Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
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Liturgia e Homilias no XVII Domingo Comum A 2026

Homilia no XVII Domingo Comum A 2026
1. Coisas velhas e coisas novas (Mt 13,52) são as últimas palavras de Jesus, na conclusão das parábolas do Reino. Coisas velhas e coisas novas, «Antiqua et nova» são, por sinal, as primeiras palavras de uma Nota do Dicastério para a Doutrina da Fé, sobre a relação entre inteligência humana e a inteligência artificial (14.01.2025). Há poucos dias (15.05.2026), o Papa Leão XIV ofereceu-nos uma Encíclica sobre a salvaguarda da pessoa humana, na era da inteligência artificial. Para esta homilia, quis este vosso irmão pedir ajuda à IA, para que nos mostrasse a diferença entre a inteligência artificial e a inteligência humana e a tal sabedoria do coração, pedida por Salomão! Na verdade, uma coisa é a ciência, o conhecimento exato das coisas; outra é a sapiência, o conhecimento íntimo, que conduz a viver e a degustar a vida, ao sabor de Deus. O futuro da humanidade não dependerá apenas de sistemas cada vez mais inteligentes, mas de homens e mulheres de coração inteligente, que cultivem a sabedoria do coração!
2. As ferramentas digitais e o imenso caudal de informação que temos hoje à mão, os dados massivos disponibilizados pela IA, oferecem-nos resultados, com rapidez e eficiência! Mas estes dados não nos bastam, nem nos servem de nada, por exemplo, para responder aos problemas mais agudos da nossa consciência, para nos ajudar a discernir os nossos pensamentos e sentimentos, para nos orientar nas escolhas decisivas da vida, para nos abrir um caminho de esperança, para nos oferecer uma luz de sentido para a vida. Nós não precisamos apenas de saber o que fazer ou como fazer, mas de saber se o devemos fazer. Precisamos de um saber, que dê sabor e guie a nossa vida! Como discernir entre o que vale a pena e o que não nos merece o coração? Como alcançar aquela sabedoria do coração, que nos ajude a discernir o que tem valor absoluto e o que é relativo?! O coração humano continua a ter sede de algo de mais profundo, que nenhum ecrã, nenhuma máquina e nenhum código de programação lhe pode dar.
3. Percebemos agora a resposta do jovem rei Salomão à proposta de Deus: "Pede o que te devo dar” (1 Rs3,5). Salomão reconhece as suas limitações face aos desafios do seu reino e faz uma escolha surpreendente. Não pede saber técnico ou poder económico, para realizar os seus sonhos. Pede, literalmente, um coração que escuta, um coração sábio. Pede uma sabedoria prática, não para se governar a si mesmo, mas para governar o povo. Não lhe basta conhecer mais e mais. É preciso saber escolher bem. Não basta acumular informação sobre informação. É preciso aprender a orientar-se na vida. Salomão pede a capacidade de discernir entre o bem e o mal, de julgar com justiça e de sentir com compaixão. De nada nos serve uma Inteligência artificial, que processa biliões de dados em segundos, mas se torna incapaz de nos orientar na vida!
4. Irmãos e irmãs: a sabedoria do coração é um dom do Espírito Santo, que integra, ordena e discerne todas as coisas e as ordena para o bem verdadeiro; é um dom, que devemos procurar na oração, na escuta da Palavra de Deus, na escuta dos outros, para amar a verdade, preferir o bem, encontrar a alegria de viver. Este tesouro escondido no campo, esta pérola de grande valor, não estão à venda nas lojas virtuais, nem se descarregam numa aplicação. Este tesouro, esta pérola é Cristo, Sabedoria de Deus.
5. Ora – dizíamos nós ao princípio da nossa conversa – o escriba instruído no Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas. O cristão sabe harmonizar as coisas novas — o progresso, as novas tecnologias, as oportunidades da era digital — com as coisas velhas e eternas: a oração, a escuta da Palavra, a vida comunitária, a atenção aos outros, o cuidado do próximo. Neste 6.º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, escutemo-los mais, pois eles são a nossa reserva sapiencial, uma fonte de sabedoria para a vida! O seu conselho sobre o caminho a escolher é mais sábio do que a indicação de um GPS. Também hoje aos nossos avós e idosos, podemos fazer o mesmo pedido de Salomão: a sabedoria do coração! A sabedoria do coração pode mais do que a inteligência artificial!
Rezemos assim:
Esta oração pode substituir ou concluir a Homilia.
Senhor,
não nos dês apenas inteligência.
Dá-nos um coração sábio.
Não apenas máquinas capazes de pensar,
mas pessoas capazes de amar.
Não apenas tecnologia mais poderosa,
mas consciência mais luminosa.
Não apenas respostas mais rápidas,
mas discernimento para escolher
o tesouro do Teu Reino,
o que dá ao nosso coração
uma alegria maior.
Senhor,
purifica as nossas escolhas,
diante das ilusões do mundo digital.
Faz com que usemos a inteligência
— inclusive as ferramentas tecnológicas —
para servir a dignidade de cada pessoa,
buscar a verdade
e procurar o bem comum,
no cuidado de todos
por cada um.
Por Cristo nosso Senhor.
Ámen.
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Liturgia e Homilias no XVII Domingo Comum A 2026
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