Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
A secção de Notícias & Artigos reúne informações atualizadas sobre a vida da paróquia, bem como reflexões, textos formativos e conteúdos de interesse para a comunidade.
Liturgia e Homilias na Comemoração de Fiéis Defuntos 2026

HOMILIA NA COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS 2026
1. É tao consoladora para nós esta imagem bíblica do pequeno grão de trigo, lançado à terra (cf. Jo 12,23). Ele morre para frutificar. Vede: um grão de trigo cabe na palma da mão. Parece quase nada. Mas traz consigo uma promessa fulgurante de vida: a espiga, os novos grãos, o pão que alimenta a vida! Para frutificar, precisa de descer à terra, de atravessar o escondimento da noite e de se desfazer da sua forma antiga. Se permanecer rigidamente fechado em si mesmo, fica só; mas se morrer, transformar-se-á e dará muito fruto. Jesus serve-Se desta bela imagem para falar de Si mesmo: da sua entrega, da sua morte e sepultura, e da vida que brota para nós, a partir da sua Ressurreição. É à luz da Sua Páscoa gloriosa que hoje olhamos com esperança, para aqueles que partiram antes de nós. Hoje queremos crer, esperar e amar, com estas palavras: a vida não acaba com a morte; a morte não acaba com a vida. “A vida não acaba, apenas se transforma” (Prefácio dos Defuntos 1)!
2. Entre o grão de trigo e a espiga há continuidade e há novidade! De um grão de trigo não nasce centeio! Mas quem olha para a espiga dificilmente reconhecerá nela a forma primitiva do pequeno grão lançado à terra. É a mesma vida que desabrocha agora de uma maneira nova! Esta imagem ajuda-nos a entrever o mistério da morte e da ressurreição: permaneceremos nós mesmos, mas transformados por Deus. A pessoa humana não perde a sua identidade, o seu rosto, a sua história única e pessoal; não se transformará numa planta ou num animal. Job — ainda sem conhecer Cristo — dá voz a esta esperança quando afirma: «na minha carne verei a Deus» (Jb 19,26). Lidas à luz de Cristo ressuscitado, estas palavras abrem-nos a uma esperança que abraça a pessoa inteira. «Na minha carne»: serei eu, e não outro em meu lugar, com a minha história, com os dons recebidos e as perdas sofridas. «Verei a Deus»: com tudo o que fui e sou, estarei no coração de Deus, inteiramente transformado pela força da Páscoa de Cristo!
3. Mas há uma diferença decisiva entre a imagem da semente e a nossa esperança na ressurreição: não é a morte natural, por si mesma, que nos dá a vida. É Cristo que nos faz viver para sempre! A vitória sobre a morte é um dom que recebemos por meio de Jesus Cristo. O amor que temos pelos que nos morreram é precioso; mas a garantia da vida eterna está no amor d’Aquele que morreu e ressuscitou por nós. A nossa esperança não assenta numa força da natureza que nos restitua à vida, mas nesse Amor, mais forte do que a morte. São Paulo diz-nos hoje: «todos seremos transformados» (1 Cor 15,52). E explica: é este nosso corpo mortal que se tornará imortal. Não seremos apagados, diluídos ou substituídos, nem confundidos com os elementos do ar, da terra ou da criação. Entre o corpo mortal e o corpo glorioso, como entre a semente e a espiga, permanece a mesma identidade pessoal. A novidade é a vida da ressurreição, recebida da Páscoa de Cristo, que florescerá e frutificará para sempre. Ressuscitados da morte, não regressaremos à vida de antigamente, sujeitos à doença, ao sofrimento e à morte. Seremos nós, sim, mas plenamente transformados pela vitória pascal de Cristo!
4. Irmãos e irmãs: somos um Povo que caminha. Percorremos o caminho do grão de trigo, seguindo Jesus, que nos convida a servi-Lo e nos promete com firmeza: «onde Eu estiver, aí estará também o meu servo» (Jo 12,26). Deus, que nos formou desde o seio materno, chama-nos a converter e a dar nova forma à nossa vida, segundo o Evangelho. Caminhar com Jesus é deixar que o amor dê fruto na nossa vida. Esta é a meta do nosso caminho: estar para sempre com Cristo. Não caminhamos para o nada, para o vazio, para um precipício. Não caminhamos para deixar de ser quem somos. Caminhamos para sermos plenamente nós, transformados pela vida nova que recebemos da Páscoa do Senhor.
5. Confiemos ao Senhor aqueles que partiram. Rezemos com eles e por eles. Professemos a nossa fé na Ressurreição. “Para quem crê em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma” (Prefácio dos Defuntos 1)!
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Liturgia e Homilias na Comemoração de Fiéis Defuntos 2026
Guião – Celebração da Palavra – Oração pelos defuntos (visita ao cemitério)
Página dos leitores na Comemoração de Fiéis Defuntos 2026
Dossier de Homilias na Comemoração de Fiéis Defuntos 1992-2026
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