Liturgia e Homilias na Festa da Sagrada Família 2021
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Permanece descalço! Descalço também se caminha. Este é o apelo que reiteramos, neste domingo dentro da Oitava do Natal, em que celebramos a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José. Ontem, dia de Natal, descalçávamos os nossos sapatos diante do Presépio, sabendo que pisamos a terra sagrada do mistério inexcedível da divindadede Cristo na carne viva da nossa humanidade. Hoje permanecemos descalços diante do caráter sagrado e inviolável da vida de cada pessoa e de cada família. Afinal, nesta Sagrada Família de Jesus, Maria e José, toda a família, também a nossa família, se torna sagrada. E, por isso, abeiramo-nos de cada família com espanto, admiração, respeito, gentileza, abertura e confiança.

Homilia na Festa da Sagrada Família C 2021

 

1. Permanece descalço! Descalço também se caminha.Neste Natal, descalçamos os sapatos aos pés do Presépio, como quem pisa a terra sagradado mistério inexcedível de Deus, que Se manifesta na carne viva da nossa humanidade. E, neste Domingo da Sagrada Família, o Deus feito Menino, feito adolescente, feito jovem, feito homem, faz-nos aproximar de mansinho,de mãos dadas, em pezinhos de lã,da terra sagrada que se avista no rosto de cada irmão, de cada irmã, de cada família. Permanecer descalço diante do outro, em família, implica tirarmos os sapatos, largarmos as botas de guerra, as chancas e as tamancas do orgulho, para nos determos com respeito e atenção, para descobrirmos a presença oculta de Deus, na vida mais imperfeita de cada pessoa ou família. Não há famílias perfeitas, nem sequer a da Sagrada Família, em que Maria e José se desencontram do Filho e o Filho lhes reclama autonomia para seguir o seu próprio caminho. Permanecer descalço diante da terra sagrada do outro implica uma atenção ao mundo interior de cada um, a máxima delicadeza, a gentileza nas palavras e nos gestos, a ternura nos afetos, o encontro face a face, em vez de relações formais, vitrais, virtuais.

 

2.Há dias, o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vidalançou um Decálogo para as crianças, com 10 conselhos para crescer juntos – pais e filhos – colocando em prática o que o Papa Francisco diz na sua Exortação Apostólica sobre a Alegria do amor em família (Amoris Laetitia).Vou resumi-los, porque nos ajudam a descalçar os sapatos:

I.            Um olhar amável faz com que nos detenhamos menos nos defeitos dos outros. Na família amamo-nos, respeitando e valorizando as diferenças de cada um.

II.            O amor deve ser colocado mais nas obras que nas palavras. Na família, cada um contribui para responder às necessidades, segundo a sua idade e capacidade.

III.            É bom experimentar a felicidade de dar e de se dar, sem calcular nem reclamar nada em troca, mas apenas pelo prazer de dar e servir. Na família, cada um está ao serviço dos demais, mas ninguém é criado de ninguém.

IV.            Pai e mãe devem ajudar os filhos a fazer as coisas pelas próprias mãos: isso é expressão de autonomia e maturidade, sinal de que se está a crescer bem.

V.            Renunciar a algo que se deseja pode ser bom para fortalecer a personalidade e aprender a dar o valor devido às coisas pouco importantes.

VI.            Reservar tempo de qualidade permite escutar, com paciência e atenção, até que o outro tenha manifestado tudo o que precisa de comunicar. Na família, é bom perguntar «como vais?» e sentar-se ao lado do outro para o escutar.

VII.            Na família, há três palavras mágicas que nunca podem faltar: “por favor”, “obrigado/a”e“desculpa”.

VIII.            A pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem e estimulam. Quando há um problema, é preciso falar sobre ele com a mãe, o pai, entre irmãos, ou com outra pessoa da família. Enfrentamos os problemas juntos, em família, nunca sozinhos!

IX.            Ter irmãos é um bem e uma força. É a forma mais direta de aprender a aceitar e a respeitar o outro e de o amar nas coisas pequenas de cada dia.

X.            A família deve ser o lugar onde uma pessoa, quando consegue algo de bom na vida, sabe que alguém se vai congratular com ela. É bom elogiar e dar presentes, dizer ao outro «obrigado/a», «parabéns» ou «admiro-te», ou simplesmente «amo-te muito».

