Liturgia e Homilias na Solenidade de Nossa Senhora da Conceição 2025
Destaque

Todos esperam por Ti. Abre-nos caminhos de esperança”. Com este lema, continuamos a percorrer o caminho, que nos conduzirá à celebração do Natal e à conclusão do Grande Jubileu. E nesta Solenidade da Imaculada Conceição, este grito “Todos esperam, por Ti, Senhor” também se volta para Maria: “Todos esperam por ti, ó Maria. Maria, todos esperam pelo teu «sim»”. O mundo inteiro esperava pela Sua resposta, que Maria, a cheia de graça, deu de modo inteiramente livre. Por isso, a grande e ditosa esperança tem um exemplo perfeito, uma testemunha singular: Maria Imaculada. Ela esperou com inefável amor a vinda do Salvador. E nós esperamos por dela que, pelo seu sim, o próprio Cristo, Esperança da nossa esperança.

 

HOMILIA NA SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO2025

 

Um rebento novo de um toco velho, a inesperada paz entre rivais e um caminho aberto no deserto, foram as três imagens da esperança que destacámos, na celebração do 2.º Domingo do Advento. Hoje, Solenidade da Imaculada Conceição, poderíamos continuar a abrir caminhos de esperança, a partir de outras imagens, que também são rebento, paraíso e vida. Todas estas imagens convergem na imagem de uma Mulher, Maria, de cuja descendência nasce o Messias!

1. Comecemos então pela 1.ª leitura. Ela fala-nos da nossa humanidade, desde as origens mais antigas. Fala-nos da nossa fragilidade estrutural. Da nossa inclinação nata para o mal. A cena do pecado original põe em evidência o fracasso da nossa liberdade humana, quando procuramos construir uma vida e uma história sem Deus ou até contra Ele, tomando-nos nós próprios como deuses e senhores da nossa vida e da vida dos outros. Daí surge todo um mundo de desentendimentos, desde logo, no seio do casal; daí advém a rutura na família e a violência entre irmãos, até chegarmos aos conflitos de poder entre nações. Todavia, precisamente no auge desta desgraça, escuta-se um primeiro anúncio de esperança, uma primeira promessa de salvação: o homem dará à mulher o nome de Eva. Quer dizer, ela tornar-se-á fonte de vida! E da descendência da Mulher – diz o texto – há de nascer o Messias, Aquele que esmagará o poder do Mal com a força do bem, da verdade, do amor. Esta é a nossa esperança: quando nos desviamos do caminho, quando perdemos a direção da vida, quando tudo parece sem remédio, Deus não desiste de nós. Deus refaz a rota e abre um novo caminho de esperança!  

2. E quem dá corpo a esta esperança? É Maria, chamada a ser mãe do Messias. Ao ser concebida, sem pecado original, sem qualquer sombra de pecado, Maria é, ela mesmo na sua Imaculada Conceição, o sinal de uma nova humanidade, redimida e salva pela graça de Cristo. A esperança da porta aberta do paraíso é Maria. É Ela, a Mulher prometida, de cuja descendência havia de nascer Aquele que esmaga e vence o mal, com o poder do Seu infinito amor.  Maria é, por isso, a nova Eva, a Mãe, em cujo seio o Espírito Santo gera o Autor da vida. Pelo seu «sim», Maria abre ao mundo a porta da esperança. Por isso, a humanidade inteira, como que esperava ansiosamente de Maria o seu «sim», para se abrir a porta da esperança. E, por isso, podemos dizer que, em cada «sim» a Deus, em cada «faça-se», em cada «sim» à vida, há um novo começo, brota um rebento, abre-se a porta da vida e da esperança!

3. Uma mulher grávida é sempre um sinal de esperança, de confiança na vida! Quando falta a esperança, perde-se o desejo de transmitir a vida. “Por causa dos ritmos frenéticos da vida, dos receios face ao futuro, da falta de garantias laborais e de adequada proteção social, de modelos sociais ditados mais pela procura do lucro do que pelo cuidado das relações humanas, assiste-se em vários países a uma preocupante queda da natalidade” (SNC 9). Observou há dias o Papa Leão XIV: “No mundo existe uma doença generalizada: a falta de confiança na vida! É como se nos tivéssemos resignado a uma fatalidade negativa, de renúncia. A vida corre o risco de não ser mais uma possibilidade recebida como dom, mas uma incógnita, quase uma ameaça, da qual é preciso proteger-se para não ficar desiludido. Por isso, a coragem de viver e de gerar vida é hoje um apelo mais urgente do que nunca” (Leão XIV, Audiência, 26.11.2025). Gerar, no amor e por amor, significa colaborar com o Criador, confiar no Deus da Vida, dar a vida a outrem (cf. Idem). “O desejo dos jovens de gerar novos filhos dá futuro a toda a sociedade e é uma questão de esperança: depende da esperança e gera esperança” (SNC 9). Por isso, enquanto há esperança há vida!

4. Ao convidarmos as grávidas para a celebração da bênção e ao destinarmos a oferta dos nossos presépios a crianças pobres (em Guifões, crianças apoiadas pelo Grupo de Ajuda Fraterna) ou institucionalizadas (na Senhora da Hora, crianças acompanhadas pela Casa do Caminho) nós queremos colaborar “numa aliança social, em prol da esperança” (SNC 9), que encha de crianças os nossos berços vazios.  O nosso coração se dirija para Maria, que trouxe ao mundo Deus eterno e Deus criança!  Também hoje, todos esperam por Ti, ó Maria, Senhora do Advento, Mãe da nossa esperança!

 

 

 

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