Liturgia e Homilias no II Domingo Comum B 2018
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Que procurais? Onde moras? Concluída a caminhada do Advento à Epifania, seguimos agora por outro caminho, sempre movidos pelo amor de Deus, atraídos por Ele, em busca d’Ele, pelo pequeno caminho das grandes perguntas. 

Homilia no II Domingo Comum B 2018

 

Que procurais? Onde moras?

 

1. Entrámos no Tempo Comum, para percorrer devagarinho “o pequeno caminho das grandes perguntas(Tolentino Mendonça), das “inquietantes perguntas do Evangelho(Ermes Ronchi), como estas duas, que hoje escutávamos: a de Jesus aos dois discípulos: “Que procurais?” e a destes a Jesus: “Onde moras?(Jo 1,38). Na verdade, são as grandes perguntas, mais do que as respostas, que abrem a fissura e a fechadura do nosso coração, despertam e dilatam o nosso desejo de Deus, e nos põem em busca do sentido mais profundo da vida.

 

Quando as perguntas fazem caminho na nossa vida, quando o nosso coração anseia por encontrar Deus e se põe a farejar o rasto da Sua presença, então entramos já no território da fé. Uma fé sem perguntas, sem dúvidas, sem inquietações, está coxa. Por isso, a linha que hoje nos distingue, do ponto de vista religioso, não é tanto entre crentes e não crentes, mas entre buscadores e acomodados (cf. Robert Wuthnow e Charles Taylor).

 

Disse o Papa Francisco: “Uma fé que não nos põe em crise é uma fé em crise; uma fé que não nos faz crescer é uma fé que deve crescer; uma fé que não nos questiona é uma fé sobre a qual nos devemos questionar; uma fé que não nos anima é uma fé que deve ser animada; uma fé que não nos sacode é uma fé que deve ser sacudida(Discurso à Cúria Romana, 21.12.2017). Por isso, quanto mais importante for a pergunta, mais tempo precisaremos de a habitar. É, pois, muito preciso viver bem cada pergunta, procurar sempre mais, para encontrar o Senhor. Onde moras? Deus gosta mais de habitar na ânsia do coração do que nas certezas da nossa razão.

 

2. Por isso, detenhamo-nos hoje a escutar a grande pergunta de Jesus: “Que procurais”? Dito de modo pessoal: “Qual é o teu desejo mais profundo? O que é que te move? O que é que mais desejas na vida”? Mais importante do que saberes o que fazer, ou como o fazer, é deixares ressoar estas grandes perguntas, sobre «Que anseios se abrigam no teu coração? E quem te poderá dar o que te falta»?

 

3. Tendo em vista o Sínodo dos Bispos, sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, deixo três sugestões, para percorrermos juntos tal caminho:

 

1.º- Escutar. Às vezes, como Samuel, somos muito prontos a responder a um qualquer serviço, mas temos dificuldade em discernir o chamamento do Senhor. Daí a importância e a necessidade do silêncio, de permanecer junto do Senhor, de O escutar e perscrutar, de morar e se demorar junto d’Ele, para d’Ele nos enamorarmos. O silêncio ajuda a recolhermo-nos em nós mesmos, a ouvir o nosso espírito, para o abrir depois ao Senhor. “Vinde e vede”, responde Jesus. Isso também significa: “Não digas nada, cala-te, permanece junto de Mim, em silêncio”.

 

2.º- Mover-se, sair, arriscar. Jesus deixa-Se encontrar por quem O busca, mas para O buscar é preciso mover-se, sair, arriscar. Deixar o conforto do sofá e calçar umas sapatilhas! Há que vencer a preguiça de quem não pede mais nada à vida. Vale bem a pena procurar até encontrarmos Aquele que o nosso coração ama.

 

3.º- Deixar-se guiar. Heli leva o jovem Samuel ao discernimento e à escuta da Palavra de Deus. E João Batista conduz os seus discípulos ao encontro pessoal com Cristo. A procura da vontade de Deus precisa de mediadores, de figuras de referência próximas, credíveis, coerentes e honestas, capazes de manifestar sintonia e oferecer apoio, encorajamento e ajuda, sem fazer pesar o próprio juízo!

 

Queridos pais e catequistas, professores e demais educadores, digo-vos a vós e a mim mesmo: sejamos guias atentos dos mais novos, acompanhemo-los com paterna e materna solicitude. Vivamos com generosidade a nossa própria vocação, de modo que a alegria do nosso encontro com Cristo e do serviço aos outros desperte neles o desejo de O procurar, de O seguir e de O servir, com aquela resposta que Deus espera: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta(1 Sm 3,10).

 

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