Nova Igreja Matriz da Senhora da Hora

O núcleo populacional havia aumentado consideravelmente com a fundação da Empresa Fabril do Norte e outras empresas de menor porte em seu território. A Capela de Nossa Senhora da Hora tornara-se insuficiente para comportar os muitos fiéis que aqui residiam, que tinham de deslocar-se à sede da paróquia em Matosinhos, distante, para tratar de assuntos religiosos que os envolvia. O potencial cristão da sua gente era óbvio, sendo necessário aqui celebrar quatro eucaristias dominicais, às sete, nove, onze e meia e dezanove horas. Era pois imperiosa a construção de um novo templo de espaço mais amplo para colmatar tal lacuna. Em 1952 foi colocado na Paróquia da Senhora da Hora o Pároco Padre António Gonçalves Porto, que apercebendo-se da situação, agiu de forma inabalável para a erecção de uma nova Igreja se tornar realidade. Fez contactos ao mais alto nível, congregou fundos vindos de diversas vertentes, com destaque para os da sua maior benfeitora D. Ana Mendonça.

Conforme consta no Livro de Actas da Comissão Executiva pró-construção da Nova Igreja da Senhora da Hora, 1952, esta com início de funções em 17 de Novembro do mesmo ano, tinha como primordial objectivo a realização prática da construção do novo templo. A referida Comissão Executiva pró-construção da Nova Igreja era constituída por pessoas, que inicialmente se haviam comprometido a agir efectivamente, isto é laborar no sentido de criar meios para a sua erecção. Integrava o seguinte elenco: Presidente - Padre António Gonçalves Porto, Vice - Presidente Artur da Silva Maia (Regedor da Freguesia), Tesoureiro - António Alves de Oliveira. Vogais:
Amadeu Alves Carneiro, Alfredo Augusto Cabral, Amadeu Vilar Mengo de Abreu e Admar Augusto Alves.

A dita Comissão Executiva procedeu posteriormente à nomeação de uma Comissão de Honra, a ser constituída em especial pelo Conselho Administração da Empresa Fabril do Norte e por outras pessoas de prestígio social na freguesia, ficando o Padre Porto encarregado de contactar o Paço Episcopal para que Sua Ex.a Reverendíssimo Bispo do Porto - D. António Ferreira Gomes aceitasse a sua presidência.

O Sr. Bispo aceitou o convite e veio pessoalmente visitar a freguesia, acompanhado do seu secretário particular, com o intuito de vistoriar os terrenos oferecidos pela Empresa Fabril do Norte, para a construção da nova Igreja. Segundo um testemunho oral posteriormente trocados pela Bouça dos Plátanos nos, antigo largo da feira, propriedade da Paróquia.

Sr. Bispo e acompanhante foram recebidos pelo pároco da freguesia, Senhor Manuel Pinto de Azevedo, João Mendonça e seu filho o Eng. Alberto Mendonça da Empresa Fabril do Norte, Alfredo Augusto Cabral, Amadeu Alves Carneiro Junta da Freguesia presidida por o Sr. Joaquim Rocha, Regedor - Artur da Silva Maia e representantes da Confraria de Nossa Senhora da Hora e S. Bartolomeu. Após uma morosa visita ao terreno, o Eng. Alberto Mendonça forneceu ao Sr. Bispo todas as informações que lhe solicitou, relativas ao plano de urbanização do local. Examinou minuciosamente a planta, que pediu para levar consigo, para melhor estudar e apreciar o assunto, conjuntamente com o Eng. A. Barbosa de Abreu, que o acompanhava também, ficando decidido entregar-lhe depois o projecto. O Padre Porto alvitrou ser conveniente criar-se uma Comissão de Senhoras, para angariarem donativos, lembrando-se das Exmas. Senhoras D. Ana Mendonça, D. Ana Ribera, D. Maria Cândida de Sousa e D. Isaura Vale, com as quais já havia contactado e obtido o seu consentimento para apresentá-las, ficando decidido escolherem depois entre elas uma Direcção, que chamaria outras senhoras que entendesse, para auxiliá-la. Deveria seguir-se o exemplo do Reverendo Abade da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Porto que para ajuda da sua construção utilizou o sistema dos ramos de flores, cargo esse que caberia à dita Comissão de Senhora sem franca colaboração com a Comissão Executiva, à qual entregariam o produto da venda. Ficou deliberado ficarem a reunir às quartas-feiras e sempre que fosse necessário a convite oral do seu presidente e efectuar-se-iam na sala de reuniões da Irmandade de Nossa Senhora da Hora.

O projecto para sua construção foi da autoria do Arquitecto Paulo Sampaio e orientado pelo Engenheiro Barbosa de Abreu, que em 13 de Fevereiro de 1953 recebeu vinte mil escudos de honorários da Comissão Fabriqueira da Paróquia da Senhora da Hora, relativo ao ante-projecto da futura Igreja da Senhora da Hora.

