Paróquia Senhora da Hora (785)
Vamos com alegria. Subamos juntos a Jerusalém. Este é o lema que nos conduz no nosso caminho para a Páscoa. E hoje “vamos com alegria”, atrás ou à frente de Jesus, como aquelas crianças hebreias, como os discípulos de Jesus, para O aclamar, nosso Rei, Messias e Redentor. A primeira parte da nossa celebração, neste domingo, comemora esta entrada de Jesus em Jerusalém. Dizemos que é uma “entrada triunfal em Jerusalém”, mas não é uma entrada “triunfalista”, à maneira dos poderosos deste mundo. Jesus apresenta-Se em Jerusalém, como Rei e Messias humilde, montado num jumentinho (Zc 9,9) e não em poderosos cavalos de guerra. Ele é um Rei que quebra os arcos de guerra, um Rei de paz, um Rei da simplicidade, um Rei dos pobres. É em Jesus, que está posta a alegria dos pequeninos. Por isso, gritamos «Hossana», e, dito assim, nós pedimos a Jesus: “Ajudai-nos”. O nosso cântico a Cristo Redentor é, por isso, um cântico de júbilo, de alegria, de esperança no Senhor. Na força débil e na debilidade forte do Seu Amor, Jesus escolhe os pequenos e os humildes, para sua companhia, neste caminho que o levará da entrada triunfal à humilhação na morte de Cruz e da Morte à Ressurreição. Agitemos, pois, os nossos ramos, e, acolhamos os ministros da celebração, nesta Procissão de Entrada. Vamos com alegria e subamos a Jerusalém.
Homilia no V Domingo da Quaresma B 2024
1. E chegámos com alegria a Jerusalém! A cinco dias da Páscoa, não faltam pessoas à volta de Jesus. Entre elas, sobressaem uns gregos, uns curiosos simpatizantes, que fazem este pedido a Filipe: “Senhor, nós queríamos ver Jesus” (Jo 12,21). Esta gente de fora quer ver Jesus por dentro, chegar ao Seu coração. Naquele pedido podemos entrever o pedido de tantos homens e mulheres do nosso tempo: talvez sem se darem conta, pedem-nos hoje não só que lhes falemos de Cristo, mas também e sobretudo que, de certa forma, lh'O façamos ver!
2. Como revela Jesus o seu rosto a quem O procura? Jesus surpreende-nos na resposta: Chegou a Hora de o Filho do Homem ser glorificado(Jo 12,23). Logo depois Jesus declarará que Ele será elevado da terra(Jo 12, 32): elevadoporque será levantado e cravado no alto de uma Cruz, lugar de suprema humilhação; elevado, porque daí, da Cruz, sairá vitorioso, será exaltado pelo Pai, graças à Sua Ressurreição.Portanto, a primeira condição para quem queira conhecer Jesus é olhar a cruz por dentro. É aí, por dentro da Cruz, que se desvela o mistério da morte do Filho de Deus, como um gesto supremo de amor, fonte de cura, de vida e de salvação. Não deixemos, pois, de olhar a Cruz, a partir de dentro, entrando nela, precisamente pelas fendas abertas do seu Corpo Crucificado e glorioso, isto é, entrando pelas suas Santas Chagas!
3. E para explicar o significado da sua morte e ressurreição, Jesus faz uso de uma imagem muito simples: se o grão de trigo, ao cair na terra, não morrer, ele permanece só; mas, se morrer, dará muito fruto(Jo 12,24). Vede: a Cruz é fecunda: atrai-nos para o Pai e cura-nos pelas Suas chagas; vede: a sua morte é fecunda: é fonte inesgotável da vida nova da Ressurreição. Então Jesus parece dizer hoje a cada um: se Me queres conhecer e compreender, olha para o grão de trigo, que morre na terra para frutificar, olha e entra por dentro da Cruz, através das minhas chagase contempla O amor do meu coração por ti, por vós, por todos.
4. Descendo ao concreto, o que nos ensina esta lei do grão de trigo, que morre para frutificar? Olhemos um pouco para a nossa vida e verifiquemos como nela se desenha a parábola do grão de trigo: as nossas alegrias nascem na dor; os maiores sucessos têm sempre o alto preço das nossas entregas escondidas; os nossos êxitos são feitos de sacrifício ocultos. Nenhum fruto, nenhuma coisa boa da nossa vida, que ainda permaneça, nos foram dados sem trazerem consigo o sinal da Cruz, sem terem esta marca do esquecimento, da negação, da humilhação, da morte de nós próprios: seja o filho que tivemos, a casa que construímos, o curso que fizemos, o casamento que vivemos. Mafalda Veiga cantava assim, numa das suas mais belas melodias: “É preciso morrer e nascer de novo; semear no pó e voltar a colher; há que ser trigo, depois ser restolho; há que penar para aprender a viver (…) A vida é feita em cada entrega alucinada, para receber daquilo que aumenta o coração”, daquilo que recria o coração.
5.Queres então mostrar Jesus a quem hoje O quer ver? Podes entregar-lhes os Evangelhos, onde Se revela o rosto de Jesus. Podes convidá-los a olhar a Cruz, por dentro. Mas sobretudo mostra aos outros o rosto de Jesus, tatuado nas tuas marcas e nas rugas da tua entrega, do teu serviço, da tua vida dada por amor. Testemunha aos outros a alegria de um coração novo e renovado, a alegria de um coração puro e purificado, a alegria de um coração transformado e transformador, a alegria de um coração capaz de morrer e de dar a vida por amor!
