Paróquia Senhora da hora
Notícias & Artigos
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Liturgia e Homilias no XX Domingo Comum A 2026

Homilia no XX Domingo Comum A 2026
“A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (Is 56,1.6-7)!
1. Ficou bem no ouvido de todos a insistência do Papa Francisco na JMJ 2023 e pela enésima vez, naquele todos, todos, todos. Francisco disse-o a pensar em muita gente que, à partida, se julga de fora, sem direito a fazer parte da Igreja, a participar na vida eclesial ou a celebrar os sacramentos! Tenho encontrado muitas pessoas (sobretudo pessoas divorciadas, mães solteiras, recasados e pessoas numa relação homoafetiva) que partem do pressuposto de que estão excluídas da Igreja e, por isso, nem sequer ponderam um diálogo com vista a uma aproximação, a uma (re)integração ou a uma maior participação na vida da Igreja. Creio que o Papa de então, com tal insistência, queria dizer a todos que devem aproximar-se da Igreja, independentemente do seu estado de saúde espiritual, do seu país, e que, para todos, há um lugar. A Igreja, enquanto Mãe, está aberta a todos. Levemos esta Boa-nova sobretudo àqueles que partem do princípio de que não há lugar para eles, por causa da sua história de vida ou da sua condição. Digam-lhes que têm o seu lugar. E que podem entrar, para fazer caminho e encontrar no coração da Igreja o seu próprio lugar.
2. Mas também, como explicou o então Papa Francisco, na entrevista dada no voo de regresso a Roma, “para quem quer entrar, há um caminho de ingresso e de progresso”, há um processo paciente de discernimento, de crescimento e de acompanhamento a fazer. A vida cristã e a pertença e participação na Igreja não são anárquicas! Cada um tem, pois, de fazer o seu próprio caminho, na oração e no diálogo pastoral com a Igreja, a fim de encontrar a sua forma de prosseguir, de se integrar e de participar. E aí, sim, para todos, todos, todos, deve estar aberta a porta da Igreja. Portanto, este todos, todos, todos não significa abrir agora uma “época de saldos, caindo na tentação da graça barata, em que se pedem e exigem à Igreja todos os direitos, para poder entrar e celebrar os sacramentos, sem a preocupação de se identificar e de se comprometer minimamente com nada e com ninguém. Este todos, todos, todos não significará tudo, tudo, tudo, isto é, uma entrada ao desbarato, sem verdade cristã, nas intenções e disposições da pessoa. Pressupõe-se, para quem quer entrar na Igreja, o desejo de fazer parte dela, de participar, de ser membro ativo e de pleno direito na vida da comunidade eclesial. E isso implica não só graça como missão, não só direitos como deveres!
3. Neste sentido, o acolhimento cordial da porta aberta não pode dispensar o apelo à conversão, até ao bem possível que cada um pode oferecer na sua resposta à graça de Deus. Por isso, acrescentou o Papa Leão XIV há alguns dias: “A cada um digo: «Deus ama-te como és, mas sonha-te ainda melhor»”. Na verdade — continuou o Papa —, “o Senhor permite-nos a todos recomeçar sempre, pois ser humano e ser cristão não consiste em não cometer erros, mas sim em crescer na capacidade de se converter, arrepender, emendar e, acima de tudo, de se reconciliar e perdoar” (Papa Leão XIV, Discurso aos reclusos, Barcelona, 10.06.2026). Digamos, pois, a todos, todos, todos: “Entra, a casa é tua; tens aqui um lugar”. E a cada um digamos também: “Deus ama-te como és, mas sonha-te ainda melhor”!
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