Liturgia e Homilias na Ascensão do Senhor C 2022
Destaque

A Ascensão de Jesus põe os nossos olhos no céu, para nos fazer aspirar às coisas do alto e assentar os nossos pés no chão. Para os discípulos, tão habituados à companhia do Mestre, às suas palavras e gestos tão humanos, há o desafio de aprenderem a olhar o mundo com os olhos de Jesus e a tornarem-se adultos na fé e na missão. O Senhor parte para ficar e agora ficamos nós ficamos para partir. Mas não estamos sós, porque o Senhor continua vivo e ativo, em nós e através de nós, no Corpo da Sua Igreja, no íntimo do mundo, como um fogo, graças à ação do Espírito Santo.

Homilia na Ascensão do Senhor C 2022

De olhos fitos no céu e de pés assentes no chão, perguntemo-nos, hoje, quais são os grandes desafios, para os discípulos de Jesus, a partir da Ascensão? Gostaria de partilhar e refletir convosco apenas dois: mudar o próprio olhar para ver com os olhos de Jesus e crescer na fé para amadurecer e frutificar na missão.

O desafio de mudar o próprio olhar para ver com os olhos de Jesus

Vede bem: os discípulos estão a olhar para o céu, como quem está à espera que chova, à espera de alguma coisa que lhes caia do céu! Dois homens vestidos de branco reorientam o seu olhar fito e nubloso: “Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu! Esse Jesus que, do meio de vós, foi elevado para o céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o céu”.A fé em Jesus não é apenas olhar para Jesus. É aprender a olhar com os olhos de Jesus, a olhar com um olhar livre e libertador, que fita os olhos em cada pessoa, no seu nome, na sua história de vida, para lhe dar um significado único, uma esperança maior, um valor eterno. É preciso, pois, aprender a olhar o mundo, a olhar os sinais dos tempos novos, a olhar esta mudança de época, com os olhos de Jesus, com os olhos mansos da esperança, com os olhos compassivos de quem vê o melhor de cada pessoa, de quem vê o dom do momento presente, de quem percebe que o mundo antigo passou e é preciso sair ao encontro de quem não voltará mais. Ter fé em Jesus é nada mais do que dizer a Jesus: «Tu és a luz dos meus olhos». E, neste sentido, podemos olhar como Jesus, para esta sensação de vazio, em que nos deixam, por exemplo, as nossas Igrejas meio-vazias depois da pandemia. Com o olhar de Jesus podemos perceber aí o desafio e a necessidade de sair, de propor, de facilitar e proporcionar cada vez mais a beleza e a graça do encontro pessoal com Cristo, a tantos homens e mulheres que não virão mais à nossa procura, se não lhes oferecermos uma palavra de sentido, uma experiência de graça, uma oportunidade de encontro. Esta crise das nossas Igrejas meio-vazias, é uma chance, uma oportunidade de mudança na nossa maneira de sermos cristãos, de vivermos a nossa missão pessoal e comunitária: não podemos mais ficar à espera do adulto, na esperança de ele voltar um dia, quando tropeçar desfalecer ou precisar de ajuda. Não. É preciso propor e proporcionar a descoberta e o encontro pessoal com Jesus e o Seu Evangelho, àqueles que se cruzam todos os dias na soleira da nossa vida ou da nossa Paróquia. Que o rosto de Cristo se torne visível para eles na luz do nosso olhar.

O desafio de crescer na fé e amadurecer para frutificar na missão

Os discípulos talvez preferissem permanecer jovens seguidores de Jesus e assim continuar tudo como dantes. Talvez nem quisessem crescer na fé e assumir responsabilidades, compromissos, enfrentar desafios e dificuldades. Mas, ao ver partir Jesus, eles percebem uma mudança de época: deixaram de ser crianças, não podem ser eternamente jovens discípulos. Lembro-me de uma frase de um antigo bispo do Porto a um padre que perdera a sua mãe: “agora é que o senhor deixou de ser menino”. Agora é o tempo, para os discípulos, de se tornarem adultos na fé e de investirem na fé dos adultos, de fazer cristãos capazes de assumir, com alegria e entusiasmo, o risco da missão. Hoje sabemos, pelas igrejas meio-vazias, que há uma crise de maturidade e de fé em muitos adultos, que vivem na ilusão da eterna juventude e, que, por isso, tal como Peter Pan, não crescem nem fazem crescer, não amadurecem no desejo do amor, são incapazes de compromissos, de sacrifícios, de relacionamento com os outros, apostando tudo no seu «eu», na sua imagem, no seu prazer individual. Vivem como se não houvesse mais nada além de si nem acima de si mesmas. Precisamos então de crescer juntos e fazer crescer tanto no desejo das coisas do alto, como no cuidado e na responsabilidade pelas coisas da terra.  

Irmãos e irmãs: voltemos, pois, com grande alegria a Jerusalém e à Galileia, ao Templo do encontro com o Senhor e à nossa missão de serviço ao próximo, para transformarmos a nossa Terra à imagem do Céu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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