Liturgia e Homilias no VI Domingo Comum A 2026
Destaque

Subimos, uma vez mais, à montanha, para escutar a Palavra de Jesus e acolher a Sua presença no meio de nós. Continuamos a escutar o longo ensinamento de Jesus aos Seus discípulos, no chamado Sermão da Montanha. A Palavra de Deus, desde a 1.ª leitura, põe-nos hoje diante de escolhas: “o fogo e a água, o bem e o mal, a vida e a morte” e podíamos dizer o amor próprio ou o amor ao próximo. “O que cada um escolher, isso lhe será dado” (Sir 15,17).

Homilia no VI Domingo Comum A 2026

 

«Sim, sim; não, não»! Do princípio ao fim, é assim a linguagem do Sermão da Montanha! O que foi dito, pela Lei, aos antigos, permanece sempre válido. E Jesus não retira uma vírgula sequer. Para Jesus, os dez mandamentos refletem a sabedoria de Deus e são um instrumento de garantia da nossa liberdade. Mas Jesus também acrescenta que não basta cumprir exteriormente o mínimo da Lei. Jesus pede-nos o máximo do amor.  Fixemo-nos, apenas, em três exigências máximas do amor, a partir dos mandamentos, que nos protegem do homicídio, do adultério e do falso juramento.

1. Primeiro, Jesus leva às últimas consequências o 5.º mandamento da antiga lei: «não matarás». Às vezes, escuto aquela ladainha: “Padre, eu não matei, não roubei, não fiz mal a ninguém”, como se a pessoa me dissesse: “Porto-me bem”. Este é um tipo de observância formal dos mandamentos, que se contenta com o mínimo indispensável, enquanto Jesus nos convida ao máximo possível. Na verdade, Jesus vai mais longe: «Não matar» não é apenas não praticar o homicídio ou não atentar o suicídio. Quem odeia o seu irmão é um homicida (1 Jo 3,15): também a ira e a raiva, a indiferença ou o desprezo pelo outro, a maledicência e a difamação, o mexerico e a calúnia, são armas de destruição maciça, que matam verdadeiramente. Vejam como hoje o insulto, nas relações pessoais e nas redes sociais, é quase tão banal como um “bom dia”. Ora, quem insulta o irmão, mata-o no seu próprio coração! Certamente, estas palavras injuriosas, não têm a mesma gravidade e culpabilidade do assassínio, mas revelam a mesma maldade. “Não matar” não nos exige apenas depor as armas da violência, mas implica entrar na luta pelo cuidado e pela defesa da vida e da sua dignidade inviolável.

2. Segundo, Jesus leva às últimas consequências os 6.º, 9.º e 10.º mandamentos da antiga lei, sobre a castidade, que protegem a verdade do amor. E aqui Jesus vai à raiz do pecado. Ele sabe que o mal lança raízes no coração. Do coração partem as boas e as más intenções, as boas e as más ações. A este propósito, Jesus fala do adultério. No seu tempo, o adultério era considerado uma violação do direito de propriedade do homem sobre a mulher. Ora, Jesus vai bem mais longe. Assim como se chega ao homicídio por meio de injúrias, ofensas e insultos, também se chega ao adultério, mediante intenções e desejos de posse em relação à mulher – e podíamos dizer – em relação ao marido de outrem. O adultério, como o furto, a corrupção e todos os outros pecados, são concebidos primeiro no íntimo e, depois de o coração ter feito a escolha errada, ganham forma num comportamento concreto. Portanto, quem olha para a mulher ou para o homem, com sentimentos de posse, como um produto de consumo, abriu no seu coração o caminho para o adultério. O coração humano tem de estar de sobreaviso para salvaguardar sempre a verdade do amor e o amor de verdade.

3.Por último, Jesus toma o oitavo mandamento, para não conceder qualquer espaço à mentira, à ambiguidade, à falsidade. Jesus diz aos seus discípulos para não jurar, pois o juramento é sinal da insegurança e da duplicidade. Pelo contrário, somos chamados a instaurar entre nós um clima de clareza e de confiança recíproca, para que possamos ser considerados sinceros, sem recorrer a intervenções superiores, para sermos credíveis. A desconfiança e a suspeita recíproca ameaçam as relações humanas! Não resvalemos para a mentira, nem cedamos tampouco à mentirinha piedosa! Num mundo poluído de «fake news», cultivemos a verdade, a lealdade e a transparência total na nossa linguagem: “sim, sim; não, não”. Não há aqui lugar para o nim, nem para a ambiguidade do assim-assim. Não há meias-verdades.

Queridos irmãos e irmãs: estamos às portas da Quaresma, em que iniciaremos um percurso de abertura dos cinco sentidos, tendo em vista a abertura do coração, que é preciso vigiar, limpar e cuidar, pois é aí que tudo se decide! Que o nosso coração, feito para o amor, feito para amar, se deixe amar por Deus, para que se abra à medida do Seu amor, isto é, ao amor sem medida. Amemo-nos uns aos outros! Porque “quem ama cumpre toda a Lei” (Rm 13,8)!

 

 

 

 

 

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