Segundo dados cedidos pelo Senhor Bispo D. Manuel Martins, este ante-projecto destinava-se a ser empregue na construção da nova igreja de Cedofeita, mas não foi aprovado devido à sua altura, que não estava de acordo com o traçado arquitectónico da capela românica de Cedofeita, que lhe está próxima, assim como com a arquitectura paisagística em seu redor. O Senhor Bispo D. António Ferreira Gomes contactou o Senhor Padre Porto e informou-o do ocorrido, que por sua vez e posteriormente se pôs em contacto com o seu autor, Eng. Barbosa de Abreu, sendo assim o referido projecto transferido e aplicado na nova Igreja da Senhora da Hora.

Em 2 de Maio de 1953, o mesmo Bispo da Diocese do Porto, em acto solene benzeu a sua 1ª pedra. Em Maio de 1958, fez-se a inauguração da Cripta pelo mesmo Chefe Diocesano. Em 11 de Fevereiro de 1963, o referido Pároco António Gonçalves Porto benzeu a futura Igreja Matriz da Senhora da Hora e celebrou Missa de Sétimo Dia por alma da D. Ana Mendonça. É digno de louvor todo empenho e dinamismo dispendidos pelo Sr. Padre António Porto na erecção da nova Igreja Matriz, cuja conclusão desta obra de grande envergadura, se havia transformado no seu maior anseio, na sua maior aspiração e só então poderia descansar em paz.

Em estilo moderno e de uma só nave, a sua arquitectura é singela, com linhas direitas, planta em oval, de aspecto exterior e interior agradáveis.

No que concerne à sua exterioridade, em seu frontispício e partes laterais sobressaem os vitrais em suave combinação de tons, azul forte, amarelo, branco sujo, castanho, que a embelezam e lhe oferecem maior luminosidade. A frontaria termina ao centro com uma
cruz inscrita numa circunferência. Àsua esquerda, demasiado delgada e elevada, encontra-se uma torre sineira, rematada por uma cruz alcandorada. No adro, uma escadaria em pedra dá acesso ao portal principal, ladeado de jardim.

No tocante à sua interioridade, o conjunto era harmonioso, elegante, sóbrio, requintado. Na entrada um pequeno espaço separado do corpo da Igreja dava acesso ao baptistério, que se lhe situava à esquerda. Transposta essa área, em frente encontrava-se o altar-mor, com o Santíssimo e à sua direita em lugar de honra estava a imagem de Nossa Senhora da Hora, nobre Padroeira da Freguesia, oferecida à Igreja pela D. Antonieta Mendonça; à sua esquerda Santo António, doado pelo médico Professor Doutor Amândio Tavares. À direita da entrada localizavam-se dois altares, 1° de S. José, oferecido por D. Ana Ribera e 2° de Nossa Senhora de Fátima, de extraordinária devoção na paróquia, doada por D. Palmira Martins, prima direita de D. Manuel Martins, ex-Bispo de Setúbal. A esquerda da entrada, em 1° lugar o altar com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, doada pela D. Maria Júlia Sapage, em 2° o do Sagrado Coração de Jesus, oferecido pelo Eng. Alberto Mendonça.

Quando o Padre Porto adoeceu, do qual veio posteriormente a falecer, sucedeu-lhe na direcção da Paróquia o Sr. Padre Neves, que podemos considerar uma pessoa entusiasta, dinâmica. Segundo consta, uniu-se a meia dúzia de paroquianos e Arquitecto Castelo e sem autorização Diocesana, mandou levantar os altares e retirar as imagens. Em frente e atrás do altar-mor mandou esculpir em alto relevo Jesus Cristo. Os altares laterais foram substituídos pela Fonte das Sete Bicas e quadros do Evangelho em alto-relevo, fixos. As belas imagens, todas da autoria da prestigiada escultora Irene Vilar, foram armazenadas no antigo baptistério e Santo António foi colocado sobre a antiga pia baptismal.

A Nossa Senhora da Hora, nobre padroeira da nossa padroeira da nossa vila, que outrora ocupou um lugar de honra na capela mor, encontra-se no presente sobre um pequeno altar, à direita da entrada do templo.

Quem conheceu outrora o interior da Igreja Matriz e a vê no presente, sente uma sensação de vazio, ausência de algo. Para quando a reconstrução e restituição dos altares e colocação das imagens no lugar que lhes compete e lhes é devido? É importante dever de todos respeitar e preservar os rituais, usos e costumes do nosso povo, salvaguardar o património histórico e artístico que nos foi transmitido pelos que nos antecederam, aumentá-lo se possível, divulgá-lo, mas nunca reduzi-lo.

Em 1998, a Igreja Matriz foi alvo de pequenas obras de conservação.

Edifício Paroquial

Enquanto a Paróquia da Senhora da Hora foi dirigida pelo Sr. Padre Fernando Neves foi erecta na parte traseira da Igreja Matriz um edifício com várias divisões, designado por Salão Paroquial, para instalação dos serviços administrativos da Paróquia e dos vários sectores de apoio ao desempenho eclesiástico e guarda de alfaias religiosas, arquivo, biblioteca e outros serviços que lhe estão subjacentes.

 
Bibliografia:

ILDA FERNANDES, Senhora da Hora. Monografia. Ed. Paróquia Senhora da Hora, 2000, 252-277

Livro de Actas da Comissão Executiva pró-construção da Nova Igreja da Senhora da Hora, 1952

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