Há oito dias, tínhamos os olhos fixos em Jesus, a iniciar o seu ministério na Galileia. Jesus apresentava-se então, na sinagoga de Nazaré, como o Messias, que cumpria, em plenitude, a esperança dos pobres e inaugurava o Grande Jubileu, o Ano da Graça do Senhor. Neste domingo, 2 de fevereiro, completam-se 40 dias depois do Natal. Por ser uma Festa do Senhor, ela goza de precedência sobre o IV Domingo Comum. “Puxámos a fita atrás”, e voltamos àquele outro encontro, em que Jesus é apresentado por Maria e José, no Templo de Jerusalém. Aí é acolhido de braços abertos; aí é aclamado e reconhecido como o Messias esperado, a Luz das Nações. Simeão e Ana, que há tanto tempo esperavam o Messias, são para nós, o testemunho de quem mantém acesa a chama viva da esperança, que não engana. Por isso, hoje benzemos estas velas, pedindo ao Senhor que o nosso coração se mantenha, como o de Simeão e Ana, desperto na esperança, como uma tocha sempre acesa!

Neste Terceiro Domingo do Tempo Comum, a Igreja celebra, pela sexta vez, o Domingo da Palavra de Deus. É um Domingo especialmente “dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus” (Aperuit Illis, 3). Por estarmos a celebrar, ao longo de todo o ano 2025, o Grande Jubileu, sob o lema “Peregrinos de esperança”, o Papa Francisco escolheu como fonte de inspiração para este Domingo da Palavra, as palavras do Salmista: “Espero na tua Palavra” (Sl 118/119,74). É da nossa experiência humana, que todos esperam, todos temos diversas esperanças, mas o que nos é comunicado neste Jubileu é a “Esperança”, no singular, a Esperança em Pessoa. A nossa esperança não é uma ideia, uma expetativa; a nossa esperança tem rosto e tem nome: é Cristo. “Cristo é a nossa esperança” (1Tm 1,1). Ele mesmo Se apresenta hoje na sinagoga de Nazaré, como Aquele que realiza a Promessa e o ideal libertador do Jubileu. É Ele que inaugura e nos oferece, em definitivo e em plenitude, «o Ano da graça do Senhor», o Ano Jubilar. Neste Domingo da Palavra, renovemos a nossa esperança no Senhor, porque Ele é fiel à Palavra do Seu amor por nós (Hb 10,23), Ele realiza todas as promessas. Eis porque esta é uma esperança que não nos desilude (Rm 5,5). Bem o entendeu o apóstolo Pedro, quando afirmou: “À Tua palavra, Senhor, lançarei as redes” (Lc 5,5), o que significa: “confio em Ti”; “pus toda a minha esperança na Tua Palavra”(Sl 118/119,74).

Entramos no Tempo Comum. A Liturgia veste-se de verde, a cor litúrgica que associamos à esperança. Para nós, esta esperança renova-se em cada Domingo, o primeiro da semana, o dia da Ressurreição, «o oitavo dia», o dia novo, que ultrapassa o ritmo habitual, marcado pela cadência semanal. Celebramos o Domingo, na expetativa do Domingo, sem fim, “abrindo assim o ciclo do tempo comum à dimensão da eternidade, à vida que dura para sempre: está é a meta, para a qual tendemos na nossa peregrinação terrena (cf. Rm 6,22)” (cf. Spes non confundit, n.º 20); esta é a meta da qual nos tornamos “Peregrinos de esperança”. Desta esperança, dá-nos testemunho Maria, na cena das bodas de Caná, esperando de Jesus a resposta para aquilo que parecia não ter saída nem solução. Maria é sobre a mesa a vela acesa da nossa esperança.

Irmãos e irmãs:  Celebramos neste dia a Festa do Batismo do Senhor. Conclui-se hoje o Tempo do Natal e o ciclo da Manifestação do Senhor. Continuando a Sua descida até nós, Jesus, o Filho de Deus, que Se fez Homem, não se envergonha de nós.  Ele coloca-se entre os pecadores, que pediam a João o Batismo, como sinal de conversão.  Ele desce até ao mais fundo da nossa fragilidade, para daí nos resgatar, libertar e redimir. Neste dia inaugural da missão pública de Jesus, abrimos também solenemente o Ano Jubilar para a Vigararia de Matosinhos. Cristo, nossa paz e nossa esperança, seja nosso companheiro de viagem neste ano de graça e de consolação. O Espírito Santo, que hoje, em nós e connosco, inicia esta obra, a complete até ao dia de Cristo Jesus.

Peregrinos de esperança, viemos a Belém, à Casa do Pão, onde encontramos Cristo vivo, a Estrela que guia o nosso coração, a Estrela que ilumina o nosso chão. Não teremos, por certo, melhor ícone dos peregrinos de esperança, do que os Magos que vêm do Oriente, guiados pela Estrela, em busca do Salvador. Eles representam a esperança das nações, neste mundo global, que nos tornou vizinhos, mas não nos fez irmãos. Podemos associar este movimento ao de tantos migrantes, exilados, deslocados e os refugiados, que fogem à guerra e procuram uma terra, um teto e um trabalho. Neste dia (na véspera do dia) em que o Santo Padre abre a Porta Santa da Basílica de São Paulo fora dos muros, peçamos ao Senhor a graça de derrubar os muros que nos impedem de viver como irmãos e de abrir as portas do coração a todos os que Deus põe no nosso caminho.

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