Liturgia e Homilia no II Domingo de Advento A 2016
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Com Maria e José, sonhar a alegria do Natal”! É este o nosso programa. E, a Palavra de Deus, neste domingo, convida-nos a examinar os frutos da nossa “árvore dos sonhos”, pois toda «a árvore se conhece pelos frutos» (Lc 6,44). E João Batista avisa-nos: “Toda a árvore que não dá fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mt 3,10). Mantém-se, todavia e sempre, no coração de Deus, o sonho e a esperança de que, donde e quando menos se espera, “sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes” (Is 11,1-10)

Homilia no II Domingo do Advento A 2016

A árvore dos sonhos

 

1. Com Maria e José, sonhar a alegria do Natal”. Pois, pelo sonho é que vamos! E, neste domingo, o sonho de Deus, o sonho de uma humanidade reconciliada no amor e na paz, o sonho de uma única família humana, governada pela candura e ternura de um Menino, desenha-se a partir de uma árvore! Chamemos-lhe a árvore de Natal, a “árvore dos sonhos”, que Isaías nos oferece na primeira leitura: “Naquele dia sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes. Nesse dia a raiz de Jessé brotará como bandeira dos povos” (cf. Is 11,1-10). Jessé era o pai do rei David, a cuja descendência foi prometido o Messias.

2. Curiosamente, nas diversas representações da árvore de Jessé, este é representado quase sempre na posição de quem dorme um sono e sonha um futuro. Na verdade,“toda a mãe e todo o pai sonharam o seu filho durante nove meses. Sonharam como seria aquele filho” (AL 169). Os filhos são filhos dos nossos sonhos, mas são acolhidos como um “fruto” e não um “produto”, como uma “dádiva e não como uma dívida” (AL 81). Porque, antes de tudo, eles são fruto de um pensamento amoroso de Deus, fruto da infinita «fantasia» do Criador, ainda que guardando dentro de si a marca fisiológica dos pais.

3. Escreveu um poeta libanês: “Os vossos filhos não são vossos filhos: são filhos e filhas do chamamento da própria Vida. Vêm por vosso meio mas não de vós; e apesar de estarem convosco, não vos pertencem” (K. Gibran). E acrescenta o Papa: “Não é importante se esta nova vida te será útil ou não, se possui características que te agradam ou não, se corresponde ou não aos teus projetos e sonhos. Porque «os filhos são uma dádiva! Cada um é único e irrepetível (...). Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito ou porque é deste modo ou daquele, mas porque é filho! Não porque pensa como eu nem porque encarna as minhas aspirações. Um filho é um filho»”(AL 170).

4.  Deste modo, havemos de reconhecer: os filhos são sonhados pelos pais, mas eles próprios têm os seus sonhos! Cabe aos pais, não projetar nos filhos sonhos antigos não realizados, mas comprometerem-se com todas as forças, para fazerem brilhar os sonhos, valores e capacidades dos próprios filhos; cabe igualmente aos pais estarem prontos – como Maria e José – a aceitar o caminho que os filhos tomarem, porventura diferente do sonhado por eles. Cabe ainda aos pais realizarem o seu dever de guias e educadores, em direção ao sonho dos filhos, sabendo que os filhos não são apenas “resultado dos nossos esforços”. São eles mesmos, na sua singularidade, liberdade e responsabilidade. “Podeis dar-lhes o vosso amor; mas não os vossos pensamentos, porque eles têm pensamentos próprios” (K. Gibran).

5.  Durante esta semana, perguntemos aos nossos filhos sobre os seus sonhos. E os filhos perguntem aos pais, como foram sonhados por eles. E perguntemo-nos, claramente, diante de Deus, que nos sonha eternamente:

Que filhos sonhamos durante nove meses? Como os sonhamos?

Somos capazes de guiar os nossos filhos nos seus próprios sonhos?

Se é verdade que toda«a árvore se conhece pelos frutos» (Lc 6,44), aárvore da nossa família dá fruto (Mt 3,1-12)? Dá muito fruto a minha comunidade? Que frutos de paciência, de acolhimento, de generosidade, desejaria para a minha família ou para a minha comunidade?

 

           Vamos lá, sonhar a família e em família, a alegria do Natal. Pelo sonho é que vamos!

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