Esta é a noite do ano! A noite de todos os acontecimentos, a noite das grandes intervenções de Deus na nossa história. Estamos em vigília, em expectação noturna, para dar início à celebração do terceiro dia do Tríduo Pascal, o dia da Ressurreição. Começamos na escuridão, a partir da escuridão, a partir da noite do caos primordial, a partir da escuridão do pecado e da morte, para caminharmos em direção à luz da Vida, que é o Senhor Ressuscitado. Reunida na escuridão, e fora da Igreja, esta assembleia cristã, em comunhão com toda a humanidade e com toda a criação volta às suas origens. Começamos a partir da escuridão para caminharmos em direção à luz.
Cheira a Páscoa, no Jardim das Oliveiras e no Jardim onde Jesus é sepultado. O odor da morte anuncia o aroma da vida.O primeiro dia do Tríduo Pascal é o Dia da Paixão e Morte do Senhor, que celebramos hoje de modo solene. A celebração da Paixão tem hoje um expressivo reinício, com uma Procissão em absoluto silêncio e um gesto de prostração. O Presidente não fará qualquer Saudação, depois da prostração, porque, na verdade, todas as celebrações do Tríduo Pascal são uma só: começaram ontem com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor e só terminarão com as Vésperas na tarde do Domingo de Páscoa. Pedimos a todos os presentes que, por favor, tanto quanto a saúde e o espaço lhes permitirem, imitem os ministros da celebração, ajoelhando-se quando eles se ajoelharem, e enquanto o Presidente se prostra. O silêncio de todos expressa a dor da Igreja-Esposa, pela perda do Seu Esposo. O espanto por um amor tão grande fecha a nossa boca no silêncio concentrado de todos os nossos sentidos. Façamos um profundo silêncio, para anunciar, invocar, adorar e comungar a Paixão e a Morte do Senhor.
Irmãos e irmãs: Cheira a Páscoa. Há, por todo o lado, um cheiro a Páscoa, um cheiro à Páscoa dos judeus, que comemoravam e reviviam, por estes dias da Lua cheia da Primavera, a libertação do Egito, a passagem do Mar Vermelho. No contexto da Páscoa judaica, Jesus quis celebrar a sua Páscoa, a sua «passagem» deste mundo para o Pai» (Jo 16,28). Cumprindo a antiga festa, Jesus inaugura a nova Páscoa. Ele é a “nossa Páscoa, imolada” (cf. 1 Cor 5, 7). Esta é a Festa maior, em todos os sentidos, que juntos celebramos em três dias, num Tríduo Pascal. Ora, o Tríduo do Senhor Crucificado, Sepultado e Ressuscitado tem o seu pórtico introdutório nesta Eucaristia Vespertina, que nos reporta àquela mesma noite, em que Jesus, reuniu os Doze Apóstolos, para a Ceia Pascal, sinalizando e antecipando à mesa a Sua entrega, morte e Ressurreição por nós. Por isso, a celebração da Ceia do Senhor é uma verdadeira introdução à celebração pascal no seu todo, o que transparece desde logo no cântico de entrada, em que proclamamos: “Toda a nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Fixemos então o nosso olhar na Cruz do Senhor. E, de pé, com todos os sentidos abertos e despertos, cantemos a Cristo, nossa Páscoa imolada.
No Tríduo Pascal a Igreja celebra
os máximos mistérios da redenção humana.
Se toda a vida do Senhor Jesus foi uma “Páscoa”
– “saí do Pai e vim ao mundo;
de novo deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16, 28)
– foi-o, porque, num momento
determinado da sua existência,
Jesus como que se concentrou e viveu uma páscoa
tornando-se “Páscoa”: “antes da festa da Páscoa.
Cumprindo a antiga festa, inaugurou a nova.
Ele é a “nossa Páscoa, imolada” (cf. 1 Cor 5, 7).
Nesta Semana Santa, este é o desafio:
“Abre o teu olfato. Cheira a Páscoa”.
Não te feches no quarto, areja o teu coração,
para que não cheire a mofo.
Sai de casa, para a rua, para a Igreja.
Cheira a Páscoa.
Menos quarto. Mais jardim.
Sê, para Deus e para os outros,
o bom odor de Cristo,
o odor da vida que conduz à vida (2 Cor 2,14-16)!
"Abre-te. Da Quaresma à Páscoa um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Irmãos e irmãs: com este desafio, temos vindo a percorrer o caminho da Quaresma à Páscoa, um caminho que fazemos juntos, unidos a Cristo, despertando e abrindo todos os nossos sentidos, para que se tornem recetivos, pela fé, à presença e à ação de Deus e, por sua vez, a comuniquem aos outros. Depois de termos aberto o coração no deserto, os ouvidos no Tabor, o paladar junto ao poço, a visão no caminho da luz e o tato diante do sepulcro, chegamos agora à hora da entrega total. Completamos a Chave dos sentidos com o último selo, que evidencia o sentido do olfato. Ele tem inscrito o apelo principal da Semana Santa: “Cheira a Páscoa: menos quarto, mais jardim”. Por isso, saímos de casa e estamos aqui reunidos, (em Guifões: ao ar livre), para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração anual do mistério pascal, da Paixão, morte e ressurreição do Senhor. Essa é a meta do caminho, que iniciámos na Quarta-Feira de Cinzas. Foi para realizar este mistério que Jesus Cristo entrou na sua Cidade Santa de Jerusalém. Por isso, recordando com fé e devoção esta entrada triunfal de Jesus na Cidade Santa, acompanharemos o Senhor, de modo que, participando agora da sua Cruz, mereçamos um dia ter parte na sua Ressurreição. Voltemos agora o nosso olhar para a Cruz, que abre a procissão de entrada, aclamemos a Cristo, agitando os nossos ramos e entoando-Lhe cânticos de louvor. Deixemos exalar por toda a casa (em Guifões: por toda a parte) o perfume de Cristo.
Celebramos o 5.º Domingo da Quaresma. E o Evangelho de hoje fala-nos da Ressurreição de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro é o último dos sete sinais de Jesus. É o sinal mais próximo, é anúncio e prenúncio da morte e ressurreição de Jesus. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos os sentidos do ouvido, do paladar e da visão, somos desafiados, nesta 5.ª semana da Quaresma, a desenvolver o sentido do tato. Aprendamos a tocar, com ternura, a carne de Cristo, em cada pessoa, e sobretudo na pessoa dos mais frágeis, dos doentes, dos pobres, dos sós.
Celebramos o IV Domingo da Quaresma. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos o sentido do ouvido e do paladar, somos desafiados, neste 4.ª semana da Quaresma, a abrir os olhos, a aclarar e ampliar o sentido da visão, para aprendermos a ver Jesus e a ver com os olhos de Jesus. O encontro de Jesus com o cego de nascença quer abrir os nossos olhos.