Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
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Liturgia e Homilias na Solenidade de Todos os Santos 2026

HOMILIA NA SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS 2026
— Versão mais longa *
1. “Uma multidão imensa que ninguém podia contar! De todas as nações, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão” (Ap 7,9). Quão bela é esta assembleia de batizados, revestidos de túnicas brancas! Quão bela é esta imagem da Igreja, Povo de Deus, peregrino na história, que contempla já a meta final do seu caminho: a nova Jerusalém! Quão bela é esta imagem de uma Igreja sinodal, em que todos cantam e celebram juntos, em harmonia, a alegria da vitória pascal do Cordeiro imolado. Esta é a imagem de uma Igreja santa e sinodal, em que ninguém luta sozinho contra o mal ou alcança isolado a meta da santidade e da glória! A nossa santificação tem esta forma sinodal de Povo de Deus, em comunhão, porque é um caminho comunitário e não solitário, que percorremos juntos, por Cristo, com Cristo em Cristo!
2. Nesta Solenidade de Todos os Santos, em sintonia com o sínodo diocesano, convido-vos a reacender este ardor da santidade, a partir de três eixos fundamentais: formar, reformar e transformar.
2.1. Formar. Não se trata apenas de uma formação de tipo doutrinal, bíblica, litúrgica, espiritual e pastoral. Todas elas são urgentes e necessárias. Mas “formar” pede isso e muito mais do que isso. Formar, para um cristão, significa conformar-se, tornar-se conforme a Cristo. O grau de formação equivale ao da santidade. Na verdade, a plenitude da nossa formação é a nossa conformação a Cristo, a esse Cristo que se autorretrata nas Bem-aventuranças e que, por meio delas, nos dá a forma exata da nossa imagem e semelhança com Ele! Nós somos chamados a ser «conformes à imagem de seu Filho» (Rm 8,29). Portanto, ser santo não é simplesmente ser uma boa pessoa ou uma pessoa boa; é deixar que Jesus seja continuamente formado em nós (Gl 4,19). Perguntemo-nos: Vivo conforme a Cristo, identifico-me com Ele, num estilo de vida pobre e sóbrio, humilde e manso, compassivo e justo, puro e pacífico? Uma Igreja santa e sinodal é feita de homens e mulheres que deixam Cristo tomar forma neles. E também aqui, esta é uma formação conjunta, partilhada, em modo comunitário, pois todos nós “formamos um só Corpo em Cristo Jesus” (Rm 12,5; 1 Cor 12,27)!
2.2. Reformar. Ainda não se manifestou em nós tudo o que havemos de ser (1 Jo 3,2)! Somos um Povo a caminho! Nem tudo em nós tem a forma de Cristo! Pelo pecado, desfiguramos a imagem de Cristo em nós! Por isso, precisamos de deixar que Cristo reforme em nós aquilo que o pecado deformou. Esta “reforma” não resulta de uma mudança de métodos, estilos, estruturas. Reformar, para cada um, é voltar àquela forma original, com que Deus nos sonhou e moldou, chamando-nos a ser santos! Reformar, para a Igreja, é deixar-se moldar pela forma original, com que Cristo a enviou ao mundo. Este tipo de reforma não se faz por decreto. Acontece na medida da nossa conversão a Cristo e ao Seu Evangelho. A triste realidade do pecado na Igreja, isto é, em todos nós, convida cada um a efetuar uma séria mudança de vida. Não há reforma na Igreja sem esta conversão, sem a renovação da nossa vida pessoal e comunitária, para o nosso crescimento em santidade e graça. Neste sentido, dizia São João Paulo II, “os santos são os grandes reformadores da Igreja e do mundo”! Os santos, de facto, reformaram a Igreja, não elaborando planos para novas estruturas, mas renovando-se a si próprios. Por isso, a verdadeira reforma da Igreja começa quando eu próprio me deixo converter a Cristo. Reformar não significa inventar uma outra Igreja e começar de novo a partir de nós mesmos, mas permitir que a vida nova de Cristo purifique, reordene e transforme aquilo que, em nós e nas comunidades, há muito perdeu a forma e o sabor do Evangelho. É fácil perguntar, do lado de fora, «o que precisa de mudar na Igreja?» Os santos convidam-nos a perguntarmo-nos, a partir de dentro: «Senhor, o que precisa de mudar em mim, para que a tua Igreja seja mais santa?»
2.3. Transformar. Esta é a meta comum. Queremos uma Igreja santa e missionária, capaz de cumprir a sua missão no mundo, ao serviço do Reino. Ora, quando uma pessoa se deixa transformar por Cristo, começa também a transformar aquilo que está à sua volta! Foi assim com os santos. É assim connosco. Nada como a santidade de cada um de nós, para tornar a Igreja mais credível, no anúncio e na transmissão da fé. “Em todas as épocas, qualquer pessoa que se tenha deparado com o testemunho de um cristão exemplar foi estimulada a descobrir o segredo daquela vida tão particular e diferente da maioria de seus semelhantes” (Dicastério Doutrina da Fé, Venite ad Me, n.º 95). A presença e o testemunho dos santos transformaram a história. Sem os santos e as santas, a história do mundo seria imensamente mais pobre, ou seja, menos humana! O testemunho dos santos, comprometidos na transformação do mundo e da Igreja do seu tempo, recorda-nos a força transformadora da vitória pascal de Cristo.
3. Queridos irmãos e irmãs: rezemos, lutemos e trabalhemos, para que Cristo seja formado em nós (Gl 4,19), pois Deus quer-nos assim, santos, «conformes à imagem de seu Filho» (Rm 8,29), para sermos «transformados na sua imagem» (2 Cor 3,18). Deixemo-nos atrair por esta beleza da santidade e rezemos:
Senhor,
forma em nós o teu coração,
reforma o que o pecado deformou
e transforma a nossa vida pelo teu amor.
Ensina-nos a caminhar juntos,
para que a nossa vida
transpareça cada vez mais a Tua.
Ámen.
* Para a versão mais breve, consultar ficheiro,
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