Em Ano Jubilar, somos desfiados a atravessar a Porta Santa. E hoje Jesus recorda-nos que a Porta é estreita: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita” (Lc 13,24)! É estreita, mas alta, aberta a todos. A nós, que O escutamos e aqui comemos e bebemos com Ele, Jesus adverte-nos, que é preciso validar o bilhete de entrada, no banquete do Reino, com o esforço da caridade. Já o autor da Carta aos Hebreus recorda-nos hoje que “o Senhor corrige aqueles que ama”, tendo em vista frutificar em nós a paz e a justiça. Nesta celebração, cada um faça a sua prova de esforço, deixando-se corrigir, com amor, pela Palavra do Pai, que bate à porta e vem conversar amorosamente com os seus filhos.
Em pleno mês de agosto, Jesus sobe a temperatura da vida cristã, ateando sobre as nossas vidas o Seu fogo. Bem sei que seria mais agradável mergulhar, em águas doces ou salgadas, do que deitar mais achas para a fogueira. Mas, neste agosto preguiçoso, o combate da fé não conhece tréguas, perante a hostilidade que Cristo e os cristãos têm de suportar. Por agora, fitemos os olhos em Jesus, o guia da nossa fé, e imploremos, para nós e para todos os irmãos, a graça do alimento que nos fortalece e anima, que nos dá a força da perseverança e da resistência na fé e na esperança. Invoquemos a misericórdia do Senhor.
Celebramos a meio de agosto, a Assunção de Nossa Senhora, a Páscoa de Maria. Maria, sempre unida ao seu Filho, na vida e até à morte, uma vez concluído o percurso da sua vida terrena, é a primeira criatura associada à glória da ressurreição do Seu Filho. Por isso, em Maria vemos realizada a esperança da Ressurreição, que nos está prometida. Ela é a Estrela da nossa Esperança. Ela corre ao nosso encontro para nos fazer caminhar com os pés na terra e os olhos postos no céu, meta da nossa peregrinação para a Casa do Pai.
Em pleno mês de agosto, [no início da Semana nacional da Mobilidade Humana], no mês das viagens e peregrinações, das férias e deslocações, temos Abraão, nosso pai na fé e na esperança, como figura histórica de referência, nesta busca itinerante de uma terra prometida. Ele é a imagem do crente peregrino e do crente que acolhe a Deus, na pessoa do outro. No Evangelho, Jesus pede-nos a prontidão do serviço e a luz da fé, para caminhar vigilantes, na direção da Pátria Prometida, ao encontro do Senhor. Comecemos por reconhecer os nossos medos, fugas e indiferenças em relação aos últimos das nossas sociedades, a quem devíamos justamente dar o primeiro lugar.
No primeiro domingo de agosto, vêm a contragosto as advertências do sábio Coelet, do apóstolo Paulo e do único Mestre, que é Jesus Cristo. Um alerta vermelho contra o risco da avareza, irmã gémea da cobiça e da soberba. Talvez estivéssemos à espera, em tempo de férias, de uma Palavra mais suave, mais deslizante, menos exigente e menos acutilante. Mas não. A Liturgia da Palavra não nos vende ilusões de verão e enche de sabedoria o nosso coração, para nos tornar ricos aos olhos de Deus e nos fazer aspirar às coisas do alto. Em sintonia com o Jubileu dos Jovens, que se concluo este domingo, em Roma, comecemos esta celebração por reconhecer o que há no nosso coração de vacuidade, de avareza, de mentira, de idolatria.