Domingo de Ramos na Paixão do Senhor 2020 (Atualizado)
Destaque

No Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, Cristo é aclamado, na Sua entrada triunfal em Jerusalém, como Rei e Redentor. Porém, é no dom de Si mesmo na Cruz que a sua realeza se afirma e que se realiza a nossa redenção. A proposta para esta semana é esta: deixarmos Cristo reinar, tornando-Se Ele mesmo o rosto da nossa atração, o centro do nosso coração e da nossa vida. A oração de Bênção dos Ramos faz inclusão com a nossa proposta inicial e permanente nesta Quaresma: “para que permaneçamos unidos a Ele e demos fruto abundante de boas obras".

 

Homilia no Domingo de Ramos A 2020 | Transmissão pelo facebook

 

1. Estamos a iniciar a Semana Santa. E neste ano de 2020, todos os sinais visíveis e sensíveis, do mistério pascal, vivido com esplendor e beleza, na Liturgia da Igreja ou na piedade popular, estão como que suspensos, vedados à participação presencial do Povo de Deus: nem bênção dos ramos, nem procissão dos passos, nem lava-pés, nem o beijo à Cruz, nem a Vigília pascal, nem o compasso. O Mestre manda dizer, pelos seus discípulos, como outrora o fizera, para os preparativos da Última Ceia: “é em tua casa, que eu quero celebrar a Páscoa” (Mt 26,18). Este ano, não iremos entrar nas nossas Igrejas, para daí sair e encontrar Cristo no mundo. Nós estamos já, com Cristo, no meio do mundo, partilhando, nas mesmas condições de todos os outros seres humanos, a sua dor indistinta, o desamparo inelutável da solidão destes tempos de pandemia.

2. Esta suspensão da nossa participação nas celebrações da Semana Santa, este jejum litúrgico, só remediado pelas transmissões pela TV ou pela Net, dá expressão à suspensão do que há de melhor da nossa humanidade, e de que nos expropriaram, nesta pandemia: os afetos dos beijos e abraços proibidos; a impossibilidade de sair de casa a não ser em direção à fila do supermercado ou da farmácia.  Pensar que não podemos acompanhar os doentes, como até aqui o fazíamos, e que estão suspensos os funerais e as humaníssimas práticas do luto! Ou, então, como nestas poucas semanas, disparou o desemprego, a precariedade, a pobreza e a solidão. Parece que nos foi suspensa, cancelada, negada, confinada, confiscada, e até expropriada, a parte mais bela e sagrada da nossa humanidade. E toda esta renúncia, toda esta distância, todo este esvaziamento afetivo, todo este aniquilamento, há de ser, deve ser, da nossa parte, um ato de amor, para proteger o próximo do contágio maligno e salvar a vida dos irmãos.

3.Ora – queridos irmãos e irmãs – é neste “esvaziamento”, nesta “suspensão”, que nos encontramos realmente com o mistério da Cruz do Senhor. Esta confiscação da nossa existência humana é a condição vivida, na primeira pessoa por Jesus, por Aquele que foi suspenso na cruz.  São Paulo interpreta a Cruz de Cristo, como um aniquilamento: “Ele que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio” (Fl 2,6-7). Deus, em Jesus Crucificado, como que deixa “suspensa na Cruz” toda a Sua grandeza humana e divina, para se tornar solidário com a nossa solidão, para descer até aos abismos da nossa fragilidade. Suspenso na Cruz, também Jesus Se “retrai-”, por um momento, nos gestos e nos afetos; não realiza gestos miraculosos e abraça-nos, do alto, à distância, naqueles braços atados à Cruz. Esta suspensão de Cristo na Cruz não é um intervalo para apagar ou esquecer, é a prova maior do Seu amor, por nós. Mostra até onde Cristo é capaz de ir, para salvar a nossa vida. Este Cristo, traído e vendido, negado e abandonado, atado e manietado, insultado e despojado das vestes, está confinado na Sua Cruz, até gritar, por nós, dando voz ao nosso sentimento de abandono: “Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste” (Sl 22,2; Mt 27,46)?! Por isso, nenhuma dor, nenhum pranto, nenhum medo, nenhum confinamento humano lhe são verdadeiramente indiferentes.

Irmãos e irmãs: Não temos nada… mesmo nada… dos sinais tradicionais da Semana Santa.  Mas temos tudo, para fazermos desta Semana Santa a mais santa de todas as Semanas Santas. Em tudo o que está suspenso, está também o sinal de Cristo, suspenso da Cruz, e do Seu amor por mim, por nós, até ao fim.

 

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Ver propostas celebrativas, em família, para o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor - cf. anexos. 

 

Para os dias do Tríduo Pascal, ver propostas celebrativas: 

 

https://www.paroquiasenhoradahora.pt/index.php/noticias/item/1175-celebrar-a-pascoa-na-igreja-domestica-propostas-celebrativas

 

 

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