Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
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Liturgia e Homilias na Solenidade da Santíssima Trindade A 2026

Homilia no Domingo da Santíssima Trindade – Ano A 2026
– forma mais longa
Magnífica Humanidade. Magnífica Trindade.
1. Magnífica Humanidade! Assim se refere o Papa Leão XIV ao olhar para a dignidade infinita da pessoa humana! De onde nos vem esta Magnífica Humanidade? Vem-nos da Magnífica Trindade, deste Deus do Amor e da Paz, que nos criou à sua imagem e semelhança (Gn 1, 26-27). O nosso Deus não é uma superpotência totalitária, mas uma omnipotência de amor, um amor interpessoal: o Pai gera eternamente o Filho no Amor; o Filho Amado é eternamente gerado pelo Pai, de Quem tudo recebe e a Quem tudo e todo Se entrega; o Espírito Santo é o laço deste Amor eterno entre o Pai e o Filho. Ele une as três pessoas divinas, sem as confundir, distingue-as sem as separar. O seu mistério de comunhão vive, desde toda a eternidade, de relações de doação, de recetividade, numa comunicação efusiva e difusiva do Amor.
2. Uma vez que somos criados à imagem e semelhança deste Deus trinitário, nós só nos realizaremos, humana e plenamente, na doação de nós mesmos e não no domínio dos outros; na cooperação solidária e não na competição individualista; na dependência amorosa e no reconhecimento dos outros e não no fechamento sobre nós mesmos, na relação com os outros e não no isolamento egoísta. Cada pessoa é, desde o mais profundo do seu ser, feita para a relação, é pensada e desejada por Deus, para entrar numa história de comunhão com Ele, com os outros e com a Criação. Deste modo, a infinita dignidade de cada pessoa humana não depende das capacidades que possui, das riquezas que tem, da função que desempenha, das escolhas que faz, da fragilidade a que está sujeita. A dignidade de cada pessoa é fruto do amor de Deus, que nunca falha (cf. MH 50). Nenhuma pessoa é um zero ou um erro de cálculo! Cada pessoa é fruto de um pensamento amoroso de Deus. Ser amado e amar é o ADN, a marca dos filhos de Deus!
3. É esta Magnífica Humanidade que importa salvaguardar, na era da inteligência artificial, para que o progresso tecnológico não faça regredir o coração humano, para que as máquinas são se sobreponham às pessoas! A pessoa humana distingue-se das máquinas, pela sua capacidade de relação, de diálogo, de sentimentos, de afetos, de comunhão. Por isso, nenhuma tecnologia pode substituir o encontro, a escuta, a amizade, a ternura, a responsabilidade de uns pelos outros. O poder da técnica e das novas tecnologias precisa de ser usado com sabedoria, para afirmar e defender a pessoa humana e não para a diminuir, destruir ou substituir; para estar ao serviço de todos e não apenas de alguns; ao serviço do bem comum, da justiça, da paz, do cuidado da nossa casa comum!
4. Que civilização queremos afinal construir? O Papa Leão usa duas imagens bíblicas (cf. MH 7-10): queremos construir orgulhosamente uma nova Torre de Babel (Gn 11, 1-9), onde dominam os mais poderosos, que impõem aos outros os seus interesses, uma única língua, uma única tecnologia, uma única direção? Ou queremos reconstruir, como Neemias (Ne 1-2), as muralhas de Jerusalém, com o esforço e a responsabilidade compartilhada de todos? A escolha não é entre um sim ou um não à tecnologia, mas entre um poder absoluto que pretende dominar o céu, ou um povo unido e reunido, na presença de Deus, pronto a reerguer os muros da convivência fraterna! “Evitemos, portanto, a síndrome de Babel: a idolatria do lucro, que sacrifica os mais fracos; a uniformidade, que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única – mesmo digital – dedicada a traduzir tudo em dados e desempenhos, inclusive o mistério da pessoa” (MH 10), reduzida a um número, a um algoritmo, a uma peça da engrenagem tecnológica. O desafio da Santíssima Trindade é outro: escolhermos o caminho de Neemias, isto é, pôr Deus no centro da vida, caminhar juntos, valorizar o trabalho conjunto, converter e reconstruir as relações, antes mesmo de recolocar as pedras (MH 8).
5. Irmãos e irmãs: publicada a Encíclica Magnifica Humanidade [e convocado o Sínodo Diocesano do Porto (nesta fase de implementação sinodal)] qual é o apelo que nos traz hoje a Magnífica Trindade? Diria simplesmente: “Cuidemos das relações! (…) a carne humana [a pessoa humana indigente] continua a pedir para ser cuidada e reconhecida, por mãos capazes de ternura, por mentes atentas e por palavras bondosas. A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade. Convido a preservar os lugares e os momentos em que a presença física continua a ser decisiva: a mesa partilhada, a comunidade cristã que se reúne, a visita a quem está só, o serviço aos pobres” (MH 230).
[Nos dois anos do Sínodo diocesano (ou da fase de implementação sinodal) transformemos as nossas relações, dentro da Igreja, para que sejam mais acolhedoras e fraternas, gratuitas e graciosas, atentas e corresponsáveis. É preciso mudar a maneira como nos tratamos uns aos outros: menos preocupados em mandar ou comandar e mais disponíveis para servir e criar comunhão; menos divididos entre “uns” e “outros” e mais conscientes de que todos fomos mergulhados no mesmo Batismo e fazemos parte da mesma família (comunidade). “Quando as nossas relações, mesmo na sua fragilidade, deixam transparecer a graça de Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito, estamos a confessar com a própria vida a nossa fé na Santíssima Trindade” (cf. Doc. Final do Sínodo, n.º 50)].
Irmãos e irmãs: cuidemos, por isso, da conversão das nossas relações, pois a qualidade das nossas relações humanas diz tudo da nossa Magnífica Humanidade. E que esta Magnifica Humanidade habitada por Deus transpareça, cada vez mais, a beleza e a glória da Magnífica Trindade!
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Liturgia e Homilias na Solenidade da Santíssima Trindade A 2026
Página dos Leitores | Solenidade da Santíssima Trindade A | 30 e 31.05.2026
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