Voltamos a casa, reunidos em Igreja, para o encontro com Cristo, à volta da mesa da Palavra e da Eucaristia. Jesus coloca-Se no nosso meio. “Ele está presente no meio de nós quando nos reunimos no seu amor e, como outrora aos discípulos de Emaús, Ele nos explica o sentido da Escritura e nos reparte o pão da vida” (Oração Eucarística V). Nós abeiramo-nos do Senhor, “espantados e cheios de medo” (Lc 24,37), por causa dos nossos pecados. Mas estamos cheios de confiança, pois “se alguém pecar, nós temos Jesus Cristo, o Justo, como advogado junto do Pai” (1 Jo 2,1).

Este é o Domingo da Oitava da Páscoa, o primeiro dia da semana, o dia do encontro do Ressuscitado com a Sua Igreja reunida, como outrora no Cenáculo, na sala da Última Ceia. Este é, em algumas Igrejas, o domingo em que os novos batizados se apresentam com a sua veste branca, para agradecer as riquezas do Batismo com que foram purificados, da unção espiritual do Crisma com que foram ungidos e do Corpo e Sangue da Eucaristia com que foram redimidos. Este é, desde o ano 2000, o Domingo da Divina Misericórdia, que nos recorda o dom do perdão dos pecados, que brota do lado aberto de Cristo Morto e Ressuscitado. 

Irmãos e irmãs: Hoje é Domingo de Páscoa. E a Páscoa não engana. Mesmo sem os sinais habituais de festa (visita pascal tradicional, foguetes, visita às famílias), a Páscoa está aí com toda a sua força, em tantos sinais vitais de vitória sobre o egoísmo, sobre o mal e sobre a morte. Privados de manifestações externas de festa, celebremos a Páscoa com aquilo que é o mais íntimo e o essencial na celebração da Ressurreição de Cristo. Convidemos e celebremos a Páscoa de Cristo vivo, para que Ele transforme a nossa vida pelo poder com que venceu o pecado, o medo e a morte. Inundados pela beleza deste dia, celebremos juntos, na arca da aliança, a Páscoa gloriosa do Senhor.

Esta é a noite do ano, a noite de todos os acontecimentos, a noite das grandes intervenções de Deus na nossa história! Estamos em vigília, em expectação noturna, para dar início à celebração do terceiro dia do Tríduo Pascal, o dia da Ressurreição. Na mais solene das vigílias, vamos proclamar a Ressurreição de Jesus, o acontecimento por excelência das grandes maravilhas de Deus operadas em nosso favor, a realização plena, em Jesus, da Páscoa da nova aliança. Quatro grandes liturgias darão corpo à nossa celebração: a Liturgia da Luz, a Liturgia da Palavra, este ano mais breve, a Liturgia Batismal, este ano mais simplificada, e, como coroamento, a Liturgia Eucarística!

No cantinho da oração, nós colocamos, desde o princípio, uma Cruz. A Cruz é o tesouro da Arca da Aliança, que valorizamos neste dia da Paixão do Senhor. “Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro” (Santo André de Creta). Porque é que a Cruz é um tesouro? “Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado, do seu lado, aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado; não teríamos alcançado a liberdade; não teria sido vencida a morte nem poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso”. Por isso, as nossas cruzes, “os desprezos, as dores e as aflições são os verdadeiros tesouros dos que amam a Jesus Crucificado” (Santa Margarida Maria Alacoque). Digamos uma vez mais, de cruz ao peito: “A Cruz é o meu tesouro, o mais precioso de todos os bens” (Santo André de Creta).

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