Todos irmãos. Todos de casa. Todos irmãos é o propósito que nos guia, desde este primeiro Domingo do Advento até à conclusão do tempo do Natal, com a Festa do Batismo do Senhor. Ao longo destas 10 celebrações, iremos aprofundar a consciência e a experiência, a graça e a exigência, desta fraternidade humana e cristã. Esta fraternidade tem a sua raiz no amor do Pai, que enviou ao mundo o Seu Filho e assim nos fez irmãos. Todos de casaé o ideal que sonhamos para cada pessoa, que habita a nossa Casa Comum, seja a Casa da família, seja a casa da Igreja, seja o mundo em que vivemos. A família, a Igreja e o mundo ganham “quando cada pessoa, cada grupo, se sente verdadeiramente de casa” (FT 230).

Este é o último domingo do ano litúrgico. Um ano atravessado pelo espesso nevoeiro de uma pandemia que ainda persiste. Entre mortos e feridos não é legítimo passar ao largo, para não ver o irmão ferido e tratar as suas feridas. No fim da vida, o balanço será feito pela balança do amor que tivermos uns pelos outros. A parábola do juízo final, que vamos escutar, dá-nos já as perguntas do exame final, o protocolo de entrada no Reino, com a certeza de que o amor aos pobres é o nosso passaporte para o Céu. Deixemo-nos, desde já, mover pelo amor de Deus, para que a Sua misericórdia nos converta em irmãos, próximos e cuidadores uns dos outros.

O ano litúrgico caminha para o fim, em direção à plenitude da Vida, que só no Senhor poderemos encontrar. Enquanto esperamos «o dia do Senhor», o dia da Sua última vinda definitiva e do nosso encontro definitivo com Ele, cabe-nos vigiar, estar atentos, sóbrios, diligentes, fazendo render todos os talentos, que o Senhor nos confia. Não nos deixemos iludir quando disserem «paz e segurança», porque subitamente irrompe, de forma inesperada, a pandemia da COVID-19, que deixa a descoberto as nossas falsas seguranças. Neste domingo, 4.º Dia Mundial dos Pobres, o exemplo vem de uma mulher virtuosa (Pr 31,20)e o desafio é feito por um homem sábio, que nos dá o código da felicidade: “Estende a tua mão ao pobre” (Sir 7,32). Estendamos, desde já, a nossa mão a Deus, suplicando perdão pelas vezes em que não a estendemos aos irmãos. 

Jesus chamou os que queria e foram ter com Ele” (Mc 13,3)! Este é o lema da Semana de Oração pelos Seminários, que se conclui neste 32.º Domingo Comum. Esta prontidão da resposta, para ir ao encontro do Senhor, é o que espera Cristo, o Esposo, quando nos chama a estar com Ele, para entrar na intimidade do Seu amor por nós. A cada um Ele pede que não deixemos esmorecer o desejo, que não deixemos apagar-se a chama e o fogo desta chamada. Ao forte brado, que nos acorda do sono, “eis o Esposo; ide ao seu encontro” (Mt 25,1-13),levantemo-nos imediatamente com as candeias da fé, da esperança e do amor bem acesas. Que esta Eucaristia, que anuncia a Páscoa do Senhor até que Ele venha, nos ajude a reacender as candeias da fé e da esperança e a encher de alegria a almotolia do amor, para amar e servir o Senhor.

 

Ontem não pudemos ser fiéis à bela tradição popular de uma romagem ao cemitério, para uma oração comunitária, para o gesto terno de colocar flores e acender uma vela sobre os restos mortais de um familiar. São gestos simples, que antecipávamos para o dia feliz de Todos os Santos. Na flor está o sinal promissorda vida nova que florirá daquele corpo lançado à terra como o grão de trigo. Na vela entrevemos o esplendor da luz perpétua, a partir daquela vida que se consumiu até ao fim, para ser consumada e ateada no fogo daquele amor que não acaba. Mas, graças a Deus, podemos ainda rezar por eles. Isso pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua oração em nosso favor. Mas mais e acima de tudo isto, podemos celebrar juntos a Eucaristia, em comunhão com todos os nossos irmãos e irmãs. «A Igreja oferece pelos defuntos o sacrifício eucarístico da Páscoa de Cristo, a fim de que, pela mútua comunhão entre todos os membros do Corpo de Cristo, se alcance para uns o auxílio espiritual e para outros consolação e esperança»(IGMR 379).Que esta celebração “aumente em nós a esperança de que os nossos irmãos e irmãs, chamados a ser pedras vivas do templo eterno de Deus, ressuscitarão gloriosamente com Cristo” (cf. Ritual das Exéquias, n.º 97).

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