Laetare é a marca deste IV Domingo da Quaresma. O verbo latino laetare significa alegrar-se! E a alegria que somos chamados a viver a partir deste Domingo, início da quarta semana da Quaresma é, sobretudo, a alegria da salvação. Esta é a sua raiz. E tem na Cruz a sua fonte. Na verdade, a Palavra de Deus traz-nos hoje, em diversos matizes, o convite à alegria, à alegria da salvação; a alegria da redenção, porque, nesta subida a Jerusalém, cheira já a Páscoa. Por toda esta alegria, a Liturgia da Igreja alivia do roxo para se vestir hoje de cor-de-rosa. É a Páscoa que se aproxima. Por agora, preparemos, em silêncio, o nosso coração, para o deixar inundar pela alegria da salvação.
Vamos com alegria. Subamos a Jerusalém. Somos desafiados, pois, a subir a Jerusalém, não já para entrar no Templo antigo – de que só resta o Muro das Lamentações –, como os peregrinos hebreus de outrora, mas vamos com alegria ao encontro do Templo novo, que é Cristo, morto e ressuscitado, Templo demolido na sua Paixão e Morte, mas reedificado ao terceiro dia, com a Sua Ressurreição. Estamos no coração da Quaresma, que, nestes três domingos, nos ajudará a entrar no mistério pascal, que tem sempre esta dupla faceta de destruição e elevação, de cruz e de luz, de sofrimento e de glória, de morte e ressurreição. Neste domingo, início da 3.ª semana da Quaresma, somos desafiados a viver a alegria da libertação.
Vamos com alegria. Subamos a Jerusalém.Antes, porém, a meio do caminho, rumo a Jerusalém, Jesus convida os seus mais íntimos amigos, a subir com Ele a um alto monte, a um lugar retirado, para uma pausa, para uma visão a partir do alto. E aí – diz o texto – Jesus transfigurou-Se. Na prática, Jesus mostrou-lhes, por um momento, a meta gloriosa do caminho da cruz: a Sua Ressurreição. Mas a visão dessa meta, não é uma ilusão enganadora. É um vislumbre de esperança e de confiança, para que possamos aguentar a subida a Jerusalém, suportando e superando as provações da vida. Somos chamados, nesta 2.ª semana da Quaresma a viver a alegria no meio das provações. E hoje trataremos das feridas familiares, que se contam entre as mais difíceis provações da nossa vida.
“Vamos com alegria. Subamos juntos a Jerusalém”. Este é o convite do Senhor, para esta Quaresma, que iniciámos na passada Quarta-Feira de Cinzas e que tem como meta a Páscoa gloriosa de Cristo. É um caminho de quarenta dias, de libertação e para alcançarmos a liberdade; um caminho que passa pelo deserto da oração e da conversão da tristeza em alegria. Neste domingo e nesta primeira semana, vivamos a alegria da conversão, daquela mudança de rota, que traz o amor, a harmonia e a paz de volta ao nosso coração.
“Vamos com alegria. Subamos juntos a Jerusalém”. Este é o convite do Senhor, no início do nosso caminho quaresmal, cuja meta é a Sua Páscoa gloriosa. É um caminho árduo de liberdade e de libertação, um caminho que passa pelo deserto da oração e da conversão, um caminho que implica uma luta livre contra os muitos falsos deuses a quem servimos. É um caminho de subida para a cruz, que nos desafia a descer até ao fundo de nós mesmos, a abandonarmos os vínculos ou os laços que nos prendem, para regressarmos ao Senhor, para voltamos ao Seu primeiro amor (Os 2,16-17). É um caminho de conversão da tristeza em alegria: da tristeza pelo pecado e pela ausência do Senhor nas nossas vidas; da alegria, que brota sempre da Sua Páscoa, das suas chagas, das suas feridas, abertas por amor. Aclamemos o Senhor, que é rico em misericórdia.
Celebramos, neste Domingo (amanhã), dia 11 de fevereiro, o Dia Mundial do Doente. Somos desafiados pelo Papa Francisco, na sua Mensagem, a cuidar do doente, cuidado das relações, imitando assim o próprio Jesus, que cura salvando e nos salva curando. As suas curas retiram das margens os excluídos, que podem então voltar ao convívio familiar, religioso e social. Jesus tudo faz para a maior glória de Deus. E a glória de Deus é o homem vivo: são e salvo, curado e salvo no Seu amor. Por isso, conscientes da nossa impureza, pedimos ao Senhor que nos limpe. Que nos purifique. Que o toque da Sua mão misericordiosa nos deixe limpos, para participar na Sua mesa.
No diário de Jesus, feito por São Marcos, Jesus tem tempo para rezar, para pregar, para curar. Tempo para Deus e tempo para os irmãos. E são muitas as curas que Jesus faz. Impressiona-nos o tempo que Jesus dedica às pessoas doentes. Reunidos hoje à volta de Jesus, é a nós que Ele quer pregar, é a nós que Jesus quer curar. É connosco que Ele quer rezar. Conscientes dos nossos males e das nossas misérias, voltemo-nos para Ele e deixemo-nos curar pela Sua misericórdia.
Jesus entra na sinagoga a um sábado. E ali ensina com a autoridade que lhe vem da Sua proximidade, da Sua unidade, da Sua coerência de vida! A Sua Palavra é eficaz e os Seus gestos são eloquentes. Jesus é o que diz. Ele faz ao dizer. Ele fala ao fazer. Ele enfrenta e afronta o mal pela sua raiz. Jesus liberta-nos do pecado que nos divide. No fulgor da luz deste Deus Santo, reconheçamos a nossa face negra, as sombrias regiões dos nossos pecados, sobretudo os de incoerência e de desobediência à Palavra de Deus.