixou esta data para o Domingo da Palavra: o dia em que a Igreja celebra o III Domingo Comum (Motu proprio Aperuit illis, n.º 3). O Papa já tinha esclarecido o objetivo, no encerramento do Ano da Misericórdia, quando nos propôs esta iniciativa pastoral: “Seria conveniente que cada comunidade pudesse, num domingo do Ano Litúrgico, renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo” (Papa Francisco, Bula Misericordia et Misera, n.º 7).

Continuamos a contemplar o Batismo de Jesus, com os olhos de João, que nos oferece duas imagens da não violência e da paz: um Cordeiro e uma pomba! Belas imagens, que nos desarmam da violência, a começar pela que se esconde dentro de nossa casa, e que nos preparam para construir a unidade e a paz, nas nossas famílias e entre os cristãos. Neste 1.º / 2.º dia de Oração pela Unidade dos Cristãos, coloquemos, diante do Senhor, o nosso duplo propósito: acolher e receber com excecional humanidade quem vem de longe e procura em nós e entre nós um abrigo. Fazer das nossas famílias oásis de paz.

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