Liturgia e Homilias no V Domingo Comum A 2026

Jesus olha para nós, aqui reunidos à Sua volta. E diz-nos quem somos e o que espera de nós! «Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo». Parece-nos um exagero! Mas Jesus acredita em nós. Mesmo pequenos e pobres, podemos transformar a Terra e iluminar o mundo!Chamados a ser sal da terra, reconhecemos que muitas vezes perdemos o gosto e a alegria de sermos cristãos. Chamados a ser luz do mundo, nós reconhecemos que muitas vezes esta luz não irradia, mas se esconde ou se apaga. 

HOMILIA NO V DOMINGO COMUM A 2026

Sal da terra e luz do mundo.Duas imagens tão diversas, mas com muito em comum.

1. Primeira imagem: o sal da terra.O sal serve de condimento, dá gosto e sabor aos alimentos. O sal purifica, eliminando impurezas. O sal preserva as carnes da corrupção. O sal cura as feridas mais profundas! Com o sal - diz a Bíblia - selavam-se os compromissos mais solenes (cfr. Nm 18,19; 2 Cr 13,5)! Na antiguidade, o sal era de grande valor. Chegou mesmo a ser moeda de troca e de pagamento. Ainda hoje usamos esta palavra «salário». Nesta perspetiva, ser sal, para o discípulo de Jesus, significa dar um novo sabor à vida com a alegria e a beleza do Evangelho, ser fiel à palavra dada, combater sem tréguas os germes e vermes da corrupção, resistir à degradação moral, dar testemunho da honestidade e da fraternidade, sem ceder às lógicas podres do poder e da riqueza. E há tanta necessidade deste sal!

Ser sal da Terra é também lutar por curar a ferida aberta no nosso Planeta.Numa reportagem sobre os efeitos da tempestade Kristin, um homem dizia: «É uma ferida aberta!» E uma mulher perguntava: «Porquê? Porquê? Não é justo!». Eleva-se, por assim dizer, o «grito da Terra». Bem o denunciou o Papa Francisco: «Esta Terra clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano, ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que “geme e sofre as dores do parto” (Rm 8, 22)» (LS 2). Ser sal da Terra significa, por isso, dispor-se a curar as feridas, provocadas pela nossa ganância e pela nossa violência sobre a Terra que devíamos cuidar e ajardinar com amor. Será preciso um comboio de tempestades, para nos acordar para a urgência de estilos de vida, que respeitem a Terra, nossa Casa Comum?!

2. A segunda imagem: a luz do mundo».A luz dissipa a escuridão e permite ver. Jesus é a luz que dissipou as trevas, mas elas ainda permanecem no mundo e nas pessoas. Uma das maiores dificuldades, no contexto da tempestade Kristin, é a falta de luz, para ver e aquecer, é a falta de energia, para mover as máquinas. Nesta perspetiva, podemos dizer que um mundo sem a Luz de Cristo, é também um mundo às escuras, um mundo sem luz, sem energia. É tarefa do cristão fazer resplandecer a luz de Cristo, não a minha luz, não a minha foto de propaganda, mas a luz de Jesus! A irradiação desta luz pode advir das nossas palavras, mas deve brotar principalmente das nossas «boas obras». Como levar hoje esta luz de Cristo às populações afetadas pela tempestade Kristin? A palavra de Isaías não podia ser mais prática e oportuna: “Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva a roupa a quem viste andar despido e não voltes as costas ao teu semelhante. Então, a tua luz despontará como a aurora, e as tuas chagas não tardarão a sarar (…)” (Is 58, 7-10).Acende-se uma luz de esperança e de presença, no meio da tempestade, com esta onda de solidariedade, com numerosos voluntários, inclusive crianças e idosos, a procederem à limpeza dos destroços nas ruas e a darem apoio nos armazéns na distribuição de bens essenciais. Tocados por todos os gestos de magnanimidade, ajudemos, da forma que nos for possível, como gostaríamos de ser ajudados!  

3. Irmãos: o sal e a luz têm isto em comum: são para os outros. O sal não se tempera a si mesmo e a luz não se ilumina a si própria. O sal aumenta à medida que se espalha! E uma luz que não se apega, também se apagará. Assim, fica claro: um cristão, ou uma Igreja, isolada do mundo, que quer se do céu sem pisar a Terra, não pode ser, nem sal da terra, nem luz do mundo.É na terra e no mundo, que o cristão deve ser sal e luz. Como vimos e ouvimos, tantas vezes, ao longo destes dias, na sequência da tempestade Kristine, o que é preciso é ir ao terreno, entrar na terra e no mundo das pessoas, que precisam de cristãos «todo-o-terreno», para curar a dor das feridas com o bálsamo do amor, depois da tempestade!

 

 

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