Liturgia e Homilia na Sexta-feira Santa 2026
Destaque

Cheira a Páscoa, no Jardim das Oliveiras e no Jardim onde Jesus é sepultado. O odor da morte anuncia o aroma da vida.O primeiro dia do Tríduo Pascal é o Dia da Paixão e Morte do Senhor, que celebramos hoje de modo solene. A celebração da Paixão tem hoje um expressivo reinício, com uma Procissão em absoluto silêncio e um gesto de prostração. O Presidente não fará qualquer Saudação, depois da prostração, porque, na verdade, todas as celebrações do Tríduo Pascal são uma só: começaram ontem com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor e só terminarão com as Vésperas na tarde do Domingo de Páscoa.  Pedimos a todos os presentes que, por favor, tanto quanto a saúde e o espaço lhes permitirem, imitem os ministros da celebração, ajoelhando-se quando eles se ajoelharem, e enquanto o Presidente se prostra. O silêncio de todos expressa a dor da Igreja-Esposa, pela perda do Seu Esposo. O espanto por um amor tão grande fecha a nossa boca no silêncio concentrado de todos os nossos sentidos. Façamos um profundo silêncio, para anunciar, invocar, adorar e comungar a Paixão e a Morte do Senhor.

HOMILIA NA CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR 2026

1.Odor da morte, odor da vida

Cheira a Páscoa, no Jardim das Oliveiras e no Jardim onde Jesus é sepultado.O Evangelho da Paixão, no princípio e no fim, coloca-nos, ao lado de Jesus, num jardim! Sugiro que sigamos Jesus, nestes passos, pelos jardins da Paixão, guiados sobretudo pelo sentido do olfato, para reconhecermos e exalarmos o cheiro da Páscoa, que uma dupla unção de perfumes nos traz à memória: na primeira unção, seis dias antes da Páscoa, temos o perfume de Maria, de Betânia. E, na última cena da Paixão, temos o perfume de Nicodemos! Estes perfumes denunciam o odor da morte e anunciam o odor da vida! Cheira a Páscoa.

2.O perfume de Maria de Betânia

Cheira a Páscoa.Recuemos seis dias antes da Páscoa! Maria de Betânia ungira os pés de Jesus, com perfume de nardo puro, de alto preço, o mais raro e apreciado perfume (cf. Jo 12,3). E foi o próprio Jesus que interpretou aquele gesto excessivo de Maria como uma preparação para o dia da sua sepultura (cf. Jo 12, 7). Na verdade, era comum entre os povos do Médio Oriente utilizar perfumes, para embalsamar o corpo dos defuntos. Pensemos, por exemplo, nas mulheres que, passado o sábado, compraram perfumes, para ir embalsamar o corpo morto de Jesus (Mc 16, 1). Mas o perfume que Maria derrama nos pés de Jesus tem um significado mais profundo. O nardo era visto como um dos perfumes do Paraíso. Pelo que, ao ungir com ele os pés de Jesus, Maria vê n’Ele a árvore do Paraíso, isto é, o próprio Messias, donde provêm todos os perfumes divinos! Na hora da Paixão, quando os maus odores dos cordeiros imolados eram suavizados pelos bons aromas dos perfumes, esta unção destinada à sepultura de Jesus, com perfume do paraíso, traz o aroma da vida. A mensagem clara: o verdadeiro sacrifício de agradável odor para Deus é o da entrega de Jesus por nós na Cruz! Este sim, cheira a Páscoa!

3.O perfume de Nicodemos

Cheira a Páscoa. Na última cena da Paixão, Nicodemos traz “cem libras de mirra e aloés” (Jo 19,39), mais de 30 quilogramas de perfume! Sabemos que os judeus tinham a tradição de perfumar os mortos, mas não com este esbanjamento! Com este gesto desmedido, excesso próprio do amor, Nicodemos parece dizer-nos: não se trata da sepultura de um homem vulgar, condenado à morte, mas da sepultura de um Rei divino, o Filho de Deus, que ressuscitará ao terceiro dia! À honra devida ao divino Rei não se poupam os perfumes! Na verdade, os egípcios queimavam grandes quantidades de perfumes, aquando da sepultura dos faraós e colocavam frascos de perfume nos túmulos. Segundo a crença egípcia, os perfumes acompanhavam os mortos na vida do além. Deste modo, o excesso de perfume de Nicodemos, para a unção do corpo morto de Jesus, anuncia já a sua Ressurreição. Cristo, nova árvore do Paraíso, exala o perfume da imortalidade e da incorruptibilidade. Cheira a Páscoa!

4.O perfume de Cristo

Cheira a Páscoa. Na Cruz, “Cristo amou-nos e entregou-Se por nós como oferta e sacrifício de agradável odor” (Ef 5,2). De agradável odor, porque é dom total de Si mesmo ao Pai pela Humanidade. Jesus, que dá a Vida, realiza o verdadeiro e definitivo sacrifício de louvor, com o perfume do amor.

5.O perfume dos cristãos

Por sua vez, em todos nós, deve exalar-se este perfume de Cristo! “Somos para Deus o bom odor de Cristo” (2 Cor 2,15). O odor é a nossa vida oferecida; esse é o dom que Deus aceita! É Cristo, em nós, que permite a oblação, que garante a oferta, que configura a nossa vida como um dom para os outros!  É por Cristo, com Cristo e em Cristo, que somos aquele agradável odor que sobe até Deus, como o incenso. É este perfume de Cristo Ressuscitado que o cristão está chamado a exalar à sua volta! Mais do que cordeiros imolados e sacrifícios perfumados, agrada a Deus o dom e o sacrifício da nossa vida, por amor dos irmãos!

 

6. Um odor perfumado

Irmãos e irmãs: quando visito doentes, em casa ou no hospital, e os vejo cuidados com tanto amor e primor, não trago comigo o cheiro incómodo das doenças, dos medicamentos e tratamentos. Persegue-me o cheiro do amor, de quem cuida e ama, de quem se entrega, pelo alto preço, de uma vida inteiramente oferecida aos outros! Por isso, qualquer gesto de entrega, de ajuda, de carícia, de cuidado amoroso, de perdão generoso, de compaixão ativa, de sacrifício pelos outros, leva e eleva “um odor perfumado, um sacrifício que Deus aceita e lhe é agradável” (Rm 12,1-2). Quando assim é, floresce nos jardins da nossa vida a frutuosa árvore da Cruz, árvore do Paraíso. Então, sim, cheira a Páscoa!

 

 

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