Paróquia Senhora da hora
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Liturgia e Homilias no XXI Domingo Comum A 2026

Homilia no XXI Domingo Comum A 2026
1. Agosto ao gosto de Deus não é apenas mês de descanso, férias e diversão. Pode ser também tempo de regresso ao coração: tempo para escutar o que até então ficou abafado pelo ruído, tempo para decifrar os sinais discretos da presença de Deus e deixar que, em tudo, Ele nos interrogue e nos espante!
2. A Liturgia de hoje coloca-nos entre o incómodo das perguntas e a maravilha do assombro. São Paulo, diante do excesso, da beleza e do mistério de Deus, não se encerra, numa explicação racional, antes exclama com a sua humilde sabedoria: «Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos!» Há perguntas que não se resolvem depressa. Há realidades que nos excedem e põem de joelhos. Há pontos de interrogação e de exclamação, que abrem fissuras na nossa vida para o mistério inefável de Deus. Há perguntas que se soubermos bem de onde nos vêm, já trazem consigo as respostas!
3. Também no Evangelho deste Domingo, Jesus faz duas perguntas essenciais. Primeira: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» Esta é de resposta fácil: podemos responder com o que sabemos, lemos e ouvimos dizer. Mas depois vem a pergunta decisiva e necessária, para que não conheçamos Jesus apenas em segunda mão: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Aqui, para alcançar a graça da resposta, já não basta repetir a Bíblia, saber e dizer de cor o catecismo! Aqui é a nossa pessoa, a nossa vida inteira que é chamada a responder. Pedro responde: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Mas – vede bem – esta resposta não lhe vem da sua inteligência humana e muitos menos da inteligência artificial. Sai-lhe do coração, da própria vida, da experiência íntima do encontro diário com Jesus. Por isso, a resposta da fé de Pedro não é uma frase decorada; é uma confissão de fé, que envolve tudo: a sua vida as escolhas, a relação com Cristo e o serviço à Igreja.
4. Por isso, neste agosto, ao gosto de Deus, peço-vos que «nunca vos canseis de perguntar», ou melhor, que não vos canseis de vos deixardes interrogar. Há perguntas, dentro de mim? Há inquietações, dúvidas? De onde nos vêm? Porque me desassossegam? Puxemos pelo fio dessas perguntas e subiremos até Deus! A fé não cresce com repostas para tudo; a fé cresce quando levamos as nossas perguntas para a conversa com Deus e para a partilha com os outros e procuramos juntos a verdade que não possuímos mas nos possui a nós!
5. Rainer Maria Rilke (poeta, escritor alemão, 1875-1926), nas Cartas a um jovem poeta, aconselhava-o a ter paciência com tudo o que no coração ainda não está resolvido e a amar as próprias perguntas «como quartos fechados e como livros escritos numa língua distante». E acrescentava: «Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas, porque não poderia vivê-las. E trata-se de tudo viver. Por agora, viva as perguntas. Talvez depois, sem dar por isso, pouco a pouco, num dia distante, venha a viver o trajeto para dentro da resposta». Amai as perguntas, para alcançardes a resposta, no tempo e no modo de Deus!
6. Irmãos e irmãs: levemos, então, connosco, nesta reta final de agosto, esta pergunta de Jesus: “Quem sou Eu para ti”? Sim. Quem é Jesus para mim, quando descanso e quando trabalho, quando rezo e quando me distraio, quando sofro e quando amo? Que lugar ocupa Ele na minha casa, nas minhas escolhas, no meu programa de férias e de domingo, na minha relação com a Igreja? Talvez a resposta se vá escrevendo, pouco a pouco, na fidelidade de cada dia, na leitura atenta dos sinais, na participação assídua de cada Eucaristia! Se vivermos esta pergunta ela há de levar-nos ao coração da resposta. E então chegaremos a dizer, não só com os lábios, mas a professar com a própria vida: «Senhor Jesus, Tu és o Filho de Deus vivo. Em Ti quero confiar. Contigo quero caminhar. Na tua Igreja quero servir. De Ti, por Ti e para Ti são todas as coisas. Glória a Ti para sempre. Ámen».
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