Liturgia e Homilias no XXII Domingo Comum B 2021
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Com o povo a banhos neste final de agosto, deixemos que seja a Palavra de Deus a lavar-nos a alma e a limpar-nos do contágio do mundo. Deixemos que seja Deus a purificar o coração, no encontro com o Seu amor. Pois é do coração que procedem todos os vícios que tornam o homem impuro. Depois de cinco domingos centrados no longo Discurso do Pão da Vida, retirado do 4.º Evangelho, retomamos, agora e neste domingo, a leitura do Evangelho segundo São Marcos, que nos guiará até ao final deste ciclo litúrgico. É a própria Palavra de Deus que insiste hoje no seu valor. Ouvir atentamente a Palavra, guardar interiormente a Palavra e levar à prática essa mesma Palavra de Deus, é o fio condutor dos textos que vamos ouvir. Escutemos então a Palavra de Deus. Acolhamo-la de coração puro!

HOMILIA NO XXII DOMINGO COMUM B 2021

1.O uso da máscara, a lavagem das mãos e o distanciamento físico foram práticas recomendadas e assumidas, com grandes custos humanos e sociais, nestes tempos duros de pandemia. Mas qualquer pessoa de bom senso percebe que tais práticas, não tendo obviamente qualquer fundamento religioso, têm uma boa justificação moral. As razões sanitárias ganham o seu verdadeiro sentido quando têm em vista atitudes humanitárias: a procura do bem próprio e do bem comum, o amor à vida e o amor ao próximo. No fundo, qualquer regra, qualquer preceito, qualquer prática (legal, religiosa ou moral) encontra sempre a sua razão de ser quando defende e promove a dignidade e a vida da pessoa humana, quando procura o bem do próximo e o bem comum. Fazê-lo por simples imposição legal, ou para evitar uma coima, é negar a grandeza humana dos pequenos gestos de amor.

2.Na prática de lavar as mãos e evitar contágios com os impuros, os judeus e os fariseus em geral eram muito escrupulosos, mesmo sem os riscos da pandemia. Diz o Evangelho que estes não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos e lavavam copos, jarras e vasilhas de cobre, não por razões de higiene, nem por causa do mandamento do amor, mas por apego cego à tradição dos antigos. Por isso, Jesus atira-lhes à cara o uso de uma máscara invisível, com que se disfarçam diante dos homens. A sua máscara é a hipocrisia. Eles dizem uma coisa e fazem outra. São uns por fora e outros por dentro. A sua pureza é apenas uma aparência exterior, porque o seu coração está cheio de vícios.É contra o uso dessa máscara, a máscara da mentira, que Jesus Se insurge, no Seu ensinamento. Porque o hipócrita é um mentiroso, não é autêntico.

3.Também hoje o Senhor nos convida a evitar o perigo de dar mais importância à forma do que à substância, à aparência do que à realidade, à lei do que ao amor. Exorta-nos a reconhecer aquele que é o verdadeiro centro da experiência de fé, ou seja, o amor de Deus e o amor do próximo, purificando-o da hipocrisia do legalismo e do ritualismo. Até a respeito da celebração da Eucaristia, há hoje quem se preocupe muito mais em regressar a uma transitória tradição dos antigos do que em voltar ao essencial do mandamento do Senhor: fazei isto em memória de mim. E fazer isto não é só celebrar a Missa. É oferecer-Se com(o) Ele. O apóstolo Tiago deixa claro que a verdadeira religião pura e sem mancha consiste em visitar os órfãos e as viúvas nos sofrimentos, sem se deixar contaminar por este mundo. Só as mãos sujas na prática do bem é que tornam puro o coração, eliminando dele o vírus contagioso da hipocrisia.

4.Não se deixar contaminar por este mundo não significa distanciar-se socialmente dos outros, pôr-se à margem ou acima dos outros, isolar-se e fechar-se à realidade, evitar o contacto com o sofrimento dos mais pobres e sós, como se fossem potenciais contaminadores ou criminosos sociais. Não. Significa vigiar para que o nosso modo de pensar e de agir não seja poluído pela mentalidade mundana, isto é, pela vaidade, pela avareza, pela soberba. Na realidade, quem vive desse modo e, ao mesmo tempo, se crê muito religioso, com direito a condenar os outros, esse é um hipócrita, mascarado dos pés à cabeça. Nas nossas comunidades todos sabemos quanto mal fazem e quanto escândalo provocam aqueles que se dizem cheios de fé, mas descuidam a família, falam mal dos outros, criam mau ambiente. É isto que Jesus condena.

5.Irmãos e irmãs: agora que já aprendemos a lavar as mãos com frequência, procuremos, sobretudo, purificar o coração na fonte pura da Palavra de Deus. Tenhamos mais pressa em deixar cair a máscara que oculta a nossa hipocrisia, do que a máscara que nos esconde o rosto. Guardemos o distanciamento físico com aquela proximidade do amor que verdadeiramente nos lava e nos salva.


 

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