Celebramos o 5.º Domingo da Quaresma. E o Evangelho de hoje fala-nos da Ressurreição de Lázaro. A Ressurreição de Lázaro é o último dos sete sinais de Jesus. É o sinal mais próximo, é anúncio e prenúncio da morte e ressurreição de Jesus. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos os sentidos do ouvido, do paladar e da visão, somos desafiados, nesta 5.ª semana da Quaresma, a desenvolver o sentido do tato. Aprendamos a tocar, com ternura, a carne de Cristo, em cada pessoa, e sobretudo na pessoa dos mais frágeis, dos doentes, dos pobres, dos sós.

Celebramos o IV Domingo da Quaresma. Diante de nós, permanece o apelo fundamental da nossa caminhada: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos o sentido do ouvido e do paladar, somos desafiados, neste 4.ª semana da Quaresma, a abrir os olhos, a aclarar e ampliar o sentido da visão, para aprendermos a ver Jesus e a ver com os olhos de Jesus. O encontro de Jesus com o cego de nascença quer abrir os nossos olhos.

Celebramos o III Domingo da Quaresma. Diante de nós, permanece o apelo fundamental: “Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido, um caminho com sentidos”. Depois de afinarmos o sentido do ouvido, ao longo da passada, a partir de hoje, nesta terceira semana, somos desafiados, a apurar o sentido do gosto, do paladar, para aprendermos a saborear. Aprendermos a saborear não apenas o que comemos e bebemos. Mas a saborear sobretudo o que pode saciar a nossa fome e nossa sede de Deus, a nossa fome e a nossa sede de um sentido para a vida. O encontro de Jesus com a Samaritana quer despertar em nós essa fome e essa sede de Deus.

No alto do Monte Santo do Tabor, Jesus oferece aos seus mais íntimos amigos, uma visão antecipada da sua Páscoa gloriosa. Essa é a meta, esse é o sentido último do nosso caminho quaresmal. Mas a voz de Deus Pai, no contexto desta visão, convida-nos sobretudo a escutar o Seu Filho: «Escutai-O». Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo e mais discreto do que a vista” (Papa Francisco, Mensagem DMCS 2022). Na Bíblia, o sentido da audição é mais valorizado que o da visão. Por isso o mandamento que precede todos os mandamentos é o da escuta: «Escuta, Israel» (Dt 6,4). Valorizemos, nesta celebração, o sentido da audição, o ouvido, o silêncio, para que a nossa fé brote da escuta (Rm 10, 17) e seja resposta à Palavra de Deus, que se faz ouvir na Palavra de Seu Filho muito amado.

“Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido/um caminho com sentidos”.Este é o lema pastoral, que marca o nosso caminho de regresso do coração a Deus, pelo acesso livre de Deus ao nosso coração. E fazemo-lo por meio de todos os nossos sentidos. Os cinco sentidos, abertos e transfigurados por Cristo, tornam-se portas abertas, para acolher a vida nova da Páscoa do Senhor. Abrir os sentidos é abrir, a partir deles, fendas, portas e janelas, no coração! O jejum, que acompanha a experiência de Jesus, no deserto, abre uma brecha, em nós, para escutarmos a Palavra, saborearmos o Pão eucarístico, contemplarmos o Senhor e deixarmo-nos tocar pelo Seu amor.

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