Paróquia Senhora da hora
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Liturgia e Homilias no XXIV Domingo Comum A 2026

Homilia no XXIV Domingo Comum A 2026
Deus perdoa sempre, o homem perdoa às vezes, mas a Natureza nunca perdoa. Meditemos hoje sobre o perdão, que tanta falta nos faz, para alcançar a desejada Paz.
1. Deus perdoa sempre. Perdoa tudo, perdoa-nos a todos. Pedro bem queria fazer contas ao perdão: «até sete vezes?». Jesus responde-lhe com uma conta impossível: «setenta vezes sete». Isto é: sempre, sem medida, do íntimo do coração. O perdão de Deus não respeita as regras do cálculo, nem o deve e haver dos nossos ajustes de contas. A parábola mostra-o com uma imagem brutal: um servo deve ao seu senhor dez mil talentos, mais que o dinheiro todo que circulava no país, uma dívida impagável de cem milhões de salários. Diante de Deus, aquele servo sou eu, és tu, somos nós. Somos devedores de uma dívida colossal que não estamos capazes de pagar: a dívida dos nossos pecados, das nossas omissões, das nossas infidelidades, do amor desperdiçado, de tanta graça recebida e mal-agradecida. Não temos como saldar esta dívida. Nem com o salário de uma vida de 200 ou 250 mil anos. Só um grande perdão nos salva de uma vida insolvente e a prazo. Por isso, o senhor da parábola «encheu-se de compaixão», libertou-o e perdoou-lhe toda a dívida. A mensagem é clara: Deus não nos salva porque Lhe pagámos. Salva-nos porque nos ama sem medida e, portanto, o seu perdão é total, desmesurado!
2. O homem, pelo contrário, perdoa às vezes! Perdoa o que é desculpável, mas fica preso diante do que lhe parece imperdoável. E porquê? Porque se esquece de que foi perdoado. Esquece que o perdão de Deus tem volta. A desproporção da parábola é tremenda: o mesmo servo, perdoado em milhões, não perdoa tostões. Saiu livre, mas continuou preso ao seu coração mesquinho! É aqui que o Evangelho nos põe o dedo na ferida. Ninguém dá o que não tem. Só quem se sente e sabe perdoado por Deus é que se torna capaz de perdoar o irmão. O mal sofrido pode doer muito; e perdoar não é branquear, esquecer ou fingir que nada aconteceu. É recordar de modo diferente, aprender e crescer com a ofensa ou o mal recebidos. Sem perdão, a vítima fica presa ao agressor, amarrada ao seu passado, cansada de carregar uma pedra no coração. O perdão é necessário ao culpado, para se poder levantar; mas é também necessário à vítima, para se poder libertar, para largar o peso da ofensa. Perdoar não é dar razão ao mal; é não lhe dar a última palavra. Perdoar faz bem ao outro e faz-nos bem a nós. Se não for por mais nada, pela tua rica saúde, perdoa a teu irmão, de todo o coração!
3. Mas neste Tempo da Criação é bom recordar: a Natureza nunca perdoa. Quando destruímos florestas, empobrecemos solos, poluímos rios e mares, impermeabilizamos cidades, gastamos sem medida e consumimos sem sobriedade, a Natureza apresenta-nos a conta, com juros altíssimos. As alterações climáticas aí estão: ondas de calor, secas, incêndios, cheias, tempestades, erosão costeira, perda de biodiversidade. Por isso, hoje, falamos de dívida ecológica e de pecado ecológico. Dívida ecológica, porque não recebemos a Terra como propriedade absoluta, mas como empréstimo confiado à nossa geração para ser transmitido às seguintes. Mas está visto que deixaremos às gerações futuras um mundo pior do que aquele que recebemos. Todos os atentados contra a Criação são um pecado ecológico, porque ofendem a Criação e o Criador, o próximo, os pobres e as gerações futuras!
4. Neste início de um novo ano escolar, laboral e pastoral, façamos a experiência de um grande perdão. Acolhamos o perdão imenso de Deus. Esse perdão tem volta. Ofereçamo-lo aos outros, a quem nos ofendeu, para que a vida volte a respirar nas famílias, nas comunidades, na Igreja e na sociedade. Sem perdão, o ambiente humano torna-se irrespirável e a vida familiar e comunitária insustentável. Troquemos a espada pelo perdão, os instrumentos de guerra em ferramentas de transformação da Terra. Atiremos ao chão as pedras da vingança, do ressentimento e da indiferença. Peçamos igualmente perdão a Deus pelos maus-tratos à Criação, convertendo-nos a novos hábitos de vida sóbria e saudável. Recordemo-lo, nestes dias de setembro: Deus perdoa sempre, o homem perdoa às vezes, mas a Natureza nunca perdoa.
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Liturgia e Homilias no XXIV Domingo Comum A 2026
Página dos leitores no XXIV Domingo Comum A 2026
Folha interparoquial | N.º 125 | 13.09.2026
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