Liturgia e Homilias no XIII Domingo Comum C 2019
Destaque

Primeiro está o Senhor e por isso deixámos tudo para O seguir e responder ao Seu convite. Primeiro está o Senhor e por isso nada nos demoveu de sair de casa e vir ao Seu encontro. Levantámo-nos dos nossos afazeres e pusemo-nos a Caminho, sem nada opor ou antepor a Cristo. Ao iniciarmos esta celebração, assumimos a nossa condição de caminheiros da fé, de discípulos missionários, que seguem Jesus para onde quer que Ele vá e O anunciam com alegria, em cada dia.

Homilia no XIII Domingo Comum C 2019 – 1.ª versão

1. Bem nos apetecia, como aos discípulos, lançar fogo do céu sobre quem nos recusa hospedagem. Os mensageiros de Jesus atravessaram uma povoação de samaritanos, mas aquela gente não os quis receber. Porquê? O Evangelho di-lo claramente: “Porque ia a caminho de Jerusalém(Lc 9,53). Sabemos que judeus e samaritanos não se davam bem (Jo 4,9), tinham velhas quezílias, questões religiosas antigas que os separavam, que não valerá a pena aqui explicar em detalhe. O que nos importa realçar são estes dois extremos: a intolerância dos samaritanos, que não acolhem Jesus com os discípulos, por irem em direção à capital política e religiosa de Israel. E o fanatismo dos discípulos, que reagem à rejeição com a tentação totalitária de eliminar os seus inimigos. Curiosamente, esta povoação de samaritanos, mal vista e mal-amada, irá ser canonizada por Jesus, na parábola do bom samaritano (cf. Lc 10,25-37). E até uma mulher da Samaria terá lugar de destaque nas relações e revelações de Jesus (cf. Jo 4).

 

2. Este clima de rejeição, com motivações religiosas, políticas e sociais, está hoje ao “rubro” e veio ao de cima naquela triste imagem do emigrante salvadorenho e da sua filha Valeria Martínez, afogados no Rio Grande, na fronteira entre o México e os Estados Unidos. São emigrantes que perderam a vida a tentar escapar da guerra e da miséria. Esta imagem chocante volta a ser um símbolo da procura de uma vida melhor, mas cujo sonho terminou em tragédia. Essa imagem terrível reavivou-nos a memória daquela outra que correu o mundo, a de uma criança síria, Alan Kurdi, que faleceu há três anos no Mediterrâneo, cujo corpo deu à costa numa praia.

 

3. Os sinais de violência para com os imigrantes e refugiados são realmente muito preocupantes. Não podemos calar o abominável exemplo do governo italiano, “que fez uma lei que condena quem prestar auxílio aos náufragos do Mediterrâneo, essas vítimas que não sabem ao que vêm, porquanto apenas lhes acenaram com a fantasia de que, do outro lado do mar, há pão com fartura. Vítima dessa lei, para além de outros, é o nosso concidadão Miguel Duarte. Era tripulante do navio Iuventa, embarcação gloriosa, pois já salvou mais de 14 000 desses migrantes. Agora, sujeita-se a uma pena de prisão de vinte anos. Crime? Salvou da morte os que o Ministro do Interior, Salvini, desejaria ver morrer afogados(Dom Manuel Linda, Mensagem 38).

 

4. É terrível! “Precisamente, a partir da parábola do “bom samaritano” – diz o nosso Bispo em Mensagem recente – “o Ocidente foi interiorizando a obrigação de prestar ajuda, mesmo ao inimigo. E fizeram-se leis que obrigavam a tal. Agora, um governo que, como o juiz iníquo, “não teme a Deus nem respeita o homem” (Lc 18,4), impõe a obrigação de deixar morrer. Isto é, passamos do preceito moral da misericórdia à selvajaria decretada e à animalidade imposta pela força da lei. Neste momento grave, tem de se impor a força da convicção ou a alma mais profunda da cultura ocidental. E parece que já está a acontecer”. Perante isto, afirma ainda Dom Manuel Linda, “tem de se dar um verdadeiro «levantamento» de protesto, uma afirmação de revolta moral, uma indignação perante essa baixeza. E se for preciso, há que chegar à desobediência cívica. Mas, fundamentalmente, há que «levantar-se e partir apressadamente» para o serviço quotidiano do irmão. Demonstrando, assim, que a nossa cultura se opõe à dos líderes tiranos”. Não faz parte da cultura cristã excluir, rejeitar ou eliminar quem é diferente, sob pretexto de defender o cristianismo.

