E baixou, de repente, a temperatura da fé! Jesus, capaz de expulsar demónios, de acalmar a tempestade, de estancar o fluxo de sangue e de acordar os mortos, vê-Se impotente, na sua terra e entre a sua gente de Nazaré, de tal modo que não pôde ali fazer nada de extraordinário! Na verdade, é a fé que abre caminho ao milagre que transforma, cura e salva, acorda, ergue e levanta a nossa vida. Por isso, peçamos ao Senhor que desfaça a dureza dos corações e a limitação das nossas mentes, para que sejamos abertos à sua graça, à sua verdade e à sua missão de bondade e misericórdia.

Crença mágica ou confiança. Qual é a fé que nos salva? O Evangelho deste domingo, leva-nos a passar de uma fé, que é uma espécie de crença mágica num poder divino, a uma fé, feita de confiança, que brota do encontro pessoal com Cristo e nos faz levantar e ressurgir para uma vida nova. Esta fé no Senhor, que é fonte de vida nova, de ressurreição,  deve também traduzir-se numa vida comprometida com a caridade ativa, em partilha generosa, com os mais pobres. Deixemo-nos tocar por Jesus, deixemo-nos curar e salvar por Ele, que olha ao redor e vem ao nosso encontro, para nos alimentar na fé, na esperança e na caridade. Preparemo-nos para O receber.

Há oito dias, a primeira parábola do Evangelho sugeria-nos a estranha confiança do semeador, que via a semente germinar e crescer, «enquanto ele dormia e se levantava». E hoje, o mesmo Semeador, agora na imagem do comandante da barca, resolve deitar-Se a dormir, à popa, sobre uma almofada. A imagem é sugestiva: Jesus permanece no comando da nossa barca, da nossa vida, ainda que muitas vezes nem nos apercebamos da serenidade da sua condução! Não é a nossa agitação que conta. É o seu sono tranquilo. É neste clima poético de silêncio e de espanto, que nos abeiramos do mistério humilde da presença escondida de Deus, que de novo nos desafia a confiar na Sua presença. Reconheçamos a nossa pouca fé.

Não são histórias da carochinhaas parábolas do Reino, que Jesus nos conta. Elas destinam-se a fazer-nos entrar no modo de Deus ser e agir neste mundo, a partir do coração de cada um. Ali, onde o amor de Deus, secreto e discreto, nos alcança e transforma, ali germina, cresce, floresce e frutifica o Reino de Deus. As parábolas deste domingo desafiam-nos a acreditar no potencial desenvolvimento da pequena semente, precisamente enquanto o semeador dorme e se levanta. Deixemos que este tempo, com o Senhor, na Eucaristia, seja o tempo do agir de Deus, que tanto pede a nossa colaboração como a nossa confiança, para sonharmos juntos um futuro melhor. De coração confiante, invoquemos a Sua misericórdia.

Na quinta-feira do Corpo de Deus recordávamos que a Eucaristia instaura uma nova consanguinidade, uma nova familiaridade, uma nova fraternidade entre nós, em Cristo. Os que comem do mesmo Pão e à mesma mesa e os que bebem do mesmo cálice do Sangue de Cristo tornam-se consanguíneos, única família de Cristo, nutrida e reunida à volta da mesa do seu Senhor.  Neste X Domingo do Tempo Comum, é bom pensar que esta família também se afirma e cresce, à mesa da Palavra de Deus. A nova família de Jesus reúne-se, em cada domingo, nesta Casa, à volta de Jesus, para se sentar à mesa da Palavra e à mesa da Eucaristia. E assim nos tornamos irmãos.

Pág. 24 de 135
Top

A Paróquia Senhora da Hora utiliza cookies para lhe garantir a melhor experiência enquanto utilizador. Ao continuar a navegar no site, concorda com a utilização destes cookies. Para saber mais sobre os cookies que usamos e como apagá-los, veja a nossa Política de Privacidade Política de Cookies.

  Eu aceito o uso de cookies deste website.
EU Cookie Directive plugin by www.channeldigital.co.uk