Liturgia e Homilias no I Domingo da Quaresma A 2026
Destaque

“Abre-te. Da Quaresma à Páscoa, um caminho com sentido/um caminho com sentidos”.Este é o lema pastoral, que marca o nosso caminho de regresso do coração a Deus, pelo acesso livre de Deus ao nosso coração. E fazemo-lo por meio de todos os nossos sentidos. Os cinco sentidos, abertos e transfigurados por Cristo, tornam-se portas abertas, para acolher a vida nova da Páscoa do Senhor. Abrir os sentidos é abrir, a partir deles, fendas, portas e janelas, no coração! O jejum, que acompanha a experiência de Jesus, no deserto, abre uma brecha, em nós, para escutarmos a Palavra, saborearmos o Pão eucarístico, contemplarmos o Senhor e deixarmo-nos tocar pelo Seu amor.

Homilia do 1.º Domingo da Quaresma A 2026

Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome (Mt 4,2)

1.O antigo relato do pecado original coloca-nos diante de um limite, curiosamente sob a imagem de um fruto proibido de comer. Ora, o fruto proibido é o mais apetecido. Na origem da desobediência do ser humano está – podíamos dizer – o pecado da gula, essa loucura do ventre, que gera em nós a ilusão de poder absoluto, a ilusão de ter o rei na barriga, como se a nossa fome e a sede de vida, se saciassem num prato de comida! Muitas vezes, o ato de comer, de mastigar, de triturar, de devorar, é, inconscientemente, uma maneira de desafogar a nossa agressividade. O vício da gula faz-nos decair na nossa animalidade! Por isso, aquela ordem dada ao homem, desde o princípio, «não comerás», vem recordar-nos que há um limite, para que a pessoa se humanize e não se torne um devorador, um dominador, um predador. Em última instância, o jejum imposto desde o princípio vem recordar-nos que “nem só de pão vive o homem” (Mt 4,4; Dt 8,3). Cada vez que jejuamos, deve brotar em nós a interrogação: “De que vives tu? De quem é que te alimentas”? O homem não vive só de Pão, mas da Palavra Deus, que lhe dá um sentido, vive de um Pão que alimenta para a vida eterna. Por isso, privar-se do alimento, é dispor-se a ouvir Cristo, para se alimentar da sua Palavra. Não por acaso, Leão XIV liga a escuta e o jejum, como propostas desta Quaresma.

2.Jesus, no deserto, fez jejum, por 40 dias e chama-nos a fazer com ele e como ele a experiência da privação e da fome, para que Deus nos possa falar ao coração; chama-nos a esta privação, para purificar e elevar o desejo humano. O jejum reconduz-nos ao essencial, deixa-nos indefesos, confrontados com a nossa nudez, expõe a pobreza radical que habita cada ser humano. E, neste sentido, o jejum abre no coração uma fissura para Deus entrar na nossa vida e se tornar Ele mesmo a única fonte do alimento que sacia!

3.irmãos e irmãs: nesta Quaresma, propomo-nos superar a atrofia dos sentidos, para abrirmos, no nosso coração, acessos a Deus e assim nos voltarmos para Ele. Nesta primeira semana, redescubramos o valor do jejum, em vários sentidos:

§  Jejum da boca: disto já falamos; mas acrescentemos e pratiquemos o jejum da língua: abandonemos as palavras ofensivas “que atingem e ferem o nosso próximo” (MPQ2026).

§  Jejum dos ouvidos: jejuemos de ruídos distrativos, de notificações e mensagens constantes, de músicas que ensurdecem, para escutarmos mais e melhor a Palavra de Deus, pois “não jejua verdadeiramente quem não sabe alimentar-se da Palavra de Deus” (Santo Agostinho); deixemos de lado os auriculares, que nos isolam da vida diária, pela qual Deus nos interpela e fala. Afinemos os ouvidos, para “aumentar o espaço dado à voz do outro” (MPQ2026). Façamos orelhas moucas a palavras loucas. Escutemos a voz do silêncio, inclusive nas nossas celebrações.

§  Jejum dos olhos:jejuemos de imagens dispersas, para fixarmos os nossos olhos no Senhor. Desliguemos écrans, grandes e pequenos (da TV e do telemóvel, do tablet). Haja menos selfies. Protejamo-nos das falsas notícias, das imagens manipuladas pela inteligência artificial, da violência e da pornografia!

§  Jejum do toque:evitemos contactos desonestos, gestos possessivos e violentos.

§  Jejuemos do cheiroda corrupção, porque a corrupção cheira sempre a podre.

4.Tudo resumido, o mais importante é jejuar do pecado, para limpar e libertar o coração de tudo aquilo que o envenena. Todas estas formas de jejum sirvam para facilitar a oração e despertar no nosso coração “a fome e a sede de Deus; a fome e a sede de justiça” (MPQ2026), o sentido da partilha solidária. O fruto daquilo a que renunciamos deve transformar-se num contributo para ajudar quem jejua sempre! Pensemos: de que mais precisamos de jejuar? A quem vamos destinar o fruto da renúncia? Que o jejum nos “volte para Deus e se destine a fazer o bem” (MPQ2026)!

 

 

 

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