Liturgia e Homilias no 3.º Domingo do Advento A 2025
Destaque

Alegrai-vos, sempre no Senhor. Exultai de alegria. O Senhor está perto. Esta alegria não se confunde com a satisfação imediata dos nossos desejos, nem com o nosso bem-estar individual ou com algum conforto emocional. Esta alegria não se alcança com prazeres rápidos, que aprofundam ainda mais o vazio dos nossos corações.A alegria que celebramos cresce à medida que Deus vem e nós O deixamos entrar para transformar a nossa vida. Esta alegria é também um fruto que amadurece na paciência de quem sabe esperar.  Chega mesmo a ser aquela uma alegria com lágrimas, uma alegria que preenche a cova daquela ferida, que tanto sofrimento escavou em nós. A verdadeira alegria nasce quando, mesmo sem vermos tudo claro, reconhecemos que Deus está a agir, no silêncio de uma semente que germina e cresce sem fazermos nada por isso. Por isso, o desafio desta semana é este: “Esperai com paciência a vinda do Senhor”. Porque o Natal que esperamos é uma história de muita paciência.

HOMILIA NO III DOMINGO DO ADVENTO A 2025

Esperai com paciência a vinda do Senhor.Podíamos resumir nestas duas palavras a nossa reflexão para esta terceira semana do Advento: a espera e a paciência.

1. A espera. Na verdade, temos hoje muita dificuldade em esperar. Na fila ou no semáforo. Habituamo-nos a querer tudo e já, num mundo onde a pressa se tornou uma constante. Por isso, olhamos para a espera como um tempo que nos é roubado. Vede como esta etapa do Advento – tempo da espera – é queimada pelas luzes do comércio acesas antes da festa, pelas ceias de Natal antes da época, pela publicidade que nos enfarta do Natal. Nós devíamos viver a espera, como um tempo de graça, que nos é oferecido, para parar, reparar, preparar o berço e abrir o coração. A resposta sobre o modo de cultivar esta espera, na vinda do Senhor, podemos encontrá-la em São Tiago:

2. A paciência. «Esperai com paciência a vinda do Senhor». É a paciência do agricultor. Ele não escava desesperado a terra, à procura da semente que ali deixou, mas aparta-se dela sabendo que há um tempo necessário de separação, para que a semente, ao seu ritmo, possa florir.A paciência não é passividade, mas a confiança ativa, de quem faz o que deve fazer, mas espera e sabe que é Deus quem faz crescer.A paciência é “a virtude parente próxima da esperança” (SNC 4). Sem esperança, a paciência torna-se resignação. Sem paciência, a esperança torna-se fantasia.

3.Destaquemos, por hoje, alguns [quatro] âmbitos para o exercício desta paciência:

3.1. A paciência com Deus: És Tu o Messias ou devemos esperar outro”? Interrogava João Batista, surpreendido pelo estilo e pela demora de Jesus, em Se manifestar ao mundo. Na verdade, Deus tem o seu tempo – tem todo o tempo do mundo – e tem o seu modo próprio de ser e agir: discreto, íntimo, humilde, manso, pacífico, cordial, sem espetáculo. Não é Deus, que se demora ou se atrasa! Ele decidiu caminhar connosco. É, por isso, a nossa lentidão que o faz andar mais devagar. Precisamos de cultivar a paciência com Deus, respeitando o seu modo de se manifestar e esperar a Sua hora!   

3.2. A paciência com a Igreja: Por nós, iríamos até mais depressa nas reformas! Mas o espírito sinodal faz-nos caminhar juntos, com paciência, aprendendo a esperar pelos outros, sem os deixar para trás. A paciência ensina-nos a desenvolver processos lentos, a dar pequenos passos juntos, sem a pressa dos resultados! Sozinhos, poderíamos ir mais depressa. Mas juntos, chegaremos mais longe!

3.3. A paciência com os outros, com os amigos, com a família.Na era da internet, onde o espaço e o tempo são suplantados pelo «aqui e agora», a paciência deixou de ser de casa. Se não cultivarmos a paciência, seremos incapazes de dominar os nossos impulsos. Sem a paciência, a vida de cada família torna-se um campo de batalha. Pelo contrário, esta paciência reforça-se quando reconheço que o outro, tal como é – lento ou precipitado, ativo ou passivo, calado ou falador – tem direito a viver como eu e comigo, neste mundo. O amor é uma história de muita paciência! O amor é paciente!

3.4. A paciência comigo mesmo. Somos frágeis, lentos, pouco afeitos e afoitos à mudança. Desiludimo-nos connosco próprios! Precisamos de nos aceitar assim, de não entrarmos em crise de autoestima, sabendo que Deus nos ama nesta fragilidade. Precisamos, sobretudo, diante dos duros revezes da vida, de respirar fundo. A paciência é respiração longa, distendida e aberta. Talvez tudo o que tenhamos a fazer seja apenas isto: respirar melhor!

4.Irmãos e irmãs: Peçamos ao Senhor esta paciência, “filha da esperança e, ao mesmo tempo, o seu suporte” (SCN 4), para esperarmos, na alegria dos nossos corações, a vinda do Senhor!  E perguntemo-nos em jeito de exame para um Natal em modo sinodal: Sou paciente na relação com Deus, com a Igreja, com os outros, com os familiares, comigo mesmo? Sei esperar no tempo que vai da sementeira à colheita? Por amor, adapto-me aos ritmos e feitio dos outros? Como posso exercitar esta virtude da paciência, sem perder a alegria de caminharmos juntos?Não o esqueçamos:  O Natal que esperamos é uma história de paciência.Esperemos com paciência a vinda do Senhor.

 

 


 

 

Top

A Paróquia Senhora da Hora utiliza cookies para lhe garantir a melhor experiência enquanto utilizador. Ao continuar a navegar no site, concorda com a utilização destes cookies. Para saber mais sobre os cookies que usamos e como apagá-los, veja a nossa Política de Privacidade Política de Cookies.

  Eu aceito o uso de cookies deste website.
EU Cookie Directive plugin by www.channeldigital.co.uk