Isto de «visitar os presos» não é obra de misericórdia, ao alcance de todos! Esta semana antecipei uma espécie de visita virtual à cadeia, com estes textos bíblicos na mente. E a primeira coisa que me ocorreu não foi ocupar o lugar simpático do visitador, mas a cela do recluso, “lembrando-me dos presos, como se estivesse na prisão com eles” (Hb 13,3). A cadeia é um lugar onde também eu poderia estar: «quem não tiver pecados, atire a primeira pedra» (Jo 8,7), diz-nos Jesus, desarmando-nos de qualquer superioridade moral, para julgar o próximo.

Esta é uma daquelas parábolas, de que me abeiro, descalço e a tremer, com medo de tocar na tela e «estragar» a pintura, com explicações, sem propósito. Jesus consegue contar esta parábola, de forma tão viva, tão bela e comovente, que chega a parecer uma novela da vida real, se vestirmos a roupa do filho mais novo, perdido da cabeça, ou a do filho mais velho, duro de coração. Mas se, pelo contrário, nos pusermos à janela do Pai misericordioso, com vista direta para o coração de Deus, a nossa perspetiva muda completamente. Nada naquele Pai é normal: a liberdade com que entrega a herança e deixa o filho partir, a esperança que O mantém à janela de olho no filho até que regresse, a festa de arromba que manda preparar sem esperar por um pedido de perdão, a loucura daquela alegria maior que Lhe inunda o coração ao oferecer sem medida o perdão.

Numa terra tão árida e seca, como a Palestina, «dar de beber a quem tem sede» chegava a ser mais importante do que «dar de comer a quem tem fome». A resistência à sede é, nos seres vivos, bem mais curta do que a de um longo tempo de fome. Por isso, esta obra de misericórdia para com os homens é também um dever sagrado para com os animais e os outros seres vivos.

Os três peregrinos, Pedro, Tiago e João, fizeram uma pausa no seu caminho, com Jesus, para Jerusalém! Estão felizes da vida, ao despertar do sono e de um sonho, que lhes enchia o coração de luz e esperança. E, num gesto de grande hospitalidade, estão prontos a armar três tendas, para dar abrigo à presença gloriosa de Jesus, de Moisés e de Elias.

Dar de comer a quem tem fome é a primeira obra de misericórdia. E até o diabo estaria disposto a amassar o pão, com o pó da pedra, para dar de comer a Jesus. Mas Jesus responde à tentação consumista, com a palavra das Escrituras: «nem só de pão vive o homem», a que se acrescenta «mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus» (Deut.8,3; Mt.4,4b).

Pág. 23 de 24
Top
Usamos cookies para garantir uma melhor navegação no site. Ao continuar a utilizar este site, está a dar o seu consentimento. Mais detalhes…