 

5. Não é, pois, com fogo sobre os inimigos que vamos resolver o problema. Mas com uma prática muito concreta de diálogo, de encontro, de inclusão, de acolhimento, de hospitalidade, de integração a quem chega de longe e nos procura, a quem é diferente, a todos os que, afinal, deixaram tudo e perderam a vida ao procurar encontrá-la. Seja qual for a sua terra, a sua religião! Que nos morda bem a nossa consciência a pergunta tão antiga e sempre nova de Deus, perante o crime de Caim: “Onde está o teu irmão? Que fizeste do teu irmão(Gn 4,9.10)?!

HOMILIA NO XIII DOMINGO COMUM C 2019 – 2.ª versão

1.Jesus tomou a firme resolução de se dirigir a Jerusalém(Lc 9,51)! Aceita, destemidamente, o desafio decisivo da Cruz. Doravante, Jesus segue em frente, sem que nada e ninguém O demova de cumprir a vontade do Pai e de realizar a Sua obra. Jesus é realmente um homem livre, um homem “resoluto”, decidido, que não empata nem hesita em dispor da Sua vida, para no-la dar livremente e até ao fim!

2. Mais ainda: Jesus exige dos Seus discípulos a mesma determinação e a mesma liberdade, a mesma resolução humilde, branda, convicta, tenaz. Diante d’Ele também é preciso decidir, conhecer os próprios limites, definir prioridades. Ele é o Senhor. Ele está primeiro. Para o discípulo, a divisa do caminho é simples e clara: Nada impor a Cristo! Nada antepor a Cristo. Nada sobrepor a Cristo! Muitas vezes vivemos a fé, no seguimento de Cristo, como algo a que daremos atenção se ainda nos sobrar algum tempo, se não houver outro compromisso mais importante na agenda. Quantas vezes ouvimos, dos mais pequenos aos mais adultos, frases como estas: “Vou à missa, quando posso”; “Irei à catequese, se não coincidir com o futebol”, ou “Irei à missa, desde que não tenha matéria para estudar” ou “Não posso ir, porque tenho uma festa de anos de um amigo”. Deus, que está acima de todas as coisas, deixa, assim, de ter o primeiro lugar na nossa vida e corre o risco de nem sequer ter lugar, no fim de todas as coisas.

3. Hoje, unimo-nos à profissão de fé dos nossos catequizandos, para dizer e decidir, com a consciência dos próprios limites: “Senhor, Tu és o primeiro. Senhor, quero seguir os Teus passos. Não apenas hoje, que estou entusiasmado. Não apenas numa etapa do meu caminho. Mas também amanhã e depois de amanhã, quero seguir-Te, Senhor, como Tu, dando a vida pelos outros, até ao fim”.

4. O tempo de férias, que se aproxima, é tentador para certas desculpas de mau recebedor, para esta espécie de fé a prazo e sob condição, desta fé sazonal, que surpreendentemente hiberna no verão. Ora, se há coisa que este tempo nos poderia dar é o sentido da gratidão e do reconhecimento a Deus, e da Sua viva afeição para connosco. Se há coisa que este tempo nos poderia proporcionar é a graça de responder e corresponder a Deus, oferecendo-Lhe o que Ele nos dá de graça: o próprio tempo. Mesmo que este não seja tempo de catequese, de encontros ou reuniões, é preciso agora – como nos lembra o provérbio chinês – não deixar crescer as ervas no caminho que nos leva ao encontro do amigo Jesus, na Eucaristia; no caminho que nos levanta e nos leva ao encontro dos outros, na liberdade de servir!

5. Irmãos e irmãs: como vedes, no caminho de Jesus, não há intervalos nem férias, há até imprevistos e rejeições, que nos ensinam a acolher quem é diferente por causa da sua terra, do credo, da raça ou religião. Parar, neste caminho, só mesmo para “abastecer”, só para nos fazer pensar, ponderar, escolher e definir a rota da própria vida! Seja qual for o tempo e o destino das nossas férias, para seguir Jesus é sempre precisa, em cada dia, uma determinada determinação, para dizer, com a voz, com o coração e com a vida inteira: “Jesus, Tu és o Caminho, o único Caminho de saída e com saída para a vida verdadeira. Senhor, Tu dás a Vida por mim. Quero seguir os Teus passos até ao fim”.

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