 

3. Permanece descalço! Descalço também se caminha.Aqui ninguém te pede, como nas mesquitas, para tirares os sapatos à entrada! Mas é bom que, mesmo assim, permaneças descalço, como quem se desarma de todo o calçado ruidoso da violência e da prepotência, para te dobrares humildemente diante de Deus feito Homem e te desdobrares ativamente no serviço dos teus irmãos. Em ambos os casos, estás sempre a pisar terra sagrada.

 

Portanto, pés descalços ao caminho! Continuemos juntos, na pequena igreja e na grande família, por um Natal verdadeiro, o Natal primeiro!

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Apêndice: O DECÁLOGO DA NOSSA FAMÍLIA

 

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida lança uma nova iniciativa no quadro do Ano “Família Amoris Laetitia”, dedicado pelo Papa Francisco às famílias: um Decálogo para as crianças, com 10 conselhos para crescer juntos – pais e filhos – no ambiente familiar, colocando em prática o que o Papa Francisco diz na exortação apostólica Amoris Laetitia:

                                  

I.            Um olhar amável faz que nos detenhamos menos nos defeitos dos outros (AL 100). A nossa família está fundada sobre o amor fiel de Jesus por nós: no seu amor queremos construir as nossas vidas todos os dias, amando-nos uns aos outros e respeitando-nos mutuamente.

II.            O amor deve ser colocado mais nas obras que nas palavras (AL 94). Na família, cada pessoa contribui para atender às necessidades diárias, de acordo com a sua idade e capacidades. Portanto, à medida que se cresce, colabora-se sempre mais também nos assuntos práticos da vida familiar.

III.            Experimentar a felicidade de dar e de doar-se superabundantemente, sem calcular nem reclamar pagamento, mas apenas pelo prazer de dar e servir (AL 94). Cada um está ao serviço dos demais, mas ninguém é empregado dos demais. Isso significa que é bom fazer algo pelos outros, com generosidade e alegria, mas ninguém deveria aproveitar-se do serviço dos outros, por preguiça ou indiferença.

IV.            A mãe ampara o filho com a sua ternura e compaixão; a figura do pai ajuda a saída para o mundo mais amplo e rico de desafios, pelo convite a esforçar-se e a lutar (AL 175). Aprender a fazer as coisas sozinho é expressão de autonomia e maturidade. Se procurarmos ser autónomos significa que estamos a crescer bem.

V.            Aceitar com vontade firme a possibilidade de enfrentar algumas renúncias (AL 210). Renunciar a algo que se quer, pode, por vezes, ser bom para fortalecer a própria personalidade e aprender a dar o valor devido às coisas pouco importantes.

VI.            Reservar tempo de qualidade que permita escutar, com paciência e atenção, até que o outro tenha manifestado tudo o que precisa de comunicar (AL 137). Na família, é bom, a cada certo tempo, perguntar-se mutuamente «como vais?» e sentar-se ao lado do outro para o escutar.

VII.            Na família é necessário usar três palavras: com licença, obrigado e desculpa (AL 133). As palavras são importantes: devemos sempre dizer “por favor”, “obrigado/a” e “desculpa” às pessoas que amamos.

VIII.            A pessoa que ama é capaz de dizer palavras de incentivo, que reconfortam, fortalecem e estimulam (AL 100). Quando há um problema é preciso falar sobre ele com a mãe, o pai, entre irmãos, ou com outra pessoa da família. Enfrentamos os problemas juntos, nunca sozinhos.

IX.            Ter um irmão, uma irmã que te ama é uma experiência forte, inestimável e insubstituível (AL 195). Ter irmãos é um bem e uma força. É a forma mais direta de aprender a aceitar e a respeitar o outro e de amar-se nas coisas pequenas de cada dia.

X.            A família deve ser o lugar onde uma pessoa que consegue algo de bom na vida sabe que ali se vão congratular com ela (AL 110). Quando fazemos algo bom mesmo, merecemos um prémio. É bom de vez em quando dar presentes, para dizer ao outro «obrigado/a», «parabéns» ou “admiro-te” ou simplesmente «amo-te».

 

http://www.laityfamilylife.va/content/laityfamilylife/pt/amoris-laetitia/iniziative-e-risorse/-10familytips.html

 

 

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