Liturgia e Homilias no II Domingo da Quaresma C 2019
Destaque

Depois do cais de embarque (no 1.º dia) e do cais de partida (na 1.ª semana da Quaresma), hoje é o dia de subir ao miradouro, de respirar o ar fresco e puro da montanha, de contemplar as estrelas, de elevar os corações às alturas da Pátria celeste. Com Pedro, Tiago e João, queremos extasiar-nos perante a luz que irradia do rosto de Cristo, Crucificado e Ressuscitado. Entremos, sem medo, na espessura da nuvem, como outrora Jonas, no ventre do monstro marinho, e escutemos a Palavra do Filho, que o Pai nos oferece como aliança nova e eterna.

Homilia no II Domingo da Quaresma C 2019

1. Hoje é o dia de subir ao miradouro, de respirar o ar fresco e puro da montanha, de contemplar as estrelas, de elevar os corações às alturas da Pátria celeste! Com Pedro, Tiago e João, queremos extasiar-nos, perante a luz que irradia do rosto de Cristo, Crucificado e Ressuscitado! A transfiguração de Jesus, no caminho para Jerusalém, oferece aos discípulos, aos mais íntimos de Jesus, a antevisão da meta, a outra face do rosto de Cristo! Eles hão de assustar-se e adormecer perante o rosto agoniado de Jesus, no Monte das Oliveiras (cf. Lc 22,39-46), e hão de escandalizar-se depois com o rosto desfigurado na Cruz. É então preciso que se deixem agora iluminar pela outra face deste rosto: o rosto luminoso e glorioso do Ressuscitado. Jesus fá-los subir ao alto, não para os poupar à Cruz, mas para alcançarem estavisão completa do mistério pascal, porque “só do alto da esperança vemos nós a vida toda”, como escreveu Fernando Pessoa, com tanta graça: “Do alto da torre da igreja / Vê-se o campo todo em roda. / Só do alto da esperança / Vemos nós a vida toda”. É por isso que chamamos a este cais, donde subimos, com Jesus, ao monte da transfiguração, o cais do miradouro! Terra à vista! O Céu, a nossa Terra prometida!

2. E como podemos também nós desfrutar desta nova visão? Entrando na espessura da nuvem, como outrora Jonas, no ventre do monstro marinho, para escutar a Palavra do Filho, o seu Eleito. Apurando os ouvidos, escutando-O, os discípulos aprendem, com Jesus, a rezar, e assim, a participar na visão de Deus. Eles passam do falar insensato, como o de Pedro, que «não sabia o que estava a dizer» (Lc 9,33), à escuta («Escutai-O» - Lc 9,35)e, por fim, ao silêncio: «Os discípulos guardaram silêncio e a ninguém contaram nada» (Lc 9,36). É o silêncio que guarda o mistério do acontecimento a que assistiram. A oração é experiência de escuta, de intimidade, de conversação, de comunhão e familiaridade com Deus. A Palavra de Deus, escutada e visionada em Jesus, transmite luz e ilumina quem a escuta. A oração orienta as decisões existenciais e fortalece o próprio Jesus e os discípulos, para enfrentar a solidão e a hostilidade dos homens. A oração não é uma fuga para trás, como a do profeta Jonas, que desceu ao porão do navio e só queria dormir, para se proteger e isolar da comunicação com os outros, para não enfrentar a vida; depois, dentro do monstro marinho, Jonas como que regressa ao ventre da mãe e ali reza, suplica, confia e agradece. Mas Jonas não pôde ficar ali mais do que três dias; acabou por ser projetado para terra firme, em Nínive, precisamente o destino donde fugira. A oração não é, tão-pouco, uma fuga para a frente, como a de Pedro, que dentro da nuvem se sente como peixe na água, e também ele preferia ficar ali a descer à realidade nua e crua da cruz da vida. Em todo o caso, não é possível construir uma tenda ou uma casa para Deus. Pelo contrário, é necessário entrar na Palavra das Escrituras e deixar-se habitar pelo Espírito, para escutar o Senhor e entrar em comunhão com Ele. Escutar quer dizer deixar que outro habite em nós, fazer-se morada do outro.

