HOMILIA NO 2.º DOMINGO DO ADVENTO A 2025
A abrir caminhos de esperança, a Palavra de Deus oferece-nos três belas imagens dessa grande virtude: a de um rebento, a de um paraíso animal e a de um caminho aberto no deserto!
1.“Sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes” (cf. Is 11, 1). O rebento que brota de um toco velho, do velho Jessé, que era o pai do Rei David (1 Sam 16), sepultado há seculos, torna-se uma bela imagem da esperança. Onde parecia não haver vida, naquele toco caído da árvore, brotará um rebento; a vida brota a partir daquilo que estava esquecido, abandonado, descartado. Jesus, novo David, é a Esperança de Israel que se cumpre: é o Rebento que brota do tronco de Jessé (cf. Is 11, 1), o «rebento justo», destinado a reinar como verdadeiro rei, que sabe exercer o direito e a justiça (cf. Jr 23, 5; 33, 15). Deus abre caminhos novos, novas oportunidades, ali e quando nós pensávamos não haver nada a fazer.
2.Cheia de esperança, é também a imagem inverosímil dos cinco pares de animais, cinco ferozes e cinco pacíficos, que hão de morar, dormir, pasta, comer e brincar juntos, numa espécie de paraíso animal! Não se trata da imagem saudosista do tempo dos dinossauros, mas esta imagem é a expressão poética do sonho de um futuro de paz universal! Os poderosos que fazem violência ao mais frágeis converter-se-ão à convivência pacífica e fraterna, sob a liderança de um menino! Avista-se já daqui o Menino de Belém, Príncipe da Paz! Deus abre-nos sempre clarões de esperança, ali e quando o mal parece vencer e prevalecer (cf. Gn, 3,15)! Esta certeza leva-nos, por isso, a não desesperar, a olhar para o futuro com confiança, pois “o Deus de Jesus Cristo faz novas todas as coisas (Ap 21,5):novas as nossas relações, novos os nossos modos de ser e de agir!
3.A figura de João Batista, a pregar no deserto, é também uma imagem da esperança. Precisamente aí, nesse lugar de morte e de pecado, há uma voz e há um caminho aberto: Deus fala e abre uma estrada de salvação, uma estrada com saída para o futuro. Mas a figura de João Batista ensina-nos, com todo o realismo, que esta esperança se conjuga com a conversão, com o nosso regresso a Deus, com uma mudança de direção.É uma mudança – esta a que Deus sonha – na qual afinal estamos todos implicados: dela somos todos destinatários e atores. Por isso, o apelo de João Batista é muito assertivo: não interessam apenas boas intenções: «Praticai ações que se conformem à conversão». Os ideais e os sonhos de um mundo novo, de um mundo de paz, de um mundo fraterno, não se realizarão sem a transformação da nossa hostilidade em hospitalidade (acolhimento em vez de exclusão), da nossa violência em ternura (mansidão em vez de vingança), da nossa impaciência em esperança (serena espera em vez de pressa ansiosa). É que ambos, o lobo devorador e o manso cordeiro, a cobra e o menino, coabitam e lutam dentro de nós. Quem vencerá? Vencerá aquele que nós alimentarmos! Alimentemos os mesmos sentimentos que há em Cristo Jesus, mantendo-nos unidos de alma e coração! Não há nenhuma esperança realista, sem uma mudança efetiva das pedras em filhos de Abraão, isto é, dos inimigos em irmãos!
4.Irmãos e irmãs: a esperança dá-nos sempre uma visão de futuro. Neste Advento, e na reta final do Jubileu de 2025, avancemos juntos, “por caminhos de esperança”. Escolhamosaquilo que tem futuro. Onde não houver futuro, não nos demoremos, nem percamos tempo e energias. Sejamos capazes de avançar, de dar pequenos e grandes passos, que façam a diferença, que transformem as nossas relações humanas e que concretizem aquela mudança, por que tanto esperamos!
5.Interroguemo-nos, pois:Que mudanças espero ver à minha volta, em casa, na Igreja e no mundo, que possam começar em mim e por mim? Qual o caminho de esperança que é urgente abrir, para mudar o meu mundo e o nosso mundo?Sinto-me ator e destinatário dessa mudança?
Lembra-te disto: começa em ti e por ti, a mudança, que mais esperas.