Irmãos e irmãs: Cheira a Páscoa. Há, por todo o lado, um cheiro a Páscoa, um cheiro à Páscoa dos judeus, que comemoravam e reviviam, por estes dias da Lua cheia da Primavera, a libertação do Egito, a passagem do Mar Vermelho. No contexto da Páscoa judaica, Jesus quis celebrar a sua Páscoa, a sua «passagem» deste mundo para o Pai» (Jo 16,28). Cumprindo a antiga festa, Jesus inaugura a nova Páscoa. Ele é a “nossa Páscoa, imolada” (cf. 1 Cor 5, 7). Esta é a Festa maior, em todos os sentidos, que juntos celebramos em três dias, num Tríduo Pascal. Ora, o Tríduo do Senhor Crucificado, Sepultado e Ressuscitado tem o seu pórtico introdutório nesta Eucaristia Vespertina, que nos reporta àquela mesma noite, em que Jesus, reuniu os Doze Apóstolos, para a Ceia Pascal, sinalizando e antecipando à mesa a Sua entrega, morte e Ressurreição por nós. Por isso, a celebração da Ceia do Senhor é uma verdadeira introdução à celebração pascal no seu todo, o que transparece desde logo no cântico de entrada, em que proclamamos: “Toda a nossa glória está na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Fixemos então o nosso olhar na Cruz do Senhor. E, de pé, com todos os sentidos abertos e despertos, cantemos a Cristo, nossa Páscoa imolada.

"Abre-te. Da Quaresma à Páscoa um caminho com sentido, um caminho com sentidos. Irmãos e irmãs: com este desafio, temos vindo a percorrer o caminho da Quaresma à Páscoa, um caminho que fazemos juntos, unidos a Cristo, despertando e abrindo todos os nossos sentidos, para que se tornem recetivos, pela fé, à presença e à ação de Deus e, por sua vez, a comuniquem aos outros. Depois de termos aberto o coração no deserto, os ouvidos no Tabor, o paladar junto ao poço, a visão no caminho da luz e o tato diante do sepulcro, chegamos agora à hora da entrega total. Completamos a Chave dos sentidos com o último selo, que evidencia o sentido do olfato. Ele tem inscrito o apelo principal da Semana Santa: “Cheira a Páscoa: menos quarto, mais jardim”. Por isso, saímos de casa e estamos aqui reunidos, (em Guifões: ao ar livre), para darmos início, em união com toda a Igreja, à celebração anual do mistério pascal, da Paixão, morte e ressurreição do Senhor. Essa é a meta do caminho, que iniciámos na Quarta-Feira de Cinzas.  Foi para realizar este mistério que Jesus Cristo entrou na sua Cidade Santa de Jerusalém. Por isso, recordando com fé e devoção esta entrada triunfal de Jesus na Cidade Santa, acompanharemos o Senhor, de modo que, participando agora da sua Cruz, mereçamos um dia ter parte na sua Ressurreição. Voltemos agora o nosso olhar para a Cruz, que abre a procissão de entrada, aclamemos a Cristo, agitando os nossos ramos e entoando-Lhe cânticos de louvor. Deixemos exalar por toda a casa (em Guifões: por toda a parte) o perfume de Cristo.

Celebramos o 5.º Domingo da Quaresma. E o Evangelho de hoje fala-nos da Ressurreição de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro é o último dos sete sinais de Jesus. É o sinal mais próximo, é anúncio e prenúncio da morte e ressurreição de Jesus. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos os sentidos do ouvido, do paladar e da visão, somos desafiados, nesta 5.ª semana da Quaresma, a desenvolver o sentido do tato. Aprendamos a tocar, com ternura, a carne de Cristo, em cada pessoa, e sobretudo na pessoa dos mais frágeis, dos doentes, dos pobres, dos sós.

Celebramos o IV Domingo da Quaresma. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos o sentido do ouvido e do paladar, somos desafiados, neste 4.ª semana da Quaresma, a abrir os olhos, a aclarar e ampliar o sentido da visão, para aprendermos a ver Jesus e a ver com os olhos de Jesus. O encontro de Jesus com o cego de nascença quer abrir os nossos olhos.

Celebramos o III Domingo da Quaresma. Diante de nós, permanece o apelo fundamental: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos o sentido do ouvido, ao longo da passada, a partir de hoje, nesta terceira semana, somos desafiados, a apurar o sentido do gosto, do paladar, para aprendermos a saborear. Aprendermos a saborear não apenas o que comemos e bebemos. Mas a saborear sobretudo o que pode saciar a nossa fome e nossa sede de Deus, a nossa fome e a nossa sede de um sentido para a vida. O encontro de Jesus com a Samaritana quer despertar em nós essa fome e essa sede de Deus.

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