Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
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Liturgia e Homilias no XIII Domingo Comum A 2026

HOMILIA NO XIII DOMINGO DO TEMPO COMUM A 2026
Há uma palavra-passe, que atravessa as leituras de hoje: acolher bem ou bem receber. No Evangelho, Jesus diz-nos de forma clara e direta: «Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou» (Mt 10,40). Na primeira leitura, escutámos a belíssima história da mulher de Sunam que, com a maior simplicidade, decide acolher o profeta Eliseu. Ela não lhe oferece luxos, mas o essencial da hospitalidade: um quarto com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. E como recompensa, por essa casa de portas abertas, Deus abençoa-a com o dom do filho, que ela tanto desejava. Quem recebe o próximo, acaba, mesmo sem o saber, por receber o próprio Deus, que torna fecunda a vida! A graça passa sempre pelas portas que abrimos. Por isso, hoje, gostava de vos convidar a refletir sobre o acolhimento, em três âmbitos: na família, na comunidade cristã e na sociedade.
1. A família é, e deve ser sempre, o primeiro laboratório da hospitalidade: acolhimento do esposo e da esposa, que se recebem e se dão mutuamente; acolhimento dos filhos, como dom de Deus, como dádiva e não como dívida. Acolher em família significa recuar, para dar lugar ao outro, perder para si a fim de ganhar o outro; escutar o outro com toda a paciência, no que diz e no que não fala; escutar o cônjuge ou o filho, ao fim de um dia de trabalho cansativo; escutar a sabedoria dos avós e cuidar dos idosos, que sofrem tantas vezes a solidão de um silêncio imposto. Acolher em família é ser um refúgio seguro para os jovens, que nem sequer uma casa conseguem adquirir. Reservemos tempo para nos sentarmos, na cadeira ou no sofá, exercitando o diálogo e a escuta recíproca. Acolher é também abrir a porta da casa aos amigos, aos mais sós e aos mais pobres, fugindo da tentação de transformar o casamento e a família num condomínio fechado. Acolher significa ainda e sempre dar espaço a Deus, para que Ele tenha lugar em nossa casa e presida à nossa mesa. Se o amor de Cristo for cimeiro e estiver primeiro, acabará por transformar a nossa família num porto de abrigo, de modo que cada um se torna um lugar feliz para o outro!
2. A comunidade cristã é chamada a ser a casa aberta do Pai. E o primeiro sinal visível dessa abertura é, literalmente, ter as portas abertas. Não podemos transformar a Igreja numa alfândega da fé. Muitas vezes corremos o risco de agir mais como controladores da graça do que como facilitadores. Tenhamos a coragem de tratar a todos com misericórdia, a começar por aqueles que nos entram pela porta dentro à procura de conforto, de um sacramento, ou que chegam feridos pelas dores e angústias da vida. A Igreja deve ser uma mãe de coração aberto. Isto significa acolher a todos, todos, todos. Na assembleia, nada de lugares cativos, como se tivéssemos comprado o lugar; nada de cara de enfado, por causa de uma criança que chora; nada de menear a cabeça, por causa de alguém que não se comporta segundo os nossos padrões; nada de perguntas fiscais, a quem se abeira e pede para entrar. Sejamos afetuosos e sorridentes, dispostos a ceder o lugar, a tornarmo-nos um lugar disponível para os outros, de tal modo que todos se sintam na Igreja como em sua própria casa!
3. Finalmente, o acolhimento alarga-se à sociedade e, digamo-lo hoje, de modo especial, aos nossos imigrantes. Segundo o INE, os imigrantes são agora 1.597.539, o que representa 14% do total da população portuguesa. Irmãos, “a dignidade humana não tem passaporte, nem perde valor ao atravessar uma fronteira” (Leão XIV, Discurso, 11.06.2026). O acolhimento dos imigrantes é um verdadeiro teste de verdade à nossa fé. Exige de nós não apenas a caridade de emergência, mas a promoção de vias seguras, a integração respeitosa e a defesa dos seus direitos. Quando uma sociedade acolhe o imigrante, ela não empobrece; enriquece-se com novas culturas, novas forças de trabalho e novas histórias de vida. Que a nossa voz seja sempre uma voz que constrói pontes de integração e destrói muros de preconceito!
Queridos irmãos: a palavra-passe que somos chamados a viver, também neste tempo do verão, de férias, de idas e voltas, é esta de acolher bem, de bem-receber, porque – disse Jesus – «quem vos recebe, a Mim recebe». E, às vezes, nem é preciso muito: basta um copo de água fresca!
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Liturgia e Homilias no XIII Domingo Comum A 2026
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