VI Domingo de Páscoa A 2017
Destaque

Estamos já no VI Domingo da Páscoa. Aproxima-se o dia de Pentecostes e, com ele, a festa do Espírito Santo, que nos é dado, não para ser guardado, mas para tornar ainda mais forte e mais belo o nosso testemunho de Cristo. Em pleno mês de maio, recordamos a presença da Virgem Maria, junto dos Apóstolos em oração, aguardando o fogo do Pentecostes. 

Homilia no VI Domingo da Páscoa A 2017

 

1. A Samaria não era “flor que se cheire”. Mas o diácono Filipe leva a Palavra de Deus precisamente àquele que era considerado um «estúpido povo que habita em Siquém» (Sir 50,26). E, por estranho que pareça, houve por lá também “grande alegria” (At 8,5-8),aquela “alegria do Evangelho, que enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG 1). Não tenhamos, portanto, medo dos ambientes difíceis, das zonas perigosas, das pessoas suspeitas ou estranhas! E anunciemos-lhes, com desassombro, a Palavra de Deus, partilhando esta alegria do Evangelho, que brota da nossa experiência pessoal do encontro com Cristo! E acreditai: quando lá chegarmos, às portas da cidade ou às do coração do irmão, havemos de verificar, com espanto, que o Senhor já lá estava há muito tempo, e já tinha derrubado portas e muralhas! O Senhor chega sempre primeiro e prepara-nos tudo!A Sua presença só precisa de ser descoberta, desvelada!

 

2. Anunciemos o Evangelho, por isso, com alegria, sem medo de padecer por fazer o bem, sem preconceitos, de boa consciência, porque o Espírito Santo nos é dado para o testemunho e não para a timidez! O Senhor, que nos precede, dá-nos sempre o “outro Consolador” (Jo 14,15): o Espírito Santo serve-nos de Paráclito, de Defensor, de Consolador e de Intérprete, pois Ele mesmo nos defende nos perigos, nos consola nas angústias e nos ensina a traduzir a Palavra de Deus, nas palavras da nossa vida. Ele fala por nós! Evangelizadores com espírito não têm medo, nem vergonha! Têm simplesmente a alegria do Evangelho a arder nos corações! E essa alegria é o “gás” e a força motriz do nosso testemunho.

 

3. Portanto, estai sempre prontos, atentos, preparados, pelo Espírito, para O acolher, para O apresentar a quem vos pedir o pão e a razão da esperança (cf. 1 Pe 3,15-18).A razão não é aqui uma ideia, um pensamento, mas uma pessoa: Jesus Cristo. Estai prontos a dar a razão, isto é, a dar a mão, a compreensão, o amor e a confiança, como construtores de um mundo novo.

 

4. Irmãos e irmãs:todos nós – em qualquer idade, em qualquer condição, em qualquer lugar –“somos chamados a dar aos outros o testemunho claro do amor do Senhor por nós, que dá sentido à nossa vida” (EG 121). Mas como passar este testemunho aos outros?Não serão precisos nenhuma técnica nem meio de comunicação especiais: “O teu coração sabe que a vida não é a mesma coisa sem Ele; pois bem, aquilo que descobriste, o que te ajuda a viver e te dá esperança, isso é o que deves comunicar aos outros. A nossa imperfeição não deve ser desculpa; pelo contrário, a missão é um estímulo constante para não nos acomodarmos na mediocridade, mas continuarmos a crescer”(EG 121).

 

5.São bem conhecidos os testemunhos corajosos dos Pastorinhos que, mesmo sob ameaça, se mostraram firmes e verdadeiros, sem recuarem, nem se deixarem intimidar. “A sua santidade não é uma consequência das aparições, mas da fidelidade e ardor com os quais responderam ao privilégio de verem a Virgem Maria” (Papa Francisco,Regina Caeli, 14.05.2017). A grande mensagem, que recebem de Maria, é levada à humanidade por três grandes comunicadores, que tinham menos de treze anos. Só isto nos devia fazer pensar e sacudir tantos medos e desculpas, que nos inibem de levar aos outros o testemunho feliz do Evangelho!

 

Esta semana, procuremos, dar o nosso testemunho, oferecendo aos outros a razão da nossa esperança. Podemos fazê-lo por escrito, nas redes sociais, por sms, ou, ainda melhor, de viva voz, por contágio, mas sempre de modo pessoal, com humildade e simplicidade, “com mansidão e respeito, de consciência limpa” (1 Pe 3,16). Façamo-lo precisamente ali, onde for mais árduo, mais difícil, mais desafiante.

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