3. O que acontece a Jonas, depois da oração no ventre do monstro marinho? Regressa a terra firme. Deus salva-o para fazer dele um instrumento involuntário da salvação dos pagãos. O que acontece aos discípulos depois da transfiguração? Descem do miradouro, para seguir Cristo, que os vai guiar na escalada ao monte maior da Sua e da nossa Páscoa.

 

4. E o que nos deve acontecer a nós, depois da consolação deste encontro, neste mistério luminoso da Eucaristia? Desçamos “do alto da torre da igreja” aos muitos abismos da solidão, da noite escura, da tristeza, do luto, da carne ferida, da alma sombria, em tantas pessoas, que precisam da nossa escuta e da nossa companhia, para transfigurar o seu rosto triste num rosto luminoso e sorridente. Desçamos até eles, que afinal Jesus já lá está (cf. GE 135). Ele é o nosso Sol, a nossa Estrela Polar, a nossa bússola. Com Ele e só com Ele, chegaremos a bom porto!

 

Homilia (mais breve) no II Domingo da Quaresma C 2019

 

1. Hoje é o dia de subir ao miradouro! Com Pedro, Tiago e João, queremos extasiar-nos, perante a luz que irradia do rosto de Cristo, Crucificado e Ressuscitado! A transfiguração de Jesus, no caminho para Jerusalém, oferece aos discípulos, aos mais íntimos de Jesus, a antevisão da meta, a outra face do rosto de Cristo: o rosto luminoso e glorioso do Ressuscitado. Jesus fá-los subir ao alto, não para os poupar à Cruz, mas para alcançarem estavisão completa do mistério pascal, porque “só do alto da esperança vemos nós a vida toda”, como escreveu Fernando Pessoa. É por isso que chamamos a este cais, donde subimos, com Jesus, ao monte da transfiguração, o cais do miradouro! Terra à vista! O Céu, a nossa Terra prometida!

2. E como podemos também nós desfrutar desta nova visão? Entrando na espessura da nuvem, como outrora Jonas, no ventre do monstro marinho, para escutar a Palavra do Filho, o seu Eleito. Apurando os ouvidos, escutando-O, os discípulos aprendem, com Jesus, a rezar, e assim a participar na visão de Deus. A oração é experiência de escuta, de intimidade, de conversação, de comunhão e familiaridade com Deus. A Palavra de Deus, escutada e visionada em Jesus, transmite luz e ilumina quem a escuta. A oração não é uma fuga para trás, como a do profeta Jonas, que desceu ao porão do navio e só queria dormir, para se proteger e isolar da comunicação com os outros, para não enfrentar a vida; depois, dentro do monstro marinho, Jonas como que regressa ao ventre da mãe e ali reza, suplica, confia e agradece. Mas Jonas não pôde ficar ali mais do que três dias; acabou por ser projetado para terra firme, em Nínive, precisamente o destino donde fugira. A oração não é, tão-pouco, uma fuga para a frente, como a de Pedro, que dentro da nuvem se sente como peixe na água, e também ele preferia ficar ali a descer à realidade nua e crua da cruz da vida. A oração orienta as decisões existenciais e fortalece o próprio Jesus e os discípulos, para enfrentar a solidão e a hostilidade dos homens.

3. O que acontece a Jonas, depois da oração no ventre do monstro marinho? Regressa a terra firme. Deus salva-o para fazer dele um instrumento involuntário da salvação dos pagãos. O que acontece aos discípulos depois da transfiguração? Descem do miradouro, para seguir Cristo, que os vai guiar na escalada ao monte maior da Sua e da nossa Páscoa.

4. E o que nos deve acontecer a nós, depois da consolação deste encontro, neste mistério luminoso da Eucaristia? Desçamos “do alto da torre da igreja” aos muitos abismos da solidão, da noite escura, da tristeza, do luto, da carne ferida, da alma sombria, em tantas pessoas, que precisam da nossa escuta e da nossa companhia, para transfigurar o seu rosto triste num rosto luminoso e sorridente. Desçamos até eles, que afinal Jesus já lá está (cf. GE 135). Com Ele e só com Ele, chegaremos a bom porto!

 

 

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