Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
A secção de Notícias & Artigos reúne informações atualizadas sobre a vida da paróquia, bem como reflexões, textos formativos e conteúdos de interesse para a comunidade.
Liturgia e Homilias na Solenidade do Pentecostes A 2026

Homilia na Solenidade do Pentecostes A 2026
1. Neste Domingo do Pentecostes, o nosso Bispo do Porto convoca toda a Diocese para um Sínodo Diocesano, sob este lema: «Ser Porto: formar, reformar e transformar». A escolha deste dia é muito significativa, pois indica claramente quem é o protagonista do Sínodo: o Espírito Santo! Vale a pena recordar hoje: a Igreja não nasce, apenas porque os Apóstolos saíram à rua e começaram a falar; nasce porque o Espírito Santo desceu sobre uma comunidade reunida em oração, em escuta e em comunhão. Antes de haver palavras, houve silêncio e escuta. Antes de haver missão, houve comunhão entre os que estavam reunidos. Antes de haver ação e saída missionárias, houve recolhimento e acolhimento do Espírito Santo!
2. Voltemos ao relato do Pentecostes, para deixar quatro imagens e algumas perguntas, para uma reflexão sinodal:
2.1. Guardar as cinzas ou atear o fogo? Diz o texto: “Viram, então, aparecer uma espécie de línguas de fogo que se iam dividindo e pousou uma sobre cada um deles” (At 2,3). O fogo é um só, mas reparte-se. O Espírito é único, mas repousa sobre cada pessoa, de modo singular. Não há ninguém esquecido. Cada um recebe um dom, uma graça, uma missão. Cada batizado traz uma chama deste fogo. Cada pessoa pode oferecer uma luz. Cada voz tem algo a dizer, para a Igreja discernir o caminho a seguir. No caminho sinodal, nós queremos ser fiéis à Palavra de Deus e à Tradição viva da Igreja. Mas a fidelidade à Tradição não consiste em adorar as cinzas, em manter intacto o costume, o passado, o «fez-se sempre assim» (EG 33), mas em preservar o fogo (Papa Francisco, Discurso, 18.09.2021), aquele fogo que tudo forma, reforma e transforma em Cristo.
Perguntemo-nos: Queremos guardar as cinzas apagadas do passado ou atear o fogo transformador do Espírito Santo?
2.2. Línguas de fogo ou o fogo das línguas? O fogo é um só, mas reparte-se em várias línguas. Há diversidade de dons, de sensibilidades, de vocações, de modos de servir. E, no entanto, não há divisão, não há o fogo das «más-línguas», que divide e confunde, como em Babel. O Espírito Santo torna possível a comunhão nas diferenças.
Perguntemo-nos: queremos acolher o Espírito, como línguas de fogo, para formarmos um só Corpo em Cristo, para reformamos e transformarmos a Igreja, em permanente estado de missão? Ou queremos apenas fazer «coro» com as más-línguas do lamento ou da crítica destrutiva, da palavra que não edifica?
2.3. O dom de falar ou o de escutar? Eis uma outra surpresa do Pentecostes: «cada um os ouve proclamar na própria língua» (At 2, 8.12). O Espírito Santo é o tradutor, o intérprete interior da Igreja. É Ele que permite que as pessoas se compreendam, por entre as diferenças, sem as ignorar. Numa Igreja sinodal, isto é decisivo. Não basta falar com coragem; é preciso escutar com humildade.
Perguntemo-nos: queremos apenas falar para dizer tudo o que pensamos? Ou estamos disponíveis para escutar com humildade o que o Espírito nos comunica através dos outros?
2.4. Um vento ou um redemoinho? E, por fim, há uma outra imagem extraordinária do Espírito Santo: a do vento. O vento não se deixa prender. Ninguém O tem, detém ou sustém. “Não se pode impedir o que vem do Espírito Santo” (DF 60). O Espírito Santo empurra sempre a Igreja para fora. Tira-a do medo, do fechamento. Por isso, uma Igreja verdadeiramente conduzida pelo Espírito não vive fechada sobre si mesma, em «redemoinho», preocupada apenas com os seus problemas internos. O Espírito impele-a para as periferias, para o encontro, para a missão.
Perguntemo-nos então: Queremos seguir o vento e o movimento do Espírito, que nos empurra em saída, ou andar à volta de nós mesmos, nesse redemoinho, que só levanta a poeira?
3. Invoquemos o Espírito Santo, com as suas línguas de fogo, para que desça e permaneça sopre sobre cada um de nós! Que Ele nos abrase com o fogo do seu amor, que tudo forma, reforma e transforma. E que o sopro do vento do Espírito Santo nos ponha a todos em movimento de saída, para renovar em Cristo todas as coisas!
Ou – Excerto da Oração pelo Sínodo – Diocese do Porto
Vinde, Espírito Santo!
Sede Vós a ensinar-nos o caminho a seguir,
a sugerir e efetivar as nossas decisões.
Concedei-nos humildade para escutar,
franqueza para falar.
Vós, que formais o Corpo de Cristo,
reformai-nos e transformai-nos
para sermos a Igreja do Porto que quereis,
e Cristo faça novas todas as coisas.
Ámen!
Links para download:
Liturgia e Homilias na Solenidade do Pentecostes A 2026
Homilias na Solenidade do Pentecostes 1993-2026
Página dos Leitores | Solenidade do Pentecostes A | 23 e 24.05